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Novos estudos indicam urgência de medidas contra crise de aprendizagem causada por pandemia BR

Uma sala de aula modelo com carteiras vazias, mochilas azuis da Unicef e uma placa com os dizeres "AUSÊNCIA DE 168 MILHÕES DE CRIANÇAS" na sede das Nações Unidas em Nova York.
Unicef/Chris Farber/Unicef via Getty Images Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo

Novos estudos indicam urgência de medidas contra crise de aprendizagem causada por pandemia

Desenvolvimento econômico

Relatórios lançados por Banco Mundial, Unicef e Unesco, entre outras agências, mostram o quanto a pandemia impactou crianças mais novas e vulneráveis na América Latina e no Caribe.

Várias agências da ONU e o Banco Mundial informaram que quatro em cada cinco alunos do sexto ano do ensino fundamental/ na América Latina e no Caribe não serão capazes de ler e interpretar um texto simples. E essa dificuldade tem nome: pobreza de aprendizagem.

Embora a região já sofresse uma crise de aprendizagem antes da pandemia, esse aumento é bastante considerável. Um novo estudo ressalta que essas perdas no ensino podem custar aos estudantes da região uma redução de doze por cento na renda ao longo da vida.

Uma menina usando uma máscara desinfecta a mesa da escola com um pano enquanto a mão de um professor a ajuda em uma sala de aula.
© UNICEF/Alessandro Potter Reabertura segura de escolas no nordeste do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil

Atraso na aprendizagem

Segundo o estudo, o fechamento prolongado das escolas devido à Covid-19 pode ter provocado um atraso equivalente a mais de uma década nos resultados de aprendizagem na região.

Por causa da pandemia, as escolas da América Latina e do Caribe tiveram um dos períodos mais longos de fechamento em todo o mundo. Em média, os estudantes perderam, de forma integral ou parcial, dois terços de todas as aulas presenciais desde o início da crise. O prejuízo escolar afetou de forma desproporcional as crianças mais novas e vulneráveis, o que pode agravar as desigualdades de longa data na região.

O Banco Mundial e as agências da ONU apelam aos governos que concentrem as suas políticas em duas estratégias: promover o retorno às escolas e recuperar as aprendizagens. Para isso, recomenda-se concluir a reabertura de todas as escolas de modo sustentável; rematricular todos os estudantes; evitar o êxodo escolar e valorizar os professores.

Na Guatemala, crianças em idade escolar recebem refeições preparadas com produtos da agricultura familiar, como parte de um programa de alimentação escolar.
Pep Bonet/NOOR for FAO Estudantes almoçam na escola na Guatemala

 

Fechamento das escolas

Já um outro relatório sobre pobreza de aprendizagem lançado pelo Banco Mundial, Unesco e Unicef, entre outras instituições, mostra a América Latina e o Caribe na segunda pior posição global.

Apenas a África Subsaariana apresenta um índice mais alto de pobreza de aprendizagem. Nessa região, cerca de nove em cada 10 estudantes serão incapazes de ler e compreender um texto simples no fim do ensino fundamental.

Ainda mais preocupante é o fato de a região da América Latina e do Caribe apresentar o maior aumento nesse índice desde 2019. De acordo com o relatório, isso provavelmente ocorreu por causa do fechamento prolongado das escolas.

Por Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil