Ano de 2022 teve recorde de mortes e desaparecimentos de migrantes no Caribe

 A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que 321 pessoas morreram ou desapareceram em travessias pelo Caribe no ano passado.
© Unicef/Tomás Mendez
A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que 321 pessoas morreram ou desapareceram em travessias pelo Caribe no ano passado.

Ano de 2022 teve recorde de mortes e desaparecimentos de migrantes no Caribe

Direitos humanos

Maioria das vítimas vem do Haiti, da Cuba, República Dominicana e Venezuela; condições ruins de temperatura e embarcações improvisadas são principais causas de acidentes e naufrágios.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que 321 pessoas morreram ou desapareceram em travessias pelo Caribe no ano passado.

Deste total, 66 eram mulheres, 64 homens e 28 crianças e adolescentes e 163 migrantes permanecem sem identificação.

Paradeiro dos parentes

Este é o número mais alto desde 2014, quando a agência iniciou os registros no Projeto Migrantes Desaparecidos. Em 2021, houve uma queda para 180.

O coordenador regional da OIM, Patrice Quesada, contou que mais de 51% das pessoas que morreram nas travessias migratórias no Caribe, no ano passado, não puderam ser identificadas.

Com isso, centenas de famílias permanecem sem notícias sobre o paradeiro de seus parentes.

A maioria dos óbitos de migrantes ou desaparecimentos vem do Haiti, seguido por Cuba, República Dominicana e Venezuela. E a maior causa de morte é o afogamento, principalmente devido a condições ruins de temperatura que dificultam a navegação.

Um outro problema é a condição das embarcações. Geralmente, os migrantes são transportados em barcos improvisados que não estão preparados ou equipados para cruzar altos mares.

Um número significativo de incidentes ocorreu nas rotas que levam aos Estados Unidos, da República Dominicana a Porto Rico, do Haiti à República Dominicana e da Venezuela a várias ilhas caribenhas.

A OIM pediu aos governos dos países caribenhos e de outras nações na rota migratória que aumentem a cooperação regional e que garantam a segurança e proteção dos migrantes, independentemente do status deles ou da etapa dessas travessias.
OIM/Gema Cortes
A OIM pediu aos governos dos países caribenhos e de outras nações na rota migratória que aumentem a cooperação regional e que garantam a segurança e proteção dos migrantes, independentemente do status deles ou da etapa dessas travessias.

“Eu vi as pessoas na ponta das ondas até as águas as consumirem”

O cubano Julio César, foi o único sobrevivente de um naufrágio que matou cinco pessoas. Ele lembra que o barco virou cinco vezes, e eles perderam tudo. O migrante se recorda do pânico que sentiu e do medo que dominou todos na embarcação.

Ele disse que sentia o impacto da trágica cena em seus próprios ossos, as roupas encharcadas, a vertigem das ondas e a imagem terrível de ver as pessoas em cima da onda até que a água as consumiu inteiramente.

A OIM pediu aos governos dos países caribenhos e de outras nações na rota migratória que aumentem a cooperação regional e que garantam a segurança e proteção dos migrantes, independentemente do status deles ou da etapa dessas travessias.

A agência lembra que a prevenção da morte dos migrantes deve começar com a migração regular que defenda o direito das famílias de permanecerem juntas e que responda as necessidades dos migrantes que se encontram nessas situações vulneráveis.