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ONU faz rastreamento de lavagem de dinheiro e terrorismo em viagens

Para a ONU, a ação para prevenir e combater o terrorismo através da rede também oferece oportunidades
Unsplash/Markus Spiske
Para a ONU, a ação para prevenir e combater o terrorismo através da rede também oferece oportunidades

ONU faz rastreamento de lavagem de dinheiro e terrorismo em viagens

Legislação e prevenção de crimes

Novos recursos digitais acompanham fluxos financeiros ligados ao terrorismo; chefe de tecnologia contou que dezenas de países querem identificar envolvidos e minimizar impacto de atividades ilícitas.

Pouco menos de um terço dos países-membros das Nações Unidas solicitou atenção da organização para acompanhar questões como lavagem de dinheiro e contraterrorismo fora de suas fronteiras. Novas ferramentas digitais fazem o rastreamento do movimento de possíveis envolvidos.

De Nova Iorque, o chefe de Tecnologia da organização, Bernardo Mariano, explicou como são desenvolvidos os recursos para controlar questões como radicalização, instrumentalização ou fluxos financeiros associados ao terrorismo.

Controle digital do tipo de movimento

“Desenhando programas informáticos que ajudam os vários países a gerir a lavagem de dinheiro, a parte de contraterrorismo, em termos de viagens, quem financia essas atividades e o seguimento dos dinheiros de financiamento do terrorismo.”

Acusados de terrorismo podem ficar até 45 dias sem advogado. Foto: Acnur/V. Tan
Ferramentas digitais apoiam atividades relacionadas aos processos na justiça contra os envolvidos no terrorismo

A parceria para conceber ferramentas de controle digital do tipo de movimento envolve os Escritórios das Nações Unidas Contraterrorismo e sobre Drogas e Crime, com assistência do Departamento de Informação e Tecnologia.

Para o secretário-geral assistente, o ideal seria que mais peritos fossem integrados para acompanhar os temas nesses países e que mais nações aderissem à iniciativa global.

Em 10 ou 15 anos, problema será maior

“Nós temos 53 países que já pediram apoio nesta área de contraterrorismo, na parte digital, especialmente na monitoria Go Travel. É a parte de viagens de pessoas que estão envolvidas como indivíduos, mas também como financiadores. Este total de 53 países ainda é pouco. O sucesso da iniciativa requer a transformação no próprio país, com entidades especializadas para isso, porque senão daqui a uns 10 ou 15 anos o problema será maior que hoje.”

Ele explicou que a combinação de dados de área digital e do ambiente físico ajudaria a observar melhor as tendências, permitindo evitar ataques ou mesmo conter conflitos.

 

“A ação imediata neste campo é uma vigilância no ecossistema digital para indicadores que, na verdade, criam as condições para que o terrorismo ou a radicalização aconteçam. Nos anos anteriores, as guerras começaram no ecossistema físico. Neste momento, a maior parte delas tem um componente de guerra no sistema digital. Algumas vezes, começa aí. Então, é necessário que redobremos a vigilância no ecossistema digital, na segurança cibernética, para que os pontos indicadores de radicalização e de criminalização sejam bem tratados neste ecossistema, antes que afetem muito o ecossistema físico.”

Impacto do terrorismo e outras atividades

Mais do que associar o mundo digital e o ambiente físico, Bernardo Mariano frisou que é preciso ação conjunta para identificar e minimizar o impacto de terrorismo e outras atividades ilícitas.

Mariano lembrou que os envolvidos desenvolvem as formas de usar a internet para fins ilícitos.

Para a ONU, a ação para prevenir e combater o terrorismo através da rede também oferece oportunidades para a coleta de inteligência e apoiar atividades relacionadas aos processos contra os envolvidos na justiça.