ONU lança apelo humanitário recorde de US$ 51,5 bilhões para o próximo ano

Moradores de Rann, no nordeste da Nigéria, caminham pela estrada principal inundada, inacessível para veículos
© Ocha/Christina Powell
Moradores de Rann, no nordeste da Nigéria, caminham pela estrada principal inundada, inacessível para veículos

ONU lança apelo humanitário recorde de US$ 51,5 bilhões para o próximo ano

Ajuda humanitária

Panorama Humanitário Global 2023, divulgado nesta quinta-feira, quer ajudar a salvar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo; valor é 25% mais alto que o deste ano, e mais da metade do pedido em 2018.

As Nações Unidas e parceiros lançaram um apelo recorde para ajuda humanitária no próximo ano. Com 339 milhões de pessoas precisando de assistência em 69 países, o Escritório de Ajuda Humanitária estima que serão necessários US$ 51,5 bilhões em 2023.

Isso significa um aumento de 65 milhões de pessoas em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mulheres que fogem das zonas de combate dos oblasts de Donetsk e Luhansk fazem fila para receber ajuda humanitária.
Foto cortesia do Fundo da Mulher Ucraniana
Mulheres que fogem das zonas de combate dos oblasts de Donetsk e Luhansk fazem fila para receber ajuda humanitária.

Necessidades humanitárias aumentaram nos últimos cinco anos

O apelo para 2023 é ainda 25% mais alto que o deste ano, e mais da metade do valor de 2018.

O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, disse que como as crises estão se prolongando, as necessidades humanitárias estarão “incrivelmente altas” em 2023.

Ele citou secas e inundações letais em comunidades do Paquistão ao Chifre da África, e a guerra na Ucrânia, que “transformou uma parte da Europa em um campo de batalha”. Além dos mais de 100 milhões de deslocados em todo o mundo. Ele lembra que tudo isso ocorre em meio ao arraso sofrido entre os mais pobres com a pandemia.

O chefe humanitário da ONU lembra que para as pessoas chegaram aos seus limites. E, para ele, este apelo é ajuda a comunidade internacional a cumprir a promessa de não esquecer de ninguém.

3,4 milhões de crianças precisam de apoio humanitário no Paquistão
© UNICEF/UN0694844/
3,4 milhões de crianças precisam de apoio humanitário no Paquistão

O que vem pela frente

O Panorama Humanitário Global 2023, lançado pela ONU em parceria com ONGs e outras agências humanitárias traça uma imagem nítida do que está por vir:

  • Pelo menos 222 milhões de pessoas em 53 países enfrentarão insegurança alimentar aguda até o final de 2022. Cerca de 45 milhões em 37 países correm o risco de morrer de fome.
  • A saúde pública está sob pressão por consequência da pandemia de Covid-19, varíola dos macacos ou varíola M, doenças transmitidas por vetores e surtos de ebola e cólera.
  • A mudança climática está aumentando os riscos e a vulnerabilidade. No final do século, o calor extremo pode matar tantas vidas quanto o câncer.
  • Serão necessárias quatro gerações, ou 132 anos, para alcançar a paridade global de gênero. Globalmente, 388 milhões de mulheres e meninas ainda vivem em extrema pobreza.

Em meados de novembro de 2022, os doadores forneceram US$ 24 bilhões em financiamento, mas as necessidades estão aumentando com mais velocidade que o apoio financeiro. A lacuna de financiamento nunca foi tão grande, atualmente está em 53%. As organizações humanitárias acabam sendo forçadas a decidir quem atingir com o dinheiro disponível.

Jovens buscam água em poço cavado no solo na Mauritânia
© Unicef/Raphael Pouget
Jovens buscam água em poço cavado no solo na Mauritânia

Água potável para 26 milhões de pessoas

Os planos de resposta detalham como as agências humanitárias que trabalham juntas em torno de tipos específicos de ajuda, podem salvar e apoiar a vida de um total de 230 milhões de pessoas em todo o mundo. Entre as ações estão fornecimento de abrigo, alimentação, saúde materna, nutrição infantil e proteção.

Este ano, as organizações humanitárias prestaram assistência para atender às necessidades mais urgentes de 157 milhões de pessoas. Isso inclui assistência alimentar para 127 milhões de pessoas, água potável suficiente para quase 26 milhões de pessoas, assistência aos meios de subsistência para 24 milhões de pessoas; saúde mental e apoio psicossocial para 13 milhões de crianças e cuidadores, consultas de saúde materna para 5,2 milhões de mães e serviços de saúde para 5,8 milhões de refugiados e requerentes de asilo.

Mais recentemente, na capital haitiana, Porto Príncipe, trabalhadores humanitários negociaram acesso às comunidades carentes para entregar água e comida. A Iniciativa de Grãos do Mar Negro foi renovada, garantindo um fluxo contínuo de commodities alimentares da Ucrânia para os mercados globais.

Mulheres alimentam seus filhos em um centro de nutrição no Sudão do Sul. Desde 2014, o número de pessoas que passam fome tem aumentado
© PMA
Mulheres alimentam seus filhos em um centro de nutrição no Sudão do Sul. Desde 2014, o número de pessoas que passam fome tem aumentado

Insegurança alimentar

Como parte do maior apelo humanitário da ONU, também nesta quinta-feira, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, anunciou que precisa de US$ 1,9 bilhão em 2023 para salvar as vidas e os meios de subsistência de populações com insegurança alimentar.

Com menos de 4% dos US$ 51,5 bilhões necessários em todos os apelos para 2023, a FAO pode fornecer assistência de subsistência em tempo crítico para garantir que 48 milhões de pessoas tenham um suprimento constante de alimentos nutritivos.

Com o financiamento para pacotes de sementes e vegetais, ração para gado, campanhas de saúde animal, melhorias em infraestrutura vital, como sistemas de irrigação e mercados, a FAO espera garantir que famílias e comunidades nas áreas mais remotas e atingidas por conflitos possam se alimentar e estabelecer resiliência para choques futuros.