PMA e UE discutem segurança alimentar com afetados na Guiné-Bissau
Agência da ONU introduz sistema de cultura intensiva de arroz para dobrar níveis de produção em três regiões do país; combate à insegurança alimentar está no centro da atuação da parceria para resolver o problema nas comunidades rurais.
O Programa Alimentar Mundial, PMA, leva a cabo ações de sensibilização sobre boas práticas alimentares nas comunidades de Oio, norte da Guiné-Bissau. A iniciativa é parte de um projeto gerido pela agência da ONU e financiado pela União Europeia.
As sessões de sensibilização abriram um espaço de debate onde os promotores e as comunidades discutiram as causas da insegurança alimentar, soluções para mitigar o seu impacto e permitiu apresentar os dados sobre a situação na região.
Produção intensiva do arroz
Um inquérito do sistema de seguimento, Sissan, aponta a taxa de insegurança alimentar e nutricional em 29,4%, fazendo de Oio uma das regiões onde a situação é particularmente preocupante. O estudo envolveu o Instituto Nacional de Estatística e o Ministério da Agricultura.
A produção intensiva do arroz é outro programa de segurança alimentar que o PMA lidera em parceria com o Ministério da Agricultura e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, nas regiões de Bafatá, Gabu e Quinara.
O representante do PMA na Guiné-Bissau, João Manja, quer que o programa dependa fundamentalmente do empenho do governo e das instituições nacionais.
Iniciativa piloto
“Selecionamos entre 50 a 100 famílias que trabalham usando esta nova metodologia. Sem aumentar os químicos ou a tecnologia, mudando só as práticas diárias da agricultura, sendo cuidadoso no espaçamento das plantas, no período em que expõem a planta a humidade e a rega. “
Na decorrência das novas técnicas de plantio, o PMA espera que famílias que produziam entre duas a três toneladas por hectare, passem a produzir entre cinco a sete toneladas por hectare, dependendo da forma como trabalharam.
Em 2022, ano-piloto, o programa trabalhou com mais de duzentas famílias nas zonas de intervenção, a aplicação de seis a oito quilogramas de semente do arroz por hectare produziu o dobro do que se produzia quando se empregava cerca de 80 quilogramas por hectare.
Vantagens
João Manja disse que o país tem condições únicas de produção do cereal, que a vantagem comparativa deve ser transformada em vantagem competitiva e que o Sistema das Nações Unidas está empenhado para que isto aconteça.
“Antigamente precisavam de cerca de 60 a 80 quilos de semente de arroz por hectare para produzir cerca de duas ou três toneladas, agora com este método aplicam entre seis a oito quilos de semente e produzem não menos de seis toneladas, segundo dados preliminares.”
O programa é definido como um dos aceleradores dos objetivos do desenvolvimento sustentável que prevê ajudar os produtores locais a produzir mais e melhor o arroz. A perspetiva é alargar a escala, a partir deste ano, evoluindo de uma para duas épocas de produção anual.
Soluções
Recentemente uma missão de seguimento, chefiada pelo representante regional do PMA para a África Ocidental acompanhou em Bafatá as ações de demonstração do sistema de rizicultura intensiva. A ideia é produzir em condições próprias do camponês e não controladas no campo experimental.
As ações contaram com a participação das entidades governamentais concernentes, representantes dos poderes local e tradicional, mulheres, jovens e crianças.
A melhoria do consumo e do rendimento das famílias através da diversificação de culturas e investimento em materiais de produção agrícola e o reforço da sensibilização nas comunidades incluem as soluções e boas práticas apontadas pelas comunidades de Oio.
*Da ONU News em Bissau, Amatijane Candé.