Perspectiva Global Reportagens Humanas

Agência da ONU busca engajar homens para promover igualdade de gênero

Meninas de uma comunidade indígena lêem ao ar livre na Escola Primária Ban Pho, no distrito de Bac Han, na remota província de Lao Cai, Vietnã.
Unicef/UNI10236/Estey
Meninas de uma comunidade indígena lêem ao ar livre na Escola Primária Ban Pho, no distrito de Bac Han, na remota província de Lao Cai, Vietnã.

Agência da ONU busca engajar homens para promover igualdade de gênero

Mulheres

Fundo de População das Nações Unidas alerta que preferência por meninos em muitos países resulta em desequilíbrio; entidade lança programas para combater discriminação e capacitar homens para defender a igualdade.

Para muitas pessoas, descobrir o sexo de nascimento do bebê é motivo de comemoração. Para outras, pode ser uma fonte de grande ansiedade, principalmente com a hipótese de ser uma menina.

O Fundo de População da ONU, Unfpa, alerta que, em muitos países, ainda há preferência por meninos. Isso já levou a um número estimado de 140 milhões de mulheres “desaparecidas” e vem causando um desequilíbrio de gênero. 

Unfpa alerta que, em muitos países, ainda há preferência por meninos. Isso já levou a um número estimado de 140 milhões de mulheres “desaparecidas” e vem causando um desequilíbrio de gênero
© Unicef/Giacomo Pirozzi
Unfpa alerta que, em muitos países, ainda há preferência por meninos. Isso já levou a um número estimado de 140 milhões de mulheres “desaparecidas” e vem causando um desequilíbrio de gênero

Programas para combater discriminação de gênero

Por isso, a agência das Nações Unidas especializada em saúde sexual e reprodutiva está lançando programas em vários países para combater o tipo de discriminação e equipar homens e meninos em particular para advogar contra ela.

No Azerbaijão, país onde a preferência por filhos continua generalizada, uma iniciativa oferece treinamento para homens se tornarem parceiros mais engajados e iguais. O país conta com um espaço seguro para discutir e descobrir como a discriminação de gênero os afeta, a suas famílias e a sociedade.

Já no Vietnã, o censo de 2019 aponta que a proporção entre os sexos no nascimento foi de 111,5 meninos para 100 meninas, maior do que a considerada normal de cerca de 105 meninos para 100 meninas. 

Essa distorção é impulsionada pela seleção de sexo com viés de gênero, sem a qual cerca de 45,9 mil nascimentos femininos ocorreriam no país a cada ano.

Para trabalhar contra a questão, o Unfpa colaborou com o Governo do Vietnã e o Sindicato dos Agricultores do Vietnã para criar dez Clubes de Paternidade Responsável nas províncias de Bac Giang e Ba Ria-Vung Tau. 

Os clubes oferecem um espaço para aprender sobre os papéis de gênero na sociedade, criar filhos e superar a pressão para ter filhos. De forma mais ampla, eles demonstraram levar mais homens a assumir responsabilidades domésticas e a menos pessoas.

Meninas caminham para a escola em Herat, no Afeganistão. (arquivo)
Unicef/Mark Naftalin
Meninas caminham para a escola em Herat, no Afeganistão. (arquivo)

Oportunidade para mulheres e meninas

Segundo a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, mulheres e meninas empoderadas tem famílias mais saudáveis e produtivas, economias mais fortes e futuros mais seguros para as próximas gerações.

No entanto, em muitos países, as oportunidades de educação e emprego dos meninos ainda são priorizadas, enquanto as meninas correm o risco de serem forçadas a se casar precocemente para aliviar a pressão financeira sobre as famílias. 

Globalmente, as mulheres ainda ganham apenas US$ 0,77 para cada  dólar que um homem recebe e realizam pelo menos 2,5 vezes mais trabalho não remunerado.

Desequilíbrio de gênero

No extremo dessa realidade está a questão da preferência pelo filho: gestações são interrompidas, muitas vezes à força e aqueles que se recusam a ser coagidos podem correr o risco de exclusão, violência e abandono por parte de seus parceiros e familiares.

O Unfpa destaca que tal desequilíbrio de gênero pode ter impactos duradouros e prejudiciais nas sociedades e sufocar a progressão profissional de mulheres e meninas. 

Essa lacuna pode resultar em taxas mais altas de outras normas nocivas, incluindo violência baseada em gênero, mutilação genital feminina e casamento infantil, que são outras barreiras para alcançar a igualdade de gênero.