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Acesso à energia é chave para alcançar objetivos de desenvolvimento em África

Os painéis solares do Hospital Rural de Sipepa, em Bulawayo, Zimbábue, são iluminados ao entardecer, garantindo energia para os equipamentos médicos da clínica.
UNDP/Karin Schermbrucker for Slingshot Painéis solares no Hospital Rural Sipepa em Bulawayo, Zimbábue.

Acesso à energia é chave para alcançar objetivos de desenvolvimento em África

Desenvolvimento econômico

Unctad solicita aos países da região subsaariana que utilizem suas reservas de energia renovável e reúnam recursos por meio de cooperação regional para buscar futuro mais limpo e verde.

Embora o acesso à energia tenha aumentado na África Subsaariana nos últimos anos, ele continua baixo. Mais de 50% da população da região ainda não  tem eletricidade instalada em casa.

O baixo acesso à energia tem implicações para saúde, educação, redução da pobreza e desenvolvimento sustentável, segundo um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, divulgado nesta terça-feira.

Fontes limpas de energia

Segundo o estudo, a falta de acesso aos combustíveis e tecnologias “limpas” para cozinhar é uma das principais preocupações, especialmente para as mulheres e meninas. Elas são desproporcionalmente afetadas pela poluição do ar doméstico, que causou 700 mil mortes em África em 2019.

O relatório alerta que sem esforços adicionais, o número de pessoas sem acesso aos combustíveis limpos deve passar dos 923 milhões em 2020 para mais de 1,1 bilhão até 2030.

O Hospital Rural de Sipepa, em Bulawayo, Zimbábue, conta com uma instalação de painéis solares no telhado e painéis montados no solo para o projeto Solar para a Saúde do PNUD .
UNDP/Karin Schermbrucker for Slingshot Painéis solares ajudam a abastecer um hospital rural em Bulawayo, Zimbábue.

A publicação indica que o acesso a fontes de energia confiáveis e de qualidade é vital para o desenvolvimento econômico de qualquer país.

Entre os benefícios estão o impulso à industrialização, à produtividade, ao crescimento econômico e desenvolvimento humano, sendo essencial para alcançar quase todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, da ONU".

A Unctad apela aos governos da África Subsaariana para que acelerem os seus esforços de expandir o acesso à energia para alcançar o ODS 7, que busca acesso universal a serviços energéticos confiáveis e modernos até 2030.

Baixo acesso à eletricidade

Segundo o relatório, o acesso à eletricidade na África Subsaariana é o mais baixo de todas as regiões do mundo, em parte devido à falta de redes que fornecem energia elétrica aos consumidores.

O levantamento aponta que onde existem redes, elas estão obsoletas, instáveis e não chegam até os clientes.

Além disso, a baixa capacidade de produção, transmissão e distribuição aos utilizadores, acrescido de elevadas taxas de conexão, fluxos de receitas imprevisíveis e tarifas elevadas, desencorajam os consumidores de adotarem serviços energéticos modernos.

Por sua vez, a baixa procura, associada ao envelhecimento das instalações e ao financiamento inadequado das infraestruturas, desencoraja os fornecedores de inovar e fornecer energia mais limpa.

Para um futuro mais limpo e mais verde

De acordo com o relatório, a África pode construir um futuro mais limpo e verde ao expandir o acesso à energia limpa com soluções sustentáveis e respeitosas do meio-ambiente, assegurando que a região não fique para trás à medida que o mundo caminha em direção a utilização de combustíveis de emissões zero.

Isto reduziria os impactos adversos na saúde associados à utilização de combustíveis poluentes, introduziria combustíveis eficientes no pacote energético e construiria um sector energético resistente à mudança climática.

A exploração das vastas reservas de fontes de energia renováveis do continente poderia ajudar a aumentar a capacidade de produção de eletricidade da região, facilitando a transição para fontes de energia com baixo teor de carbono ou sem emissões.

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Recursos solares

Com 60% dos melhores recursos solares do mundo, a África pode utilizar a energia solar fotovoltaica como uma forma rentável de fornecer eletricidade a milhões de pessoas que vivem sem acesso.

A região poderia também produzir cerca de 50 milhões de toneladas de biogás com baixo teor de carbono a partir de resíduos agrícolas, estrume animal e resíduos sólidos municipais através de biodigestores domésticos, diz o relatório.

A produção de biogás, utilizando biodigestores domésticos, também pode fornecer energia local com baixo teor de carbono para milhões de lares na região.

Como aproveitar o potencial do mercado regional?

O relatório recomenda o uso de recursos regionais e das redes nacionais para desbloquear o potencial de um mercado regional de eletricidade na África. Um tal mercado poderia fornecer energia estável e fiável, reduzindo simultaneamente o custo da eletricidade para os consumidores.

Os países poderiam reforçar a confiabilidade do seu abastecimento energético e melhorar o acesso à eletricidade compartilhando a capacidade de produção de energia renovável com base transfronteiriça, já que as nações com excedentes energéticos poderiam trocar energia com as que registrem déficits.

Segundo a Unctad, os governos precisam reexaminar as suas necessidades de investimento energético e explorar fontes de financiamento nacionais e internacionais.

O relatório ainda afirma que a transferência de subsídios da produção de combustíveis fósseis e da produção de eletricidade para o acesso à energia limpa poderia ajudar a produzir combustíveis mais limpos. A recomendação é que os países explorem várias opções de financiamento para obter recursos de energia renovável.