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Unicef: crianças estão sendo lançadas à beira do abismo pela guerra na Ucrânia 

Unicef pede acesso humanitário seguro, rápido e sem impedimentos e o fim dos ataques contra crianças
© Unicef
Unicef pede acesso humanitário seguro, rápido e sem impedimentos e o fim dos ataques contra crianças

Unicef: crianças estão sendo lançadas à beira do abismo pela guerra na Ucrânia 

Paz e segurança

Pelo menos 5 milhões de menores estão fora da escola; cerca de 1,5 milhão não têm acesso a tratamento de saúde mental; bombardeios e ataques aéreos destruíram mil instalações de saúde ferindo ou matando pacientes.

A escalada do conflito na Ucrânia, que em 24 de fevereiro completa um ano, deixa uma geração inteira de crianças com marcas de violência, medo, perda e tragédia. As declarações são do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência da ONU ressalta que nenhum menor foi poupado. Todos eles tiveram algum efeito como abandono de casas, perda de acesso à educação e de benefícios de um ambiente seguro e protegido, ferimentos e até morte.

Crise energética

A maioria das famílias relata uma queda significativa de rendimentos, que juntamente com a crise energética por causa da guerra assola o bem-estar das crianças e das famílias no país.

Unicef caracteriza geração inteira de crianças com marcas de violência, medo, perda e tragédia
© UNICEF/Aleksey Filippov

 

Numa pesquisa recente, 80% dos entrevistados apontaram a piora da situação econômica. A proporção de crianças em situação de pobreza quase duplicou, ao passar de 43% para 82%.

Essa realidade é mais grave para os 5,9 milhões de deslocados internos. A guerra impacta a saúde mental e o bem-estar das crianças. Estima-se que 1,5 milhão de menores estão sob risco de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e outros problemas de saúde mental, cujos efeitos e implicações podem ser de longo prazo.

Bombardeios e ataques

Em termos de serviços básicos, o conflito destruiu mil instalações de saúde após bombardeios e ataques aéreos que também mataram ou feriram os doentes.

Além de haver crianças entre as vítimas, muitas fugiram do país e não recebem imunização de rotina. O procedimento é crucial para proteção contra a poliomielite, o sarampo, a difteria e outras doenças potencialmente fatais.

Uma mulher segura seu bebê recém-nascido em uma enfermaria improvisada em um centro perinatal em Kiev, na Ucrânia
© Unicef/Oleksandr Ratushniak

 

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell pediu prioridade para a saúde mental e as necessidades psicossociais das crianças, com maior atenção à nutrição adequada à idade e iniciativas para consolidar a resiliência.

A representante destaca que especialmente no caso das crianças e adolescentes mais velhos, é necessário dar “oportunidades de expressarem as suas preocupações.”

Oito anos de interrupção da educação

Existem 5 milhões de alunos sem acesso à educação. A situação impede que o grupo tenha estrutura, segurança, normalidade e esperança que a sala de aula lhes proporciona. A situação junta-se a dois anos de aprendizagem afetada pela pandemia e mais de oito anos de interrupção da educação em áreas do leste.

O Unicef pede acesso humanitário seguro, rápido e sem impedimentos e o fim dos ataques contra crianças e as infraestruturas de que elas dependem, tais como escolas, hospitais e sistemas de abastecimento de água e saneamento.

A agência quer ainda o fim do uso de escolas no conflito, dos explosivos em zonas habitadas e dos confrontos.

O Apelo Anual de Ação Humanitária para as crianças do Unicef precisa de US$ 1 bilhão para cobrir necessidades imediatas e a longo prazo de 9,4 milhões de ucranianos. O grupo inclui 4 milhões de crianças afetadas dentro e fora da Ucrânia.

Conflito destruiu mil instalações de saúde após bombardeios e ataques aéreos
UNICEF-Ucrânia