Perspectiva Global Reportagens Humanas

OMS: 36 milhões de pessoas podem ter desenvolvido Covid longa na Europa

A Moldávia foi o primeiro país europeu a receber vacinas COVID-19 por meio do COVAX Facility
ONU Moldova
A Moldávia foi o primeiro país europeu a receber vacinas COVID-19 por meio do COVAX Facility

OMS: 36 milhões de pessoas podem ter desenvolvido Covid longa na Europa

Saúde

Condição ainda pouco estudada requer mais investimentos em pesquisa, diagnóstico e tratamento; vacinação para grupos vulneráveis segue como prioridade; OMS alerta também para calor intenso na Europa, com países como Portugal registrando mais de 40° C. 

A Organização Mundial da Saúde estima que um em cada 30 europeus pode ter desenvolvido a forma mais desconhecida da Covid-19 durante os três anos de pandemia. 

Também conhecida como Covid longa, a condição ainda carece de diagnósticos e tratamentos específicos. Segundo os dados da OMS, quase 36 milhões de pessoas em toda a região europeia podem ter desenvolvido este quadro. 

Lacunas de informação

Em declaração para jornalista feita nesta terça-feira, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, disse que as lacunas de informação sobre a Covid longa precisam ser “urgentemente preenchidas”.

Ele afirmou estar em contato com pacientes e grupos de apoio para entender as principais demandas e aumentar ações de conscientização sobre a situação dessas pessoas. 

Segundo ele, sem uma resposta para a Covid longa, o mundo não estará “verdadeiramente recuperado” da pandemia. 

O diretor regional afirmou que a agência está incentivando mais pesquisas e defendeu que essa sub condição seja “levada a sério em todos os setores de saúde e assistência social”.

A pensionista Xhane Grodani, que mora com o marido em Tirana, na Albânia, recebe sua terceira vacinação contra a Covid-19 em uma clínica na capital
OMS/Arete/Florion Goga
A pensionista Xhane Grodani, que mora com o marido em Tirana, na Albânia, recebe sua terceira vacinação contra a Covid-19 em uma clínica na capital

Vacinação para populações vulneráveis

O representante da OMS lembrou que embora não seja mais uma emergência de saúde pública global, a pandemia segue causando 1.000 novas morte nos países europeus a cada semana.

Kluge salientou que pessoas com condições como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares são “muito mais vulneráveis a formas graves de Covid-19.”

Ele lembrou que, em última análise, a melhor maneira de evitar a Covid longa é evitar a Covid-19 em primeiro lugar. Nesse sentido, Kluge afirmou que a prioridade deve ser vacinar populações vulneráveis. Especialmente idosos, pessoas com condições médicas subjacentes e imunocomprometidos.

Ele disse que é preciso garantir pelo menos 70% de cobertura vacinal para esses grupos, incluindo doses de reforço primárias e adicionais.

Uma floresta queima no Estreito da Calheta, em Portugal
Unsplash/Michael Held
Uma floresta queima no Estreito da Calheta, em Portugal

Calor excessivo

O diretor regional da OMS também fez um alerta sobre o calor durante o verão europeu. 

Um novo relatório da União Europeia e da Organização Meteorológica Mundial, OMM, alertou recentemente sobre a Europa está aquecendo duas vezes mais rápido do que a média global desde a década de 1980. 

De acordo com Kluge, o calor extremo nos meses de verão “está se tornando a norma, não a exceção”.

Ele lembrou que no ano passado “o calor extremo ceifou 20 mil vidas entre junho e agosto.” Na semana passada, Espanha e Portugal registaram temperaturas superiores aos 40 graus, aumentando consideravelmente o risco de incêndios florestais.