Relatora da ONU diz que Agenda 2030 “falha” em igualdade racial e combate à discriminação
BR

6 julho 2022

Tendayi Achiume apresentou o relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a luta contra a discriminação racial; para ela, são precisos mais compromissos apesar de algumas melhorias em iniciativas dos últimos anos.

Promessas para avançar no combate ao racismo e em promover a igualdade racial estão sendo vítimas de “fracos compromissos”, segundo a relatora especial* sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata.

A declaração foi feita por Tendayi Achiume durante a apresentação à 50ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Marcha contra o racismo e violência em Brasília
Pnud/Tiago Zenero
Marcha contra o racismo e violência em Brasília

Promessas não cumpridas

Para ela, a retórica de “não deixar ninguém para trás” não se aplica ao tema da discriminação racial.

A especialista não descarta melhorias, mas diz que é preciso fazer mais para combater o racismo no mundo.

A relatora citou “ataques sem fundamento à teoria racial crítica ou CRT, na sigla em inglês, que têm tentado demonizar exigências por uma reflexão mais honesta e aprofundada sobre o racismo sistêmico”.

Achiume acredita que os compromissos estão ausentes da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

A relatora lembrou que a pandemia de Covid-19 revelou profundas desigualdades raciais com sistemas econômico-financeiros servindo de motores do “subdesenvolvimento” e da discriminação racial.

"Racismo é um vírus", cartaz em protesto Black Lives Matter em Montreal, Canadá.
Unsplash/Rolande PG
"Racismo é um vírus", cartaz em protesto Black Lives Matter em Montreal, Canadá.

“Hierarquias internacionais”

Tendayi Achiume garante que muitas pesquisas provaram que a ordem financeira e de desenvolvimento perpetuou os problemas de direitos humanos e desigualdade econômica.

A relatora afirma que a pandemia serviu para desmontar redes de previdência no sul global aumentando a dependência de “povos ex-colonizados”.

Para Achiume, é hora de “descolonizar os sistemas econômico, jurídico e político.”

E a receita da relatora é acabar com o que chama de “hierarquias internacionais que se movimentem além das visões eurocentristas”, modelos e meios de desenvolvimento econômico.

 

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud