Apenas um terço das crianças de 10 anos sabem ler, alerta Unicef BR

 Meninas em uma escola no Senegal. Novos dados confirmam que a diferença na taxa de meninas e meninos fora da escola diminuiu em todo o mundo
© UNICEF/Vincent Tremeau
Meninas em uma escola no Senegal. Novos dados confirmam que a diferença na taxa de meninas e meninos fora da escola diminuiu em todo o mundo

Apenas um terço das crianças de 10 anos sabem ler, alerta Unicef

Cultura e educação

Número caiu pela metade em relação as estatísticas pré-pandemia; chefe do Fundo da ONU para a Infância alerta que crise na educação deve afetar gerações futuras; agência inaugura obra na entrada da sede das Nações Unidas para destacar vulnerabilidade das crianças sem acesso a habilidades básicas.

Com o início da Cúpula da Educação Transformadora nesta sexta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que apenas um terço das crianças de 10 anos em todo o mundo são capazes de ler e entender uma história escrita. Segundo a agência, essa estatística representa uma redução de 50% em relação às estimativas pré-pandemia.

Situação gerada pela entrada de refugiados nos vizinhos Brasil, Colômbia, Equador e Peru aumentou a necessidade de apoio a atividades de educação
Foto: Unicef/UN0304588/Arcos
Situação gerada pela entrada de refugiados nos vizinhos Brasil, Colômbia, Equador e Peru aumentou a necessidade de apoio a atividades de educação

Consequências futura

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, avalia que escolas com poucos recursos, professores mal pagos e qualificados, salas de aula superlotadas e currículos arcaicos estão minando a capacidade das crianças de atingir seu pleno potencial.

Ela acrescenta que a trajetória dos sistemas de ensino é, por definição, a trajetória do futuro. Segundo a chefe do Unicef, é necessário reverter as tendências atuais ou enfrentar as consequências de não educar uma geração inteira.

Para Russell, os baixos níveis de aprendizado hoje significam menos oportunidades amanhã.

Efeitos Covid-19

Um ponto importante levantado pelo evento e pelo estudo do Unicef são os impactos da pandemia de Covid-19. O fechamento prolongado das escolas e a falta de acesso ao aprendizado de qualidade ampliaram a crise já existente no setor, deixando milhões de crianças em idade escolar sem habilidades básicas em matemática e sem alfabetização.

Para chamar a atenção para a crise educacional e a necessidade de transformar o aprendizado em todo o mundo, o Unicef criou a “Aula de Crise de Aprendizagem”, uma sala de aula modelo que representa a escala de crianças que não tem acesso ao conteúdo fundamental crítico.

A instalação será exibida na entrada de visitantes da sede da ONU em Nova Iorque entre 16 e 26 de setembro. O modelo servirá como um lembrete para funcionários de governos, chefes de Estado e visitantes da necessidade urgente de investimento global em massa em educação.

Na obra, apenas um terço das carteiras possuem a mochila do Unicef colocada na cadeira da escola atrás dela. A intenção é destacar a pequena quantidade de crianças de 10 anos em todo o mundo que são capazes de ler e entender uma história escrita simples.

As demais carteiras são feitas de material transparente, mostrando que essas crianças se tornam praticamente invisíveis, ainda que representem 64% das crianças de 10 anos.

Segundo o Unicef, as cadeiras vazias também significam as contribuições cívicas que serão perdidas se não forem tomadas medidas urgentes para dar a todos os alunos educação apropriada.

Apoio ao processo de integração local por meio da educação contribui para a garantia do acesso de pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio a direitos e serviços no Brasil.
UNHCR/Ted Adnan
Apoio ao processo de integração local por meio da educação contribui para a garantia do acesso de pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio a direitos e serviços no Brasil.

Alunos e professores de Portugal

A ONU News conversou com estudantes e professores de Portugal, que estiveram no primeiro dia do evento, nesta sexta-feira.

A estudante Mariana Antunes destacou que apoia que as transformações sejam feitas pelos jovens, já que são eles que estão tendo a experiência nas salas de aula. Sua colega, Margarida Dinis, complementa dizendo que por conta de sua vivência diária nas salas de aulas, são os melhores para dizer o que funciona e o que precisa mudar.

“Eu acho que é importante sermos nós a tentar mudar essa educação que já dura anos e anos e que nunca mudou até agora”, disse Mariana.

“Como somos nós que vivemos diariamente e somos nós que temos todas as experiências. Acho que nós, melhor que ninguém, sabemos o que está bem e o que está mal, o que funciona para nós”, completou Margarida.

A professora Catarina Esmenio afirmou que enxerga no evento uma oportunidade de impulsionar o setor e construir um novo momento para a educação.

“Sinto verdadeiramente que estamos num momento de viragem importante, em que estou a fazer parte de um movimento global para transformar a educação e, portanto, é que gosto muito grande, pra já, passar também uma confiança grande aos meus pares e a todos os jovens que aqui estão, porque é efetivamente possível esta mudança”.

Estudantes e professores portugueses participam da Cúpula da Educação Transformadora

 

O Dia de Mobilização foi liderado e organizado por jovens e contou com a participação de diversas partes interessadas. O evento tem a intenção de transmitir as recomendações dos jovens sobre a transformação da educação para os tomadores de decisão e formuladores de políticas.

A reunião também busca mobilizar a sociedade civil, jovens e professores para apoiar a transformação da educação em todo o mundo.

A Cúpula da Educação Transformadora segue até a próxima segunda-feira, 19.

Encontro de líderes

Durante a reunião de líderes na Cúpula da Educação Transformadora, o Unicef deve pedir aos governos que se comprometam a alcançar todas as crianças com educação de qualidade.

A agência ainda incentiva novos esforços e investimentos para reinscrever e reter todas os jovens na escola, aumentar o acesso à aprendizagem corretiva e de recuperação, apoiar os professores e disponibilizar as ferramentas necessárias, bem como garantir que as escolas ofereçam um ambiente seguro e de apoio para que todas as crianças estejam prontas para aprender.