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Gastos globais de importação de alimentos alcançarão recorde de US$ 1,94 trilhão em 2022

Um homem recebe um saco de 50 kg de alimentos de um trabalhador do PAM durante uma distribuição na província de Nampula, Moçambique.
© WFP/Denise Colletta A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, prevê uma alta nos gastos mundiais com a importação de alimentos para US$ 1,94 trilhão em 2022.

Gastos globais de importação de alimentos alcançarão recorde de US$ 1,94 trilhão em 2022

Desenvolvimento econômico

FAO vê “sinais alarmantes” em relação à segurança alimentar global; relatório diz que a alta das contas com comida em US$ 157 bilhões é atribuída à subida dos valores de compra; outros US$ 27 bilhões se devem à elevação de volumes.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, prevê uma alta nos gastos mundiais com a importação de alimentos para US$ 1,94 trilhão em 2022. O aumento é de 10% em comparação com o último período.

O relatório Perspectivas Alimentares, lançado esta sexta-feira, alerta para uma alta histórica em relação às previsões anteriores da agência. Entre os fatores que devem influenciar a situação está a desaceleração no crescimento econômico, verificada neste ano.

Trabalhadores no porto de Dar es Salaam, Tanzânia, carregando e amarrando sacos de trigo em um caminhão para transporte.
© FAO/Giuseppe Bizzarri A situação se reflete em preços globais elevados e na desvalorização das moedas em relação ao dólar norte-americano.

Importação 

A situação se reflete em preços globais elevados e na desvalorização das moedas em relação ao dólar norte-americano. Estas razões devem pesar no poder de compra dos importadores e, posteriormente, na quantidade de alimentos importados.

A continuação da guerra entre Rússia e Ucrânia também terá impacto na situação por envolver os dois grandes produtores agrícolas, e afetar diretamente 30 nações dependentes das exportações de trigo e óleo de girassol.

Os países de rendas alta e média alta devem fazer 85% dos gastos mundiais em alimentos importados e arcar com mais de 80% da subida nesses gastos.

A interrupção das cadeias de fornecimento e os custos recordes da comida, devido à alta nos preços dos insumos, foram as maiores causas do aumento na conta de importação de alimentos.

Um grande navio de carga chamado "STOJA", de Nassau, atravessa uma eclusa no Canal do Panamá, auxiliado por dois rebocadores.
ONU/Jing Zhang Os países de alta renda continuam importando o mais vasto leque de produtos alimentícios, enquanto o foco de regiões em desenvolvimento está nos mais básicos.

Economias em desenvolvimento

O relatório Perspectivas Alimentares, no entanto, alerta que as diferenças atuais entre as economias irão se acentuar. Os países de alta renda continuam importando o mais vasto leque de produtos alimentícios, enquanto o foco de regiões em desenvolvimento está nos mais básicos.

As compras das economias de baixa renda podem se tornar cada vez mais sensíveis à subida dos custos, e seus volumes chegar a uma situação de estagnação em 2022.

A análise detalhada de custos de importação de alimentos para verificar até que ponto as mudanças nos preços e volumes impulsionam as mudanças nos gastos em nível global destaca a subida de custos como o fator que mais moverá o aumento.

São US$ 157 bilhões atribuídos à subida dos valores de compra e apenas US$ 27 bilhões refletindo a elevação dos volumes.

A publicação ressalta que a alta dos custos de importação reflete principalmente a subida de custos unitários em vez de volumes, com muitas regiões ou grupos de países propensos a enfrentar despesas mais elevadas por volumes menores ou iguais ao que adquiriam. A realidade será mais preocupante para nações economicamente vulneráveis.

Nyadend Majok está em sua plantação de sorgo inundada em Padeah, estado de Unity, Sudão do Sul.
© WFP/Gabriela Vivacqua Na África Subsaariana, os gastos com importações de alimentos devem aumentar para US$ 4,8 bilhões. O declínio nos volumes chegará a US$ 700 milhões.

Maiores dificuldades

Na África Subsaariana, os gastos com importações de alimentos devem aumentar para US$ 4,8 bilhões. O declínio nos volumes chegará a US$ 700 milhões.

Nos países menos desenvolvidos, espera-se uma expansão de US$ 4,9 bilhões na fatura de importação de alimentos devido à alta de custos. Nesse grupo, os importadores líquidos de alimentos terão de enfrentar US$ 21,7 bilhões em custos extras por apenas US$ 4 bilhões em volumes de alimentos importados.

Para a FAO, os “sinais são alarmantes” em relação à segurança alimentar. Os países importadores enfrentam maiores dificuldades para financiar o aumento dos custos internacionais, no que pode ser o fim de sua resiliência à subida de preços internacionais.