Perspectiva Global Reportagens Humanas

Lei que impõe pena de morte a homossexuais em Uganda gera apreensão na ONU

Uma jovem sobrevivente de violência sexual e casamento forçado faz um coração com as mãos. Uma assistente social está ao lado dela.
UNICEF/Mathias Mugisha A situação aumenta o risco de agravar a violência e a perseguição já enfrentadas por lésbicas, gays e bissexuais em Uganda.

Lei que impõe pena de morte a homossexuais em Uganda gera apreensão na ONU

Assuntos da ONU

Secretário-geral ressalta perigo de agravamento da violência e perseguição a lésbicas, gays e bissexuais; Unaids chama a atenção para “grave risco” que nova legislação coloca na resposta ao HIV. 

Entidades da ONU manifestam preocupação com a ratificação da Lei Anti-Homossexualidade em Uganda, anunciada pelo presidente Yoweri Museveni. 

A lei sancionada nesta segunda-feira estabelece a pena capital para alguns comportamentos, incluindo o que se considera “homossexualidade agravada”. Outro artigo prevê punição de 20 anos de prisão pela “promoção da homossexualidade”.  

Orientação sexual e identidade de gênero 

Nesta terça-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres manifestou profunda preocupação com a “pena de morte e as longas sentenças para atos consensuais entre adultos”.  

Um casal do mesmo sexo com os braços ao redor dos ombros um do outro em uma marcha do orgulho, com bandeiras do arco-íris ao fundo.
UNAIDS Em todo o mundo, 67 países ainda criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo, com 10 impondo a pena de morte.

Em nota, emitida pelo seu porta-voz, o chefe da ONU enfatiza que a situação “aumenta o risco de agravar a violência e a perseguição já enfrentadas por lésbicas, gays e bissexuais em Uganda”. 

Guterres pede que o país “respeite plenamente suas obrigações internacionais de direitos humanos, em particular o princípio da não discriminação e respeito pela privacidade pessoal, independentemente da orientação sexual e identidade de gênero”. 

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas disse estar “horrorizado” pelo fato do “projeto de lei anti-gay draconiano e discriminatório agora seja lei”. O pronunciamento considera a nova legislação “uma receita para violações sistemáticas dos direitos” de pessoas Lgbtqi+ e outras. 

Medo de ataques, punições e maior marginalização 

O Programa da ONU sobre o HIV/Aids, Unaids, assinou uma declaração conjunta destacando um “grave risco” à resposta ao vírus, apontando fatores como confiança, confidencialidade e envolvimento sem estigma como essenciais para quem procura cuidados de saúde.  

Outros assinantes foram o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, Unitaid, e o Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da Aids, Pepfar. 

O comunicado destaca que as pessoas Lgtbtqi+ em Uganda temem cada vez mais por sua segurança e proteção, e que um número crescente delas “está sendo desencorajado de procurar serviços vitais de saúde por medo de ataques, punições e maior marginalização.”