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Ciclone Freddy piora realidade de moçambicanos que sofreram ataques terroristas

Um funcionário do ACNUR está ao lado de um abrigo danificado com telhado de metal ondulado em Moçambique, afetado pelo ciclone Freddy.
Acnur/Francisco Carlos ONU quer ajudar autoridades moçambicanas a apoiar 49 mil deslocados em 140 centros de acomodação

Ciclone Freddy piora realidade de moçambicanos que sofreram ataques terroristas

Ajuda humanitária

ONU News apresenta relatos “da dupla tragédia” e luta pela sobrevivência das vítimas; comunidade humanitária consegue ter acesso gradual a áreas inundadas; Nações Unidas liberam US$ 10 milhões para acelerar resposta de emergência.

Agências humanitárias fazem o primeiro contacto com a realidade, após a segunda passagem do ciclone Freddy por Moçambique.

No acesso gradual aos locais ainda inundados, as vítimas revelam experiências vividas durante a tempestade tropical que está ativa há quase 40 dias. Moçambique soma dezenas de mortes do total de 270 já confirmadas na região sul da África. O ciclone Freddy é considerado um dos mais fatais na história do continente.

Emergência

Para apoiar resposta humanitária, a ONU anunciou a entrega de US$ 10 milhões do Fundo Central de Resposta de Emergência. A meta é atuar com as autoridades moçambicanas apoiando 49 mil deslocados em 140 centros de acomodação.

 

Num desses locais, Tomásia Zacarias é considerada um exemplo de resiliência. Ela sobreviveu à tempestade que derrubou sua casa na província da Zambézia após  fugir dos ataques de terroristas em Cabo Delgado, no norte.

Ela fala de como começar tudo de novo a uma assistente da Agência da ONU para Refugiados em Gogodane, distrito de Namacurra. A sobrevivente lidera o chamado espaço seguro para desabrigados, que ficou sem casas de pé.

“Este ciclone Freddy foi uma tragédia, perdemos casas, como estamos a ver. Perdemos tudo e já não conseguimos nada, assim como as 35 mulheres na mesma situação. Outras estão no centro seguro de acomodação, nas fábricas…O centro em si está na mesma situação. É por isso que queremos pedir ajuda.”

Casas arrasadas

A mesma realidade é a de Mustafa. Também deslocado devido ao terrorismo no norte, ela relata o espanto de testemunhas de várias gerações com a intensidade do ciclone Freddy.

Funcionários do ACNUR avaliam os danos em um abrigo temporário após a passagem do ciclone Freddy em Moçambique.

 

“Estou bem, mas as dificuldades são várias. O ciclone Freddy nos afetou. Em suma todo o centro está com casas desmoronadas. O ciclone foi forte. E mesmo os mais velhos, que têm mais de 80 anos, dizem que nunca viram um ciclone idêntico. Foi muitíssimo forte.”

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, Ingd, indica que a província da Zambézia é a mais afetada com cerca de 211.784 pessoas. O segundo maior número de vítimas foi em Sofala com 33.435.

As vítimas em Tete foram mais de 6,8 mil, em Manica 1,1 mil e em Niassa 231 pessoas.

O ciclone Freddy entrou para a costa moçambicana pela primeira vez em  11 de março. Para facilitar a reconstrução, as autoridades decidiram parar com o pagamento de taxas de transporte de produtos de emergência e baixar tarifas de navios, serviços marítimos e manuseamento de carga para auxílio.

O anúncio foi feito pelo presidente moçambicano, Filipe Nyusi, ao informar a decisão do governo de criar um gabinete permanente de reconstrução pós-ciclone.