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Crianças representam quase metade dos casos de surto de cólera no Haiti

Uma criança pequena com um cateter intravenoso preso à mão dorme em sua cama enquanto apresenta sintomas de cólera no Centres Gheskio, em Porto Príncipe, Haiti.
© Unicef/Odelyn Joseph Criança com cólera é tratada em um hospital em Porto Príncipe, no Haiti

Crianças representam quase metade dos casos de surto de cólera no Haiti

Saúde

Unicef alerta que doença é mais prevalente em áreas com alto índice de desnutrição aguda grave; zonas urbanas pobres mais afetadas estão sob controle de gangues armadas; agência alerta para ameaça tripla à vida das crianças.

Quase dois meses após o início do surto de cólera no Haiti, o Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, está alertando que crianças são aproximadamente 40% do número de casos confirmados.

Desde 2 de outubro, nove em cada 10 casos confirmados de cólera no país foram relatados nas áreas mais afetadas pela desnutrição.

Uma menina corre por uma rua pavimentada em Porto Príncipe, Haiti, ao lado de uma cerca de metal ondulado.
UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez Menina na capital haitiana Porto Príncipe

Desnutrição infantil aumenta o risco

Crianças com desnutrição aguda grave são mais vulneráveis ​​à cólera e têm três vezes mais risco de morrer da doença.

Em 21 de novembro, o Ministério da Saúde relatou 924 casos confirmados de cólera, mais de 10,6 mil casos suspeitos e 188 mortes.

De julho até o momento, o Unicef e parceiros examinaram e avaliaram o estado nutricional de cerca de 6,2 mil crianças em Cité Soleil, a maior favela da capital haitiana. 

Cerca de 2,5 mil crianças abaixo de cinco anos, que sofrem de desnutrição aguda grave e moderada, receberam tratamento.

O diretor do Unicef, Manuel Fontaine, cumprimenta uma menina com um aperto de mãos em um centro de saúde da GHESKIO em Porto Príncipe, Haiti.
© Unicef/Laurent Duvillier Manuel Fontaine visita o centro de saúde apoiado pelo Unicef, em Porto Príncipe

Uma combinação letal

Após concluir uma visita de quatro dias ao Haiti, o diretor do Escritório de Programas de Emergência do Unicef alerta que há uma tripla ameaça à vida das crianças: desnutrição, cólera e violência armada.

Manuel Fontaine ficou chocado ao ver muitas crianças sob risco de morte nos centros de tratamento. Ele afirma que “cólera e desnutrição são uma combinação letal, uma levando à outra.”

Durante a visita, Fontaine visitou ainda centros de tratamento apoiados pelo Unicef em Cité Soleil e na capital Porto Príncipe, onde crianças desnutridas recebem cuidados.

Ele também visitou uma instalação de assistência médica, psicológica e psicossocial a sobreviventes de violência de gênero.

Manuel Fontaine ressaltou que as áreas urbanas pobres mais afetadas pelo surto de cólera também estão sob o controle de gangues fortemente armadas.

Uma jovem recebendo tratamento médico para cólera em uma clínica em Porto Príncipe, Haiti.
© Unicef/Odelyn Joseph Uma mulher com cólera é tratada em um hospital em Porto Príncipe, Haiti

A ajuda do Unicef

Em meio a um ambiente extremamente inseguro e volátil, a agência intensificou os esforços em coordenação com as autoridades nacionais e parceiros, fornecendo 245 kits de cólera e 32.940 sachês de ringer lactato, 313 mil sachês de sais de reidratação oral, zinco, antibióticos, material de consumo e EPI para Secretarias da Saúde.

Em Cité Soleil, foram distribuídas 135 mil pastilhas purificadoras de água em um hospital parceiro em; 468.160 litros de água distribuídos por caminhões-pipa para 22.290 pessoas e foram disponibilizados 300 mil sachês de alimentos terapêuticos prontos para uso, além de suprimentos médicos e de higiene para clínicas móveis de saúde.

Um amplo trabalho de prevenção também vendo sendo feito na comunidade de Cité Soleil, onde vivem cerca de 51 mil famílias. Para diminuir a transmissão, foram distribuídos folhetos e veiculados anúncios em estações de rádio e TV.

Nos próximos cincos meses, o Unicef pretende intensificar seus esforços para responder ao surto de cólera.

Para isso, a agência está solicitando US$ 27,5 milhões para fornecer assistência humanitária em saúde, água, higiene e saneamento, nutrição e proteção para 1,4 milhão de pessoas.