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Mundo atrasado para fechar lacunas e proteger minorias, alerta a ONU BR

Quatro mulheres rohingya usando máscaras e hijabs olham para a câmera em um campo de refugiados em Lhokseumawe, na Indonésia.
Acnur/Jiro Ose Mulheres rohingya recém-chegadas na província de Aceh, na Indonésia, após passarem sete meses no mar

Mundo atrasado para fechar lacunas e proteger minorias, alerta a ONU

Direitos humanos

Grupos perfazem mais de três quartos de pessoas sem pátria; documento para promover direitos minoritários completa 30 anos em 2022; secretário-geral diz que comemoração deve dinamizar ação para resguardar e dar voz a estas comunidades.

Um evento de alto nível marcou os 30 anos da Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas. A cerimônia, na sede da ONU, celebra a Resolução 47/137, de 18 de dezembro de 1992. 

O secretário-geral António Guterres disse, na reunião, que o mundo está muito atrasado nos esforços para fechar as lacunas nesta questão. Para ele, a realidade revela falta de ação e negligência na proteção dos direitos das minorias.

Estabilidade

Guterres lembrou que a base do único instrumento internacional de direitos humanos, completamente dedicado aos direitos das minorias, é o fato desses direitos serem princípios fundamentais. Ele recordou que a proteção de direitos humanos integra a missão da ONU e que sua promoção é vital para a estabilidade política e social e prevenir conflitos.

Meninas de uma comunidade indígena leem livros ao ar livre na Escola Primária Ban Pho, no distrito de Bac Han, província de Lao Cai, Vietnã.
Foto: Unicef/UNI10236/Estey Minorias perfazem mais de três quartos dos apátridas do mundo

 

O secretário-geral destacou, no entanto, que as minorias são forçadas a assimilar-se e são vítimas de perseguição, do preconceito, da discriminação, de estereótipos, do ódio e da violência. O líder das Nações Unidas apontou ainda a privação de direitos políticos e de cidadania. Para Guterres, as culturas minoritárias enfrentam repressão, supressão de práticas religiosas e até da língua materna.

Segundo a ONU, as minorias perfazem mais de três quartos dos apátridas do mundo. A pandemia foi um fator que expôs “padrões profundamente enraizados de exclusão e discriminação que afetam de forma desproporcional as comunidades minoritárias”.

Benefícios

Guterres ressaltou a questão de mulheres que integram estes grupos por enfrentarem “uma escalada na violência baseada em gênero, perda de empregos em maior número e menos benefícios de qualquer estímulo fiscal”.

Com uma participação ativa e igualitária destes grupos na tomada de decisões todos se beneficiam com Estados mais pacíficos, economias mais prósperas, sociedades mais vibrantes, estabilidade e justiça em todo o mundo.

Para o chefe da ONU, a comemoração dos 30 anos da declaração deve ser um catalisador para a ação protegendo e dando voz às comunidades, prevenindo conflitos e incentivando a prestação de contas, além da promoção da igualdade na diversidade.

Três pessoas trabalham em uma mesa de produção vermelha em um estúdio de televisão, com um grande painel de monitores exibindo diversas transmissões de vídeo ao fundo.
OIT/Pradip Shakya Minorias são os grupos mais propensos a discursos de ódio na internet