Menores desaparecidos em busca de asilo no Reino Unido preocupam relatores
Especialistas da ONU estão em contacto com autoridades britânicas; eles pedem o rastreio das centenas de crianças na situação e que menores sejam acomodados de acordo com as normas, sem distinção de nacionalidade, gênero ou raça.
Três especialistas independentes das Nações Unidas pediram que o Reino Unido “corrija lacunas gritantes” na proteção infantil e de vulneráveis do tráfico, após ter sido anunciado o desaparecimento de centenas.
Um grupo de três relatores* independentes lançou um comunicado nesta terça-feira, em Genebra, após dados das autoridades britânicas indicando a perda de contato de 440 menores em busca de asilo, de um total de 4,6 mil candidatas, desde meados de 2021.
Alto risco de tráfico
Os peritos ressaltam “profunda preocupação” com os relatos de desaparecimento de crianças desacompanhadas em busca de asilo ressaltando “o alto risco de serem traficadas dentro do Reino Unido”.
As declarações dos relatores especiais de direitos humanos foram feitas em reação aos dados apresentados pelas autoridades de Imigração no Parlamento em janeiro. O total corresponde ao período iniciado em junho de 2021.
Para os especialistas de direitos humanos, a prática de colocar crianças fora do sistema de proteção infantil do Reino Unido é discriminatória.
O grupo quer que o Reino Unido rastreie os menores desaparecidos e forneça acomodações compatíveis com as normas, independentemente de nacionalidade, gênero ou raça.
Sobrecarga de instalações de migrantes
De acordo com o anúncio, grande parte dos menores desaparecidos é de nacionalidade albanesa. Entre elas estariam crianças do Afeganistão, do Egito, da Índia, do Paquistão, da Turquia e do Vietnã.
O governo britânico defende que o alto número de migrantes cruza as fronteiras ilegalmente para o Reino Unido vinda da Europa continental. Eles “sobrecarregam as instalações de recepção de migrantes e criam atrasos no processamento”.
Para os relatores, esta prática supostamente se desenvolve em um clima de crescente hostilidade em relação às vítimas do tráfico e de formas contemporâneas de escravidão, além de refugiados, requerentes de asilo e migrantes.
Os especialistas citam críticas feitas por alguns membros do Parlamento em relação às vítimas de tráfico em busca de proteção sob a Lei da Escravidão Moderna e o Mecanismo Nacional de Referência, “que minam a obrigação do Estado de proteger as vítimas e prevenir o tráfico e formas contemporâneas de escravidão”.
Os três peritos destacam estar em contato com o governo do Reino Unido em relação a essas preocupações.
*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.