Aniversário da Convenção de Minamata contra mercúrio destaca ciência 
BR

16 agosto 2022

Tratado internacional proíbe abertura de minas do metal e a eliminação do uso em vários produtos; persistência de incêndios florestais pode agravar nível de emissões; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma,  acompanha implementação. 

Este 16 de agosto marca o 5º. aniversario da entrada em vigor da Convenção de Minamata contra o uso do mercúrio. O tratado quer acelerar o combate ao metal tóxico. Até agora, 137 países aderiram à Convenção, gerenciada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.

O documento inclui a proibição de novas minas de mercúrio e a eliminação do uso em vários produtos. Até 2024, um grupo de trabalho coordenado pela agência da ONU prepara propostas para o painel de política científica sobre o tema.

Ciência 

Minamata, a baía japonesa que deu nome à Convenção, é um exemplo da toxicidade do mercúrio. Moradores de várias aldeias de pescadores foram afetados pela poluição em meados do século 20.

A Doença de Minamata é neurológica e causada por envenenamento grave por mercúrio
Museu Municipal da Doença de Minamata
A Doença de Minamata é neurológica e causada por envenenamento grave por mercúrio

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, tanto o mercúrio elementar como o metilmercúrio são tóxicos para o sistema nervoso central e periférico. A inalação de vapor pode causar danos potencialmente fatais aos sistemas nervoso e imunológico, ao sistema digestivo e aos pulmões e rins.

Estas questões levaram governos de todo o mundo a concordar em seguir com regulamentações sobre poluição por mercúrio. 

No campo científico, pesquisadores se juntaram na primeira Conferência Internacional sobre Mercúrio como Poluente Global, Icmgp. Este ano, a iniciativa somou 15 reuniões realizadas com a publicação de artigos de síntese ressaltando a contribuição do setor para estabelecer políticas. 

Mudanças do clima

Para a edição de 2022, o tema foi “Reduzindo as emissões de mercúrio para alcançar um mundo mais verde”. O evento deu início a um processo que deve culminar com a avaliação da eficácia da convenção com base em conhecimento e informações científicas.

Alta de incêndios florestais devido às mudanças climáticas pode aumentar essas emissões
ONU News/Laura Quiñones
Alta de incêndios florestais devido às mudanças climáticas pode aumentar essas emissões

 

A secretária executiva da Convenção de Minamata, Monika Stankiewicz, destaca que “a ciência tem sido uma força motriz por trás da Convenção de Minamata”. A adoção ocorreu em 2013 e entrou em vigor em 2017. 

Estima-se que as emissões de mercúrio dos incêndios florestais cheguem a 600 toneladas por ano, ou cerca de um quarto das emissões de mercúrio produzidas pela atividade humana. 
A alta de incêndios florestais devido às mudanças climáticas pode aumentar essas emissões em 14% até 2050, tendo por base os níveis do ano 2000. 

Outra questão com impacto no ciclo do mercúrio é o desmatamento. Nesta questão é destacada a relevância da floresta amazônica, sem a qual a captura de mercúrio atmosférico pode baixar de 650 toneladas para 250 toneladas por ano.
 

 

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