Mais pobres continuam sem acesso à internet apesar de crescimento da rede

Novo relatório da União Internacional de Telecomunicações fornece últimos dados sobre conectividade global
© Unsplash/Philipp Katzenberger
Novo relatório da União Internacional de Telecomunicações fornece últimos dados sobre conectividade global

Mais pobres continuam sem acesso à internet apesar de crescimento da rede

Desenvolvimento econômico

Novo relatório da União Internacional de Telecomunicações fornece últimos dados sobre conectividade global em meio à crise econômica; preço médio de banda larga móvel caiu; quase 75% da população mundial com 10 anos ou mais têm ao menos um telefone celular; jovens de 15 a 24 anos puxam conectividade.

O custo dos serviços de internet caiu lentamente em todo o mundo este ano, de acordo com o novo relatório global anual sobre o estado da conectividade digital da União Internacional de Telecomunicações, UIT.

O documento mostra que a internet se tornou mais acessível em todas as regiões do mundo e entre todos os grupos de renda. Mas os mais pobres continuam sem acesso ao serviço.

Aqueles que ainda vivem sem acesso à internet moram em áreas remotas e de difícil acesso
Unicef/UN051302/Herwig
Aqueles que ainda vivem sem acesso à internet moram em áreas remotas e de difícil acesso

Incertezas e inflação devem dificultar mais acesso

A UIT lembra que o custo continua sendo um grande obstáculo, especialmente em economias de baixa renda. A atual situação econômica global, com alta inflação, aumento das taxas de juros e profunda incerteza, pode elevar o desafio de estender o alcance da internet nessas regiões.

O relatório foi compilado ainda sob a liderança do ex-secretário-geral da agência, Houlin Zhao. Segundo ele, é preciso manter a acessibilidade na direção certa, mesmo com a crise global afetando mais profundamente as perspectivas econômicas de muitos países.

A agência da ONU afirma que 2,7 bilhões de pessoas, aproximadamente um terço da população global, permanecem desconectadas da Internet. O número foi uma melhoria em relação a 2021, mas revelou uma estabilização dos fortes ganhos de conectividade obtidos durante o início e o auge da pandemia de Covid-19.

Para a atual secretária-geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, “o acesso à internet está aumentando, mas não de forma tão rápida e uniforme em todo o mundo quanto deveria”.

Serviço de banda larga mais barato

O preço médio global dos serviços de banda larga móvel caiu de 1,9% para 1,5% da renda nacional bruta média per capita. Com ela, é acessar a internet a partir de um smartphone. Mas nas economias de baixa renda, o custo dos serviços de banda larga fixa ou móvel continua muito alto para o consumidor médio.

A UIT e o Escritório do enviado do secretário-geral da ONU para Tecnologia anunciaram metas ambiciosas para conectividade digital universal e significativa até 2030.

A acessibilidade, definida como a disponibilidade de acesso de banda larga a um preço inferior a 2% da renda nacional bruta mensal per capita, foi identificada como prioridade para garantir acesso universal.

Entre as economias com dados disponíveis em 2021 e 2022, houve aumento de países que bateram a meta de acessibilidade de 2% nos diferentes tipos de serviços, este ano.

Segundo a UIT, no ano passado, havia 3 bilhões de pessoas sem acesso à internet. Este ano, são 2,7 bilhões
Unsplash/rupixen
Segundo a UIT, no ano passado, havia 3 bilhões de pessoas sem acesso à internet. Este ano, são 2,7 bilhões

Desigualdade de gênero dentro da exclusão digital

Embora as mulheres representem quase metade da população mundial, 259 milhões a menos de mulheres têm acesso à internet do que os homens. Apenas 63% delas estão conectadas em 2022, em comparação com 69% dos homens.

No geral, o mundo se aproximou da paridade de gênero nos últimos três anos. Mas a diferença é ainda mais preocupante em nações de baixa renda em que 21% das mulheres estão online em comparação com 32% dos homens, número que não melhorou desde 2019.​

Geralmente, as regiões onde há maior uso da internet também têm as pontuações mais altas de paridade de gênero. Por outro lado, muitas das economias menos desenvolvidas e vulneráveis ​​apresentam baixo uso e pontuação de paridade de gênero além de progresso limitado em direção à paridade nos últimos três anos.

Uso de celulares continua crescendo

Pela primeira vez, o relatório lista estimativas globais e regionais para o uso de telefones celulares, revelando que quase 75% da população mundial com 10 anos ou mais têm um telefone celular em 2022. Os aparelhos são a porta de entrada mais comum para o acesso à internet.

O uso de telefones celulares, no entanto, continua maior do que o da internet, especialmente em países de baixa renda. A dependência do serviço móvel-celular pode ser mais uma indicação do impacto dos custos, com os preços gerais do serviço de celular sendo mais baratos do que os da banda larga.

Sebabatso Nchephe, 18 anos, conversa remotamente com sua mentora, Pretty Jagivan, em Sandton, África do Sul. Parcela de indivíduos usando internet, cresceu 6% entre 2021 e 2022
© Unicef/Karin Schermbrucker
Sebabatso Nchephe, 18 anos, conversa remotamente com sua mentora, Pretty Jagivan, em Sandton, África do Sul. Parcela de indivíduos usando internet, cresceu 6% entre 2021 e 2022

Jovens na liderança

De acordo com a pesquisa, jovens de 15 a 24 anos são a força motriz da conectividade, com 75% deles em todo o mundo com acesso à internet, acima dos 72% em 2021. O uso pelo restante da população é estimado em 65%.

A universalidade, definida como mais de 95% de uso da rede mundial, já foi alcançada entre os jovens de 15 a 24 anos em economias de rendas alta e média-alta.

Já países de baixa renda apresentam a maior diferença de geração, com 39% dos jovens conectados, em comparação a apenas 23% do restante da população.

Outra descoberta foi que as assinaturas de banda larga móvel continuam crescendo rapidamente e estão se aproximando das taxas de assinatura de celular móvel, que estão se estabilizando.

As assinaturas de banda larga fixa também continuam a crescer de forma constante.