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No Afeganistão, vice-chefe da ONU quer que Talibã reverta barreiras a mulheres

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, discursa em um pódio durante o Sexto Fórum Regional Africano sobre Desenvolvimento Sustentável em Victoria Falls, Zimbábue.
Photo: ECA Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed

No Afeganistão, vice-chefe da ONU quer que Talibã reverta barreiras a mulheres

Assuntos da ONU

Amina Mohammed disse que o país está se isolando da comunidade internacional em meio a uma terrível crise humanitária; meninas e mulheres estão proibidas de frequentar a escola secundária e as universidades pelas autoridades de facto.

As Nações Unidas fizeram um novo apelo ao movimento Talibã no Afeganistão para suspender a proibição do direito à educação de meninas e mulheres.

Após uma visita de quatro dias ao país, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, pediu às autoridades de facto que revertam os decretos recentes que impedem as mulheres de frequentar o ensino secundário e superior.

Parques, academias e escolas

Mohammed visitou o país ao lado da diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, e do secretário-geral assistente do Departamento de Assuntos Políticos, Consolidação e Operações de Paz, Khaled Khiari.

A vice-chefe da ONU afirmou que os afegãos não podem ser abandonados em meio a uma terrível crise humanitária.

A Diretora Executiva da ONU Mulheres, Sima Sami Bahous, apresenta um relatório ao Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança.
UN Photo/ Eskinder Debebe

O grupo expressou alarme sobre os decretos que proíbem ainda que mulheres trabalhem para organizações não-governamentais nacionais e internacionais. Com isso, milhões de pessoas vulneráveis no Afeganistão serão afetadas.

Pelas decisões do Talibã, as mulheres também não poderão andar desacompanhadas de um homem, e não serão autorizadas a utilizar academias de ginástica, parques e casas públicas de banho, uma das tradições do país.

Convivência pacífica

Para Amina Mohammed, essas restrições limitam o espaço das mulheres à casa e violam o direito delas e o das comunidades de receber o serviço que elas podem oferecer em suas áreas de atuação.

A vice-chefe das Nações Unidas disse que a organização quer um futuro ambicioso e próspero para o Afeganistão, que é a convivência pacífica para o país e para os vizinhos no caminho de um desenvolvimento sustentável.

Mas segundo ela, o que se vê no momento é uma nação que está se isolando da comunidade internacional além de ser uma das mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Uma professora dá aulas para um grupo de jovens estudantes em uma sala de aula ao ar livre no Afeganistão.
Foto: UNAMA/F. Waezi

Durante a missão, Amina Mohammed e Sima Bahous se reuniram com as comunidades afetadas afegãs, trabalhadores humanitários, representantes da sociedade civil e atores-chave na capital Cabul e nas províncias de Kandahar e Herat.

Resiliência e apoio

A chefe da ONU Mulheres ressaltou “a resiliência extraordinária” das afegãs e disse que a agência continuará lutando e defendendo seus direitos. Bahous afirma que o que está ocorrendo no Afeganistão é uma crise grave dos direitos das mulheres e uma chamada de alerta a toda a comunidade internacional.

Para ela, o quadro é uma prova de que décadas de avanços e conquistas podem ser revertidas em questão de dias.

Bahous prometeu o apoio da agência para que as meninas e mulheres afegãs possam reconquistar seus direitos.

A ONU e seus parceiros, incluindo ONGs nacionais e internacionais, estão ajudando mais de 25 milhões de afegãos, que dependem de ajuda humanitária para sobreviver.

Amina Mohammed lembra que a entrega eficiente de assistência humanitária depende de um acesso desimpedido, seguro e pleno a todos os trabalhadores humanitários incluindo mulheres.

Conferência sobre mulheres no mundo islâmico

A visita da delegação da ONU ao Afeganistão ocorreu após uma série de consultas de alto nível sobre o país ao redor do Golfo e da Ásia. O grupo se reuniu com a liderança da Organização de Cooperação Islâmica, o Banco de Desenvolvimento Islâmico, e grupos de mulheres em Ancara e Islamabad.

A missão também manteve encontros com líderes religiosos para que eles apoiem as mulheres e o povo afegão.

A proposta para uma conferência internacional sobre mulheres e meninas no mundo islâmico, em março deste ano, também foi debatida e aceita, em princípio.