Ambiente, energia e florestas foram discutidos em diferentes sessões

COP27: Ativistas do Brasil lutam por solução da crise climática

UNICEF/Howard Elwyn-Jones
Ambiente, energia e florestas foram discutidos em diferentes sessões

COP27: Ativistas do Brasil lutam por solução da crise climática

Clima e Meio Ambiente

Com evento na reta final, entrevistados pela ONU News exigiram resultados concretos, inclusão e valorização de conhecimento nativo nos debates; apelos das Nações Unidas sobem de tom pedido avanço considerável nas discussões que terminam oficialmente na sexta-feira.

Brasileiros de várias idades e origens fazem ecoar suas demandas pela ação climática em Sharm el-Sheik, no Egito. Eles integram a sociedade civil presente na 27a. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP27.

A ONU News ouviu representantes de movimentos sociais, lideranças indígenas e jovens que desde o início seguiram de perto as negociações. Mais de 3,3 mil pessoas participaram na reunião que destaca a implementação das metas acordadas para a solução da crise do clima.

Regras do Acordo de Paris

Os participantes buscam que as regras do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, assinado em 2015, sejam implementadas. Outro alvo é garantir os meios de colocar esse caminho em prática.

A indígena Txai Suruí brilhou ao discursar para o mundo em 2021 na abertura da COP26 em Glasgow, Escócia. No Egito, ela diz preferir fixar o olhar no rumo das atuais negociações e chama a atenção dos 193 países sobre questões-chave que, se não forem resolvidas, podem afetar vários povos.

Indígena Txai Suruí voltou  a pedir compromisso com o futuro do planeta
Unfccc
Indígena Txai Suruí voltou a pedir compromisso com o futuro do planeta

 

“O que eu vejo é que muito pouca coisa mudou desde o último COP. A gente está com uma dificuldade muito grande em avançar nos nossos acordos. A gente ainda não vem colocando como prioridade aquilo que deve ser. A gente vem tentando ainda excluir os povos indígenas das perdas e danos, e isso é um absurdo. Quando é que a gente vai ter um compromisso com o nosso futuro? Quando não tiver mais tempo e mais ar para respirar? Quando a gente não tiver mais comida para comer? Nem água para beber? É nesse momento que a gente vai se preocupar?”.

A representante do movimento brasileiro Engaja Mundo, Ana Rosa, pede resultados concretos nas negociações agora na etapa final. Ela descreve a ação de jovens e o compromisso com o ativismo climático, quando se aguardam as decisões que orientem o mundo inteiro.

Novas possibilidades de mundo

“A nossa maior expectativa, enquanto delegação, é fazer com a juventude esteja no centro do debate dentro da COP27. Isso significa que nossas histórias, trajetórias, agendas e todas as reivindicações também são necessárias para a gente constituir e pensar novas possibilidades de mundo.”

A sociedade civil tem grandes expectativas em relação a consensos em temas como fundo climático, financiamento de adaptação, perdas e danos, mercados de carbono, linguagem sobre a redução gradual dos combustíveis fósseis e muito mais.

Entre os que fazem a observação direta e mobilizam os eventos, debates e protestos está o jovem Anderson. Em sua primeira COP, ele diz que a missão é transmitir uma mensagem clara aos líderes mundiais presentes na cúpula.

“Esta é a minha primeira COP. É também um espaço em que a juventude tem que estar. A gente que vem do Brasil, de um país que tem uma realidade desigual, precisa colocar nossas vozes nesses espaços. É muito importante que a gente esteja aqui. Dessa vez e nas próximas, que o Brasil tenha mais juventude ainda. Que o Brasil ocupe esse espaço. Que desde 1992 já vem ocupando, mas a ente tem retrocessos. Mas a gente retoma como voz, como juventude e cada vez maior.”

No Egito, representantes indígenas dizem querer levar aos “olhos do mundo” que seus povos estão observando a exclusão em diferentes questões de impacto em comunidades brasileiras.

Preservar a questão econômica

O cacique Rony Walter Azoinayce Pareci pediu mais espaço para o que chama de “ideologia nativa” da qual se aspira maior consideração e autonomia.

“Se discute a questão do meio ambiente, a questão climática e a preservação. E a nossa vida lá no território? Tem que pensar em nós. Que temos que preservar o meio ambiente, temos. Temos que preservar a questão econômica. A geração de renda e o empreendimento dentro do território. Isso é o que nós queremos. E pensar na vida social e dignidade dos povos que moram lá. Hoje, no mundo inteiro, se discute uma política só de preservação, de floresta em pé e água potável. Mas ninguém discute uma política de dignidade dos povos indígenas.”

Durante as duas semanas de negociações, o movimento da sociedade civil aconteceu de forma ativa no espaço Brazil Climate Action Hub. Temas como ambiente, energia e florestas foram discutidos nos pavilhões.

A ativista Taily Terena pediu que seja escutada a voz dos povos no Brasil e destacou o potencial de começar  mudanças que estas comunidades podem promover em nível global.

Protagonismo da sociedade civil do Brasil nas COPs é observado desde a origem destes eventos
FMI/Raphael Alves
Protagonismo da sociedade civil do Brasil nas COPs é observado desde a origem destes eventos

 

“Infelizmente, dentro de nossa perspectiva, essa conferência já parte do ponto errado: que está negociando o nosso futuro. O nosso futuro não deve ser negociado. Deve ser discutido com ações concretas. Nós viemos aqui com vários movimentos, organizações de base, coletivos de povos e comunidades tradicionais, para trazer a nossa sabedoria e ciência para esses negociadores. Mostrar que nosso conhecimento tem a solução real para evitar a mudança climática.”

Conferências de Desenvolvimento Sustentável

O protagonismo da sociedade civil do Brasil nas COPs é observado desde a origem destes eventos com a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, Unfccc, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio 92.

O país acolheu ainda a participação significativa de ativistas na Rio+20. O evento ficou conhecido como um marco para a definição das metas ambientais do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Nesta reta final da COP27, a ONU faz repetidos apelos aos negociadores para que consigam um avanço considerável nas discussões.  Além do secretário-geral António Guterres, chefes de escritórios regionais, de agências especializadas da organização e outros especialistas participam no evento,

A sessão do Egito deve confirmar os Emirados Árabes Unidos como a sede da COP28, em dezembro do próximo ano.