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Agência alerta para severo déficit de trabalho em áreas rurais pelo mundo BR

Perumal Lechchami, de 44 anos, está sentada em uma grande rocha em sua casa rural no Sri Lanka com sua filha pequena.
© PMA/Josh Estey Estudo concluiu que a exposição a químicos traz sérios riscos de saúde para produtores agrícolas especialmente crianças, mulheres grávidas e amamentando

Agência alerta para severo déficit de trabalho em áreas rurais pelo mundo

Direitos humanos

Organização Internacional do Trabalho, OIT, diz que é preciso aumentar a proteção social para todos, especialmente após a pandemia; líderes sindicais e outros representantes dos trabalhadores falam em urgência e prioridade.

Cerca de 80% das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais. E muitas estão enfrentando um déficit severo de trabalho. A informação resulta de um estudo que tem a coautoria da Organização Internacional do Trabalho, OIT.

No documento, divulgado nesta quinta-feira, a agência da ONU cita segurança inadequada no trabalho, baixos salários, falta de estabilidade e horas extras em excesso com mulheres e jovens trabalhadores sendo os mais afetados.

Trabalhadores colhem repolho roxo orgânico em um campo da Solaria Azienda Agricola Boccea, em Roma, Itália. Um trator é visível ao fundo.
© FAO/Alessandro Penso Trabalhadores em colheita em uma fazenda em Roma, Itália

 

Crianças, mulheres grávidas e amamentando

O novo relatório foi compilado pelo Escritório para Atividades dos Trabalhadores, Actrav na sigla em inglês, e a Organização Internacional do Trabalho, OIT.

O texto “Déficit de Trabalho Decente entre Trabalhadores Rurais” é baseado em 16 casos de estudo em 15 países de regiões como África, Ásia, Ásia Central, Europa e América Latina.

O estudo concluiu que a exposição a químicos traz sérios riscos de saúde para produtores agrícolas especialmente crianças, mulheres grávidas e amamentando.

As trabalhadoras estão desproporcionalmente representadas nos postos mais precários. As mulheres também tendem a ocupar posições mal pagas, e não qualificadas, sofrem brechas enormes de pagamento baseadas em gênero, e estão mais propensas a enfrentar assédio e abuso em comparação aos homens trabalhadores.

Uma ativista conversa com três meninas em um assentamento informal em Joanesburgo, África do Sul.
© Unicef/Karin Schermbrucker Mulheres e meninas em área rural da África do Sul

Dívidas com os patrões

O trabalho infantil, trabalho forçado e dívidas que deixam as pessoas em condições análogas a de escravidão e prisão seguem acontecendo. Até 95% das crianças em trabalhos perigosos atuam na agricultura principalmente em plantações de cacau, tabaco e óleo de palma.

O trabalho forçado segue ocorrendo em alguns setores e geralmente em situações de dependência dos empregadores.

Já o diálogo social fraco e barreiras para acessar organizações trabalhistas continuam a ser enfrentados pelos empregados. Em muitas áreas, não existem sindicatos, e existe preocupação com a falta de participação de trabalhadores autônomos e mulheres.

Agricultoras angolanas em pé num campo arado.
FAO Angola Mulheres em área rural de Angola

Recomendações e melhorias

 A proteção social para os empregados permanece um sonho, em muitos casos.

 Os organizadores do estudo recomendam o fortalecimento de administração trabalhista em áreas rurais econômicas assim como melhorias da capacidade em economias no campo, sindicatos de trabalhadores e organizações de base.

Outra proposta é a adesão e ratificação das Convenções relevantes da OIT e tratados internacionais.
 Para a agência da ONU, é preciso fortalecer também a preparação para crises, proteção social e realizar mais pesquisas para melhor entender a resposta aos desafios dos trabalhadores na agricultura.