Desenvolvimento africano é destaque no Conselho Econômico e Social da ONU BR

Com o tema “A África que Queremos: Reconfirmando o Desenvolvimento da África como uma Prioridade do Sistema das Nações Unidas”, os países-membros da ONU realizaram uma reunião no Conselho Econômico e Social, Ecosoc.
ONU/Manuel Elias
Com o tema “A África que Queremos: Reconfirmando o Desenvolvimento da África como uma Prioridade do Sistema das Nações Unidas”, os países-membros da ONU realizaram uma reunião no Conselho Econômico e Social, Ecosoc.

Desenvolvimento africano é destaque no Conselho Econômico e Social da ONU

Desenvolvimento econômico

Evento organizado por Ecosoc e presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, avalia caminhos para progresso sustentável no continente fortemente impactado com pandemia, clima e conflitos; presidente do Ecosoc tem avaliação positiva do futuro da África e faz recomendações para o avanço das agendas prioritárias.

Com o tema “A África que Queremos: Reconfirmando o Desenvolvimento da África como uma Prioridade do Sistema das Nações Unidas”, os países-membros da ONU realizaram uma reunião no Conselho Econômico e Social da organização, Ecosoc.


O Diálogo Especial de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável na África foi organizado pelos presidentes Collen Vixen Kelapile, do Ecosoc, Abdulla Shahid, da Assembleia Geral.

Presidente do Ecosoc, Collen Vixen Kelapile
UN Photo/Mark Garten
Presidente do Ecosoc, Collen Vixen Kelapile


África como prioridade


Kalapile destacou que os pilares da reunião: mobilização de recursos internos para financiar o desenvolvimento, aceleração da integração regional por meio da Área de Livre Comércio Continental Africana, impactos da mudança climática e empoderamento de mulheres e jovens.


Para ele, os desafios do continente seguem como prioridade para as Nações Unidas, que desde a descolonização até a busca por paz e segurança continua presente, apoiando o desenvolvimento, a frente humanitária e os direitos humanos, na África.


O chefe do Ecosoc afirma que a pandemia e os conflitos agravaram a situação já vulnerável do continente: a crise de saúde levou à pior recessão econômica em meio século, com o Produto Interno Bruto, PIB, caindo 3% em 2020 devido a um rápido aumento da dívida, e a guerra na Ucrânia desacelerou as projeções de crescimento.


A aposta é de alta de mais de 2,2% da inflação este ano impactando negativamente a vida e os meios de subsistência dos africanos mais carentes.


Futuro


Segundo o presidente do Ecosoc, a aceleração da industrialização e a diversificação são chave para mudar o rumo da África. E, pela primeira vez em uma geração, a região adotou medidas decisivas e possui a liderança para serem autores de seu destino. 


Kelapile citou ainda a Agenda 2063, que examina como “pragmática e alcançável”, com planos concretos de implementação de 10 anos. Com a conclusão da primeira fase da agenda no próximo ano, ele acredita que este é “o momento certo para ter um diálogo prospectivo”.


Ele também elogiou a participação ativa de um número recorde de países africanos nas Revisões Nacionais Voluntárias dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 


Para Kalapile, esta é uma demonstração clara de que o continente está comprometido com a plena realização tanto da Agenda 2030 como da Agenda 2063, “que se reforçam mutuamente e são complementares”.


Recursos Internos e Integração Regional


Sobre o financiamento para o desenvolvimento, em particular na mobilização de recursos internos, Kalapile afirma que as necessidades de investimento da África para alcançar os ODS foram estimadas em 200 bilhões de dólares por ano antes das crises.


Com a pandemia e o déficit de financiamento, aumento em mais 145 bilhões dólares, de acordo com o Índice do Fundo Monetário Internacional, FMI.


Já sobre a integração regional: a Área de Livre Comércio Continental Africana prevê um mercado de 1,3 bilhão de pessoas, com PIB combinado de US$ 3,4 trilhões. Isso pode tornar a África um verdadeiro parceiro global.


Segundo o presidente do Ecosoc, as estimativas mais recentes do Banco Mundial e do Secretariado do Área de Livre Comércio são de que, quando totalmente implementado, o bloco poderá aumentar o rendimento real do continente em 9% até 2035 e retirar mais 50 milhões de pessoas da pobreza extrema.


Mudança Climática, Mulheres e Jovens


Kalapile destaque que embora a Africa abrigue 17% da população mundial, emite apenas cerca de 3,8% das emissões globais de carbono.


Ainda assim, o continente é extremamente vulnerável aos impactos do aquecimento global na forma de clima mais extremo, o que leva a mais pressões no acesso aos recursos e resulta em um ciclo vicioso de conflitos e agitação com repercussões negativas para o resto do mundo.


No entanto, o Green Climate Fund (GCF) estima que a África receba apenas 5% do total de fluxos financeiros para investimentos climáticos.


Kalapile lembrou que na COP26, negociadores africanos propuseram que uma meta de US$ 1,3 trilhão em fluxos financeiros a partir de 2025 para lidar com os desafios das mudanças climáticas. 

Ele encerrou com a questão do empoderamento das futuras gerações e das mulheres, lembrando que ninguém pode ser deixado para trás para alcançar as metas da Agenda 2030.

Para o presidente do Ecosoc, investimentos em capital humano e capacitação são fundamentais para garantir que “cada cidadão africano tenha a oportunidade de ganhar uma renda justa, viver uma vida saudável e contribuir para a sociedade”.


Própria narrativa


Já a vice-secretária-geral, Amina Mohammed, também esteve no evento e afirmou que as Nações Unidas partilham a visão desenhada na Agenda 2063 da União Africana, de um continente moldado pela sua própria narrativa, informado pelos seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica no cenário global.


No entanto, Mohammed disse que os ganhos de desenvolvimento da África estão em risco, como consequência das três crises em curso: a pandemia, as alterações climáticas e a guerra na Ucrânia. 


Ela destacou medidas para enfrentar os desafios na região e ressaltou que a África que todos querem “ainda está ao nosso alcance”, mas que para chegar lá é necessário mudar as mentalidades e transformar as crises em oportunidades.