Em Dia Mundial, agências ressaltam parceria humanitária com comunidades e governo
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19 agosto 2022

ONU News conversou com trabalhadores humanitários em Maputo, Moçambique, um dos países mais afetados por desastres naturais no mundo; nação africana é uma das mais vulneráveis para enfrentar emergência climática.

Moçambique é um dos países mais propensos a desastres no mundo. Nos últimos cinco anos, três ciclones atravessaram a nação africana: Idai, Kenneth e Gombe. Uma das áreas afetadas, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, também sofre com a insegurança de um conflito armado.

Neste Dia Mundial Humanitário, a ONU News em Maputo ouviu especialistas do Programa Mundial da Alimentação, PMA, e do Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, sobre as ações desenvolvidas pelas agências.

Proteção social e futuro

Pierre Lucas, diretor adjunto do PMA lembra que a data serve para reflexão. Segundo ele, o sucesso da resposta humanitária no país depende da participação de todos.

“Já começamos a implementar estas soluções para mudar a vida das pessoas. Trabalhamos em diversas frentes, alimentação escolar com Ministério da Educação, gestão de perdas pós-colheita e técnicas agrícolas como Mader e também os programas de expansão dos programas nacionais de proteção social. Trabalhamos para que as pessoas as quais estamos hoje apoiar não precisem de nós no futuro.”

Cláudio Julaia é especialista de emergência no Unicef. Ele cita a instabilidade e destruição das vias de acesso como algumas das barreiras para o sucesso das ações.

“É a limitação de recursos para atender a todas as necessidades. O outro ponto é a questão do acesso, temos zonas de difícil acesso por causa da instabilidade como os distritos de Mocimboa da Praia, Palma, Muidumbe, Nagande e por aí afora… outra questão que também tem a ver com acesso é a destruição de estradas e pontes que decorreu do ciclone Gombe e também da tempestade tropical Ana, o que nos leva a recorrer a meios muito dispendiosos como meios aéreos e marítimos para chegarmos a determinados pontos.”

O PMA está em Moçambique fornecendo assistência alimentar, nutricional e de subsistência para os necessitados
PMA Mozambique
O PMA está em Moçambique fornecendo assistência alimentar, nutricional e de subsistência para os necessitados

Estradas e pontes, tempestades e cheias

Em Moçambique a desnutrição é a principal causa de morte em crianças menores de cinco anos, associada a um terço de todos os óbitos nessa faixa etária. O especialista em emergência do Unicef, considera que governo, parceiros e agências devem pensar em ações sustentáveis para o sucesso do trabalho humanitário.

“Nós temos que ter agora a necessidade de cada vez mais proteger os investimentos que fazemos porque sabemos que em certas zonas há certos riscos que estão a ser recorrentes, portanto, os ciclones, as tempestades, as cheias, então as nossas infraestruturas escolares, de saúde, estradas e pontes, devem ter um nível de resiliência capaz de resistir esses fenômenos.”

Já o diretor adjunto do PMA, afirma que a agência enfrenta vários desafios, porém o foco está em garantir a resiliência da comunidade.

“Manter nossas equipas humanitárias mobilizadas e encontrar soluções mais duradouras que mudem a vida das pessoas que mais precisam de nós. O objetivo é de mudar de uma situação de assistência alimentar a situação de autonomia, ou seja, passar da situação de salvar vidas para mudar vidas.”

Palma foi afetada pela insegurança em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
© PMA/Grant Lee Neuenburg
Palma foi afetada pela insegurança em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Violência e insegurança em Cabo Delgado

A Agência das Nações Unidas para a Coordenação Humanitária, Ocha, indica que cerca de 1,5 milhão de pessoas no norte de Moçambique precisam de assistência e proteção humanitária devido ao impacto contínuo do conflito armado, violência e insegurança na província de Cabo Delgado.

As necessidades humanitárias concentram-se nos distritos mais atingidos pelo conflito incluindo Macomia, Mocímboa da Praia, Palma e Quissanga, assim como os que acolhem o maior número de deslocados em Metuge, Montepuez, Mueda, Nangade e Pemba.

A agência cita as necessidades de Moçambique em US$ 388,5 milhões para o plano de resposta humanitária. Até o momento, o país recebeu apenas US$ 109,3 milhões correspondente a 28,1 e estão em falta até ao momento US$ 279,3 milhões ou 71,9%.

Dados do Índice Global de Risco Climático 2021 indica que Moçambique é o 38º país mais vulnerável e o 13º menos preparado para enfrentar os efeitos das alterações climáticas.

 

De Maputo para ONU News, Ouri Pota

 

 

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