Mundo precisa de desnuclearização, diz ex-embaixador do Brasil
BR

11 agosto 2022

Sérgio Duarte, que foi representante das Nações Unidas para o Desarmamento participa da 10a. Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que ocorre em Nova Iorque; ele falou à ONU News sobre a urgência da erradicação de armas atômicas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo está a “um passo de um erro de cálculo que pode levar a ser aniquilado atomicamente”. Ele fez a declaração na abertura da Conferência de Revisão doa países que firmaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, TNP.

Um dos participantes do evento é o embaixador aposentado do Brasil Sérgio Duarte, que foi alto representante da ONU para o Desarmamento entre 2007 e 2012.

Civis feridos se reuniam em uma calçada em Hiroshima, Japão, na manhã de 6 de agosto de 1945
Foto ONU/Yoshito Matsushige
Civis feridos se reuniam em uma calçada em Hiroshima, Japão, na manhã de 6 de agosto de 1945

Países sem armas nucleares

Nesta entrevista à ONU News, ele avalia que as bombas nucleares não trouxeram a garantia de paz e sim mais instabilidade e insegurança, especialmente aos países que não possuem os armamentos.

“Aquela ideia de que foi muito difundida no tempo da pregação sobre o TNP, de que a existência da arma nuclear é uma garantia de segurança, é falsa. Eles afirmavam que não haveria guerras na Europa. Passamos 75 anos, quase 75 anos, sem haver guerra. No entanto, a arma nuclear existe e aí temos uma guerra na Europa. Essa falácia de que a arma nuclear garante a paz, desde que esteja na mão de alguns, precisa ser desmascarada. O que é preciso é a desnuclearização.”

Na entrevista, Sérgio Duarte falou sobre o caso do programa nuclear da Coreia do Norte e do Irã, que são acompanhados pela Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.

No auge da Guerra Fria, mais abrigos radioativos foram construídos à medida que a ameaça percebida da guerra nuclear aumentava.
Unsplash/Burgess Milner
No auge da Guerra Fria, mais abrigos radioativos foram construídos à medida que a ameaça percebida da guerra nuclear aumentava.

Sanções do Conselho de Segurança

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, Rafael Mariano Grossi, afirma que a situação na Coreia do Norte é motivo de séria preocupação. Ele destaca que nos últimos 13 anos, a agência nuclear da ONU não esteve presente no país, que continuou a expandir sua capacidade de armas nucleares.

A Coreia do Norte é signatária do TNP desde 1985, mas em 2009 as autoridades decidiram encerrar a cooperação com a agência. No mesmo ano, o país sofreu sanções do Conselho de Segurança por conduzir testes nucleares.

Para Sérgio Duarte, o programa nuclear iraniano teria sido intensificado após a saída dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto e Abrangente, Jcpoa na sigla em inglês, que estabelecia regras para a produção iraniana.

“O Irã avançou o seu programa nuclear depois que os Estados Unidos se retiraram do acordo Jcpoa. Agora chegou a quase o máximo de enriquecimento de urânio, capaz de gerar uma arma nuclear. Eu acho que foi uma medida infeliz, tomada pelo governo anterior americano, se afastar do acordo. Eu espero que o Irã não venha a desenvolver armas nucleares”

“Estrutura muito ambiciosa”, diz Aiea

O documento foi assinado, em 2015, pelo Irã com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - mais Alemanha e União Europeia.

Segundo o chefe da Aiea, o Irã deve ser transparente com seu programa nuclear, já que sua estrutura é “muito ambiciosa” e deve ser verificada de maneira apropriada.

 

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