ONU: recorde de US$ 20,25 bilhões apoiou 107 milhões de pessoas em 2021 BR

Chefe da ONU apontou como exemplo mais recente a eclosão da  guerra na Ucrânia
UnicefGiovanni Diffidenti
Chefe da ONU apontou como exemplo mais recente a eclosão da guerra na Ucrânia

ONU: recorde de US$ 20,25 bilhões apoiou 107 milhões de pessoas em 2021

Ajuda humanitária

Relatório Anual revela impacto de atuação com fundos mobilizados junto a doadores e parceiros; resposta ao conflito no Iêmen é um dos exemplos de sucesso; crise na Ucrânia é um dos maiores desafios atuais pelo impacto dentro e fora do país. 

Em 2021, as Nações Unidas precisaram de US$ 37,7 bilhões para coordenar planos de resposta e proteção essencial. O alvo foram 174 milhões de pessoas de 60 países. 

Nesta base, a organização mobilizou um recorde de US$ 20,25 bilhões. Contribuições de doadores e parceiros garantiram que chegasse ajuda a cerca de 107 milhões de beneficiários.

Desenvolvimento Sustentável

Nesta quinta-feira, a ONU lançou o Relatório Anual 2022 com realizações do Secretariado para impulsionar a Nossa Agenda Comum e a Década de Ação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Realizações humanitárias aconteceram ao mesmo tempo com ações nos campos climático, da igualdade de gênero, proteção dos direitos humanos, defesa da paz e a segurança, promoção da justiça e o direito internacional, desarmamento, controle de drogas, prevenção do crime, combate ao terrorismo internacional, além da reforma das Nações Unidas.

Ação humanitária apoia milhões de necessitados na sequência de conflitos novos e prolongado
© UNICEF/UN0277463/Bindra
Ação humanitária apoia milhões de necessitados na sequência de conflitos novos e prolongado

 

O secretário-geral ressalta que o ano passado foi de crises profundas e interligadas que crescem em escala e gravidade. 

Na publicação, António Guterres menciona a persistência da pandemia, a guerra na Ucrânia e o aprofundamento da crise climática como desafios que superam fronteiras e tornaram o trabalho da ONU mais essencial do que nunca.

Líderes do mundo

No documento, apresentado antes da reunião anual de líderes globais na próxima semana na sede da ONU, em Nova Iorque, Guterres destaca que menos de 20% das pessoas em países de baixa renda foram vacinadas contra a Covid-19 e uma recuperação que continua desigual.

Ele indica que a guerra na Ucrânia causou angústia a milhões de pessoas, dentro e fora do país, e amplificou os efeitos da crise climática e das desigualdades de longa data em todo o mundo.

Guterres ressalta a relevância da ONU como plataforma de cooperação e solidariedade internacional por ter marcado acordos entre diferentes partes e impulsionado a advocacia e cooperação globais. O alvo foi reduzir a pobreza, combater mudanças climáticas e impulsionar as transformações em setores como o energético, o digital e de sistemas alimentares.

Secretário-geral António Guterres informa sobre o progresso da “Nossa Agenda Comum”.
UN Photo/Mark Garten
Secretário-geral António Guterres informa sobre o progresso da “Nossa Agenda Comum”.

 

Para o secretário-geral, é com ação coletiva nas Nações Unidas que são oferecidas opções e soluções políticas, geradas estratégias e amplificadas as vozes daqueles que estão na linha de frente ou sejam marginalizados.

O chefe da ONU sublinhou ainda os esforços da Organização para reduzir a desigualdade e mobilizar recursos, ações e alianças para impulsionar investimentos para um progresso sustentável que coloque os países de volta aos trilhos.

Paz e segurança 

Em relação ao relatório Nossa Agenda Comum, Guterres cita sugestões de longo prazo, com propostas de soluções em níveis nacional, regional e global, por nações mais igualitárias, resilientes e sustentáveis. Os alicerces são  a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus objetivos apoiados pelos direitos humanos.

Guterres ressalta o ambiente de tensão que prevalece sobre a arquitetura internacional de paz e segurança. Ele apontou como exemplo mais recente a eclosão da  guerra na Ucrânia. 

Uma família compartilha uma refeição no Iêmen com alimentos fornecidos pelo programa mensal de assistência alimentar do PMA
© WFP/Saleh Hayyan
Uma família compartilha uma refeição no Iêmen com alimentos fornecidos pelo programa mensal de assistência alimentar do PMA

 

No contexto do conflito, este ano a organização iniciou negociações para facilitar a exportação de grãos, outros gêneros alimentícios e fertilizantes para ajudar a enfrentar a crise alimentar global. Os esforços resultaram na Iniciativa de Grãos do Mar Negro envolvendo a Ucrânia, a Rússia e a Turquia, com o apoio das Nações Unidas.

De acordo com o líder da organização, a realidade global  é marcada por ameaças convergentes, competição geoestratégica e desigualdades sistêmicas com efeitos arrasadores que ultrapassam os que são atingidos pela violência.

Trégua renovável

Foi diante dessas circunstâncias que as Nações Unidas “implantaram uma série de ferramentas para prevenir, mitigar, gerenciar e resolver conflitos, proteger civis, enfrentar as ameaças enfrentadas por mulheres e crianças e construir caminhos de conflito e crise para o desenvolvimento sustentável e a paz”.

Um dos exemplos de progresso foi o Iêmen. A ONU mediou uma trégua renovável de dois meses que “reduziu a violência em todo o país”.

A ação humanitária apoia milhões de necessitados na sequência de conflitos novos e prolongados, desastres naturais, efeitos das mudanças climáticas e da Covid-19.