Passar para o conteúdo principal

Violência extrema e fora de controle assola o Haiti, diz escritório da ONU

Um homem caminha por Cité Soleil, um dos bairros da capital do Haiti, Porto Príncipe, mais afetado pela violência das gangues
Unicef/Georges Harry Rouzier
Um homem caminha por Cité Soleil, um dos bairros da capital do Haiti, Porto Príncipe, mais afetado pela violência das gangues

Violência extrema e fora de controle assola o Haiti, diz escritório da ONU

Legislação e prevenção de crimes

Confrontos entre gangues por controle de territórios se tornam mais frequentes e violentos; desde o começo do ano, 531 pessoas foram assassinadas; violência sexual é usada para aterrorizar e extorquir a população.

Níveis descontrolados de violência estão resultando em mortes, sequestros, insegurança alimentar e deslocamentos no Haiti, disse o Escritório para os Direitos Humanos da ONU.

A entidade das Nações Unidas registrou 531 mortes e 277 sequestros no país caribenho desde o começo do ano. Apenas nas duas primeiras semanas de março, foram 208 assassinatos. A causa é a disputa entre gangues por controle territorial.

Alvos aleatórios

Segundo o escritório, a maioria das vítimas foi baleada por atiradores de longa distância que atacam as pessoas dentro de casa ou nas ruas. Os ataques são aleatórios e têm como alvo moradores de territórios controlados por gangues rivais.

A violência sexual também é usada pelos grupos criminosos como forma de aterrorizar a população. O escritório aponta que membros de gangues abusam de meninas para extorquir as famílias.

Por conta do clima de insegurança, muitas escolas fecharam. Sem o amparo de um sistema educacional, várias crianças são recrutadas à força por grupos armados.  

Uma mulher em Porto Principe, Haiti, carrega água que comprou de um comerciante local
Unicef/Odlyn Joseph
Uma mulher em Porto Principe, Haiti, carrega água que comprou de um comerciante local

Deslocamento e fome

Os dados apontam que até a metade de março, mais de 160 mil pessoas se deslocaram para fugir dessas ameaças e estão vivendo em condições precárias, sem acesso a serviços básicos, como água potável.

A crise de segurança pública também elevou o preço dos alimentos e em diversas partes da capital, Porto Príncipe, a fome está atingindo níveis alarmantes.

Durante sua visita ao Haiti em fevereiro, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, fez um alerta à comunidade internacional que ainda não foi respondido.

Em resposta ao conflito de gangues em Cité Soleil, o Unicef e seus parceiros intensificaram os esforços para fornecer acesso à água potável e saneamento adequado para as populações afetadas.
Unicef/U.S. CDC/Georges Harry Rouzier
Em resposta ao conflito de gangues em Cité Soleil, o Unicef e seus parceiros intensificaram os esforços para fornecer acesso à água potável e saneamento adequado para as populações afetadas.

Reparação às vítimas

O escritório pede que as autoridades haitianas respondam imediatamente a essa crise. O órgão sugere que a polícia local seja reforçada e capacitada a combater a violência observando as obrigações de direitos humanos.

De acordo a entidade das Nações Unidas, é necessário interromper o ciclo de violência, corrupção e impunidade. Os “responsáveis por financiar as gangues devem ser punidos com o rigor da lei e as vítimas indemnizadas”.

O levantamento também propõe que a comunidade internacional considere a implementação de uma tropa especializada e temporária, guiada por um plano de ação preciso e pelas normas de direitos humanos.