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ONU lista abusos cometidos após a tomada de poder do Talibã no Afeganistão BR

Homens afegãos carregam grandes sacos de ajuda humanitária azuis de uma motocicleta em Kandahar, Afeganistão.
OIM Recomendação para a comunidade internacional é que promova as medidas financeiras e de assistência em benefício dos mais necessitados

ONU lista abusos cometidos após a tomada de poder do Talibã no Afeganistão

Mulheres

Operação de paz confirma assassinatos e casos de violação de direitos fundamentais nos últimos 10 meses; documento ressalta piora da situação de mulheres e meninas; segurança melhora em termos gerais, mas continuam atos contra comunidades étnicas minoritárias e religiosas.

Um novo relatório das Nações Unidas revela que cerca de 700 pessoas foram mortas e mais de 1,4 mil ficaram feridas desde que o Talibã tomou o poder no Afeganistão, em meados de agosto de 2021.

No entanto, a segurança melhorou em termos gerais nos 10 meses até julho deste ano segundo a Missão das Nações Unidas no Afeganistão, Unama. 

Mulheres e meninas

A publicação destaca que a situação de mulheres e meninas se tornou precária no período em análise. O grupo foi privado de muitos de seus direitos humanos com a liderança das autoridades de facto. O documento publicado esta quarta-feira destaca que esse tem sido um dos aspectos mais notáveis da atual administração no Afeganistão.

Três mulheres de burca sentam-se num banco na sala de espera de uma clínica em Kandahar, Afeganistão.
© Unicef/Alessio Romenzi Mulheres na sala de espera de uma clínica no Afeganistão

 

A limitação desses direitos compromete a plena participação feminina na educação, nos locais de trabalho e em outros aspectos da vida pública e cotidiana. Em vários casos, tais garantias foram completamente retiradas.

O vice-representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão disse que “já passa da hora de todos os afegãos poderem viver em paz e reconstruir suas vidas após 20 anos de conflito armado”. 

Markus Potzel defende que o acompanhamento da situação afegã  revela que, apesar da melhoria da situação de segurança, os afegãos, em particular mulheres e meninas, “são privados do pleno gozo de seus direitos humanos”.

Sociedade 

Para a ONU, a  decisão de não permitir que meninas retornem ao ensino médio constitui impedir uma geração de completar seus 12 anos de educação básica.

Uma mãe afegã de burca segura duas crianças pequenas enquanto aguarda uma consulta médica em uma clínica em Kandahar.
Foto: © UNICEF/Alessio Romenzi Mães e filhos esperam por consulta médica em Kandahar, Afeganistão

 

Potzel destaca que a educação e a participação de mulheres e meninas na vida pública são fundamentais para qualquer sociedade moderna. Relegar mulheres e meninas somente para o lar “nega o benefício das contribuições significativas que elas têm a oferecer ao país”, ressalta o representante.

Ele assinalou que a educação para todos “não é apenas um direito humano básico, mas a chave para o progresso e o desenvolvimento de uma nação.”

Além de fazer referência aos direitos de mulheres e meninas, a análise cobre temas como proteção de civis, execuções extrajudiciais, tortura, maus-tratos, prisões, detenções arbitrárias, liberdades fundamentais e situação nos locais de detenção. 

Civis

A maioria das 2.106 vítimas civis registrou-se em ataques do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque e no Levante da Província de Khorasan. Os alvos das ações foram comunidades étnicas minoritárias e religiosas que foram atingidas em locais como escolas e áreas de culto. 

Um pai refugiado afegão segurando sua filha pequena perto de sua casa nos arredores de Cabul no inverno.
© Acnur/Andrew McConnell Afeganistão enfrenta uma das crises humanitárias que cresce mais rapidamente no mundo

 

O relatório inclui recomendações  para as autoridades de fato, destacando a necessidade de aumentar a segurança em locais que têm sofrido mais ataques. 

A Unama pede o fim de abusos contra integrantes do anterior governo e que sejam evitados atos ilegais ou procedimentos  extrajudiciais, incluindo a tortura. O estudo solicita ainda que sejam repostas as liberdades de associação e de imprensa.

A recomendação para a comunidade internacional é que promova as medidas financeiras e de assistência em benefício dos mais necessitados. 

O relatório enfatiza que, a serem mantidas as sanções, deve ser assegurado que o tipo de medidas não afete os direitos humanos. A Unama pede ainda que as  mulheres afegãs sejam mais apoiadas no seu envolvimento com as autoridades em temas de interesse do grupo. 
 

Estudante afegã escrevendo em um quadro-negro em uma sala de aula.
© UNICEF/Sayed Bidel Estudante escrevendo no quadro-negro em uma escola da cidade de Herat, Afeganistão