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ONU e parceiros lançam apelo humanitário de US$ 145,6 milhões para ajudar o Haiti

Pessoas que sofrem de cólera recebem tratamento em um hospital em Porto Príncipe, no Haiti
© Unicef/Odelyn Joseph
Pessoas que sofrem de cólera recebem tratamento em um hospital em Porto Príncipe, no Haiti

ONU e parceiros lançam apelo humanitário de US$ 145,6 milhões para ajudar o Haiti

Ajuda humanitária

Financiamento será usado na resposta ao cólera e outras emergências humanitárias; surto da doença atingiu mais duramente as populações já vulneráveis, que já enfrentavam insegurança alimentar e violência de gangues armadas.

O governo do Haiti, as Nações Unidas e parceiros lançaram, nesta terça-feira, um apelo de US$ 145,6 milhões para apoiar a resposta de emergência do país ao surto de cólera e fornecer assistência a 1,4 milhão de pessoas que vivem nas áreas mais afetadas.

Em 2 de outubro de 2022, após mais de três anos sem nenhum caso relatado de cólera no Haiti, as autoridades nacionais informaram sobre dois novos pacientes confirmados na área metropolitana de Porto Príncipe. Em 14 de novembro, o Ministério da Saúde Pública e População anunciou 8.708 casos suspeitos, 802 casos confirmados e 161 mortes em todo o país.

Uma mulher com cólera é tratada em um hospital em Porto Príncipe, Haiti
© Unicef/Odelyn Joseph
Uma mulher com cólera é tratada em um hospital em Porto Príncipe, Haiti

Fome e violência

A crise do cólera atingiu mais duramente as populações já vulneráveis. A mais recente análise de segurança alimentar do Haiti mostra que 4,7 milhões de pessoas, quase metade da população, estão passando por altos níveis de insegurança alimentar, com 19,2 mil pessoas em situação de desastre, pela primeira vez na história recente.

Os haitianos também estão enfrentando um aumento da violência devido às atividades de gangues armadas. Elas usam a violência sexual como tática para aterrorizar a população e obter o controle do território. Quase 100 mil pessoas foram deslocadas desde junho de 2021, fugindo da violência.

As principais vias que ligam a capital ao resto do país estão sob o controle ou influência de gangues, o que tem limitado ou mesmo privado o acesso da população a serviços básicos por muitos meses. Neste contexto, as equipes humanitárias dependem de meios de transporte alternativos caros para continuar a prestar assistência em todo o país, inclusive na luta contra a epidemia de cólera.

Violência de gangues na capital do Haiti, Porto Príncipe, forçou quase 8.500 mulheres e crianças a fugir de suas casas em apenas duas semanas. (Arquivo)
Binuh/Boulet-Groulx
Violência de gangues na capital do Haiti, Porto Príncipe, forçou quase 8.500 mulheres e crianças a fugir de suas casas em apenas duas semanas. (Arquivo)

Aumento preocupante de casos

De acordo com Organização Pan-Americana de Saúde, 500 mil pessoas correm risco de contrair a doença.

A coordenadora humanitária e residente da ONU, Ulrika Richardson, explicou que o cólera é uma doença evitável e tratável e, com base em sua experiência e especialização, as instituições nacionais rapidamente elaboraram uma estratégia de resposta com o apoio determinado de toda a comunidade humanitária local e internacional. Ela acrescentou que “no entanto, o aumento de casos nas últimas semanas e a rápida disseminação da cólera no país são preocupantes”.

A ONU e seus parceiros estão pedindo financiamento para apoiar as autoridades nacionais em seus esforços para conter a propagação do cólera por meio do fornecimento de água potável, higiene e saneamento e atividades de saúde. O dinheiro também será utilizado para atender às necessidades urgentes de segurança alimentar, nutrição e proteção nas áreas mais afetadas.