Realocação favorece integração de refugiados e migrantes no Brasil
BR

15 agosto 2022

Estudo feito por agências da ONU indica que estratégia, chamada de interiorização, beneficia mais homens que mulheres; focando na população da Venezuela, pesquisa revela que grupo possui mais acesso a empregos, educação e moradia quando deixa o estado de Roraima, principal fronteira entre os países.

Uma pesquisa lançada em parceria entre Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a ONU Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa revela que refugiados e migrantes da Venezuela tiveram mais acesso a empregos formais, educação e moradia no Brasil depois que foram realocadas, voluntariamente, de Roraima para outros estados do país.

As agências explicam que esse processo, chamado de interiorização, possibilita melhorias nas condições de vida. No entanto, a estratégia ainda oferece menos oportunidades de integração socioeconômica às mulheres, em especial, às mulheres negras.

Imigrantes venezuelanos retornam ao seu país vindos da Colômbia
©Ocha/Gema Cortes
Imigrantes venezuelanos retornam ao seu país vindos da Colômbia

Operação Acolhida

Mesmo com a pandemia de Covid-19, o programa Operação Acolhida, principal resposta ao fluxo de venezuelanos deslocados no Brasil, já atendeu mais de 78 mil pessoas em 800 municípios em todas as regiões do país desde 2018.

A iniciativa realoca pessoas refugiadas e migrantes em Roraima, principal porta de entrada, para outros estados do Brasil, apoiando o acolhimento e proteção humanitária até então concentrados na fronteira com a Venezuela.

Desafio da integração para as mulheres

Segundo os resultados, o número de homens e mulheres venezuelanas interiorizadas é similar – enquanto eles representam 51,7% da população interiorizada, elas somam 48,2%.

Mas pesquisa traz diferenças significativas nas modalidades de interiorização no comparativo homens e mulheres, o que afeta diretamente a integração socioeconômica.

As mulheres estão sub-representadas na vaga de emprego, sendo apenas 27,3%, enquanto são maioria, 57,3%, em reunificação familiar.

As mulheres possuem mais dificuldades para ingressarem no mercado de trabalho, principalmente aquelas com muitos filhos e famílias monoparentais.

A partir dos dados coletados sobre acesso a emprego, a pesquisa recomenda considerar a dimensão de gênero na formulação e implementação de políticas destinadas à população venezuelana.

De acordo com o estudo, elas devem ser elaboradas levando em conta a proteção e promoção dos direitos de mulheres no país e, em particular, na inserção laboral e políticas de geração de renda.

Pacotes de alimentos preparados na Colômbia para distribuição em escolas na Venezuela.
PMA/Lorena Peña
Pacotes de alimentos preparados na Colômbia para distribuição em escolas na Venezuela.

Trabalho e renda

De cada 10 pessoas interiorizadas, oito estão na força de trabalho, aponta a pesquisa. Porém, quando é feito o recorte de gênero, é possível observar que a participação feminina é consideravelmente mais baixa, sendo 72,2% contra 96,1% entre os homens.

A taxa geral de desemprego é de 11%, mas no recorte de gênero, as mulheres também estão em desvantagem: 17,7% estão sem ocupação, enquanto o número é de apenas 6,4% entre os homens.

A maioria da população venezuelana interiorizada está empregada no setor privado, 71,7%, mas o grau de informalidade desta população é ainda alto, de 32,4%. As mulheres são as novamente as mais afetadas, sendo 37,3% nessa situação.

O rendimento médio mensal da população venezuelana interiorizada que está trabalhando e possui 18 anos ou mais é de R$ 1.450,98, sendo quase 32% superior ao salário-mínimo vigente no Brasil em 2021.

Entre as mulheres brasileiras, o rendimento médio mensal individual é de R$ 2.215, mas entre as venezuelanas interiorizadas o valor cai pela metade, sendo de R$ 1.177,63.

 

*Com informações do Acnur Brasil.

 

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