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Em frente ao Conselho de Segurança, Guterres reitera apelo para envio de força internacional ao Haiti

Secretário-geral da ONU, António Guterres
UN Photo/Eskinder Debebe
Secretário-geral da ONU, António Guterres

Em frente ao Conselho de Segurança, Guterres reitera apelo para envio de força internacional ao Haiti

Paz e segurança

Secretário-geral diz, que visitou o país no fim de semana, explica que mobilização apoiaria a Polícia Nacional Haitiana na luta contra grupos armados que afligem o país; apelo ao Conselho de Segurança e Estados-membros é sobre ação imediata em socorro de comunidades aterrorizadas pela violência. 

Derrotar e desmantelar as gangues que estão aterrorizando a população haitiana é a principal prioridade para restabelecer a segurança no país.  

A declaração é do secretário-geral da ONU, António Guterres, que reforçou seu apelo para o envio de uma “força internacional robusta” para apoiar o trabalho da Polícia Nacional Haitiana.   

 

Comunidades aterrorizadas 

 

Guterres falou a jornalistas, na tarde desta quinta-feira, em frente ao Conselho de Segurança, se dirigindo aos países com “potencial de contribuir”.  

 

De acordo com o líder das Nações Unidas, a população do Haiti “está presa num pesadelo vivo”.  Ele afirmou que a capital haitiana, Porto Príncipe, está cercada por grupos armados que “bloqueiam estradas, controlando o acesso a alimentos e cuidados de saúde e inviabilizando o apoio humanitário”.  

 

As gangues utilizam “sequestros e violência sexual como armas” para aterrorizar comunidades inteiras. Guterres visitou o Haiti no sábado, 1 de julho, onde se reuniu com autoridades e representantes da sociedade civil. Ele contou que ouviu relatos brutais de mulheres e meninas vítimas de estupros coletivos e sobre pessoas queimadas vivas.   

 

Segurança sustentável 

 

O chefe da ONU disse que “o mundo precisa agir agora” para conter a violência e a instabilidade no país caribenho.  

Secretário-geral António Guterres (esq.), e primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry
Oldy Joël Auguste/BINUH
Secretário-geral António Guterres (esq.), e primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry

O envio de uma força de segurança “robusta”, que deve ser decidido pelo Conselho de Segurança, seria para “trabalhar de mãos dadas com a Polícia Nacional Haitiana para acabar com as gangues e restaurar a segurança ao redor do país”.  

 

O governo haitiano já pediu o envio em outubro passado. Guterres afirmou que esta demanda foi reforçada em várias das reuniões que realizou na visita ao Haiti, durante o último fim de semana.  

 

Respondendo a jornalistas, António Guterres confirmou que a necessidade de apoio gira em torno 1 mil a 2 mil policiais internacionais especialistas no combate ao crime organizado. 

 

Ele lembrou também que “não pode haver segurança sustentável sem uma solução política que permita a restauração das instituições democráticas.” 

 

O secretário-geral também citou a situação da escalada da violência em Jenin, na Cisjordânia, entre israelenses e palestinos. Ele pediu a Israel que respeite suas obrigações com o direito internacional.