Em evento sobre oceanos, Xanana Gusmão pede mais investimentos para Timor-Leste
BR

23 junho 2022

Primeiro presidente do país falou sobre sua participação na Conferência dos Oceanos em Lisboa, que começa na segunda-feira; ele pediu investimentos inteligentes adaptados ao contexto timorense; com mais de 70 mil km² de extensão marítima, Timor-Leste integra o chamado Triângulo de Coral.

Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks, apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal.

Xanana Gusmão liderou o grupo de negociação de Timor-Leste do Conselho para a Delimitação Definitiva das Fronteiras Marítimas, que resolveu de forma conciliatória uma disputa com a Austrália.

No evento, em Díli, Xanana explicou porque é relevante buscar progressos com uma mobilização global de forças em favor dos mares, sem tirar da mira a realidade local.

“Tasi tem um significado especial: T de Timor. A para Azul, S para Sustentável e I de Inovador. O que significa que Timor é Tasi. Significa que Timor quer ser azul, sustentável e inovador. Timor é Tasi.”

Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos
ONU Timor-Leste
Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos

Economia azul

Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos.

“Chegou a altura de olhar para os oceanos com os olhos postos no futuro. Com uma visão estratégica. A história de Timor-Leste é de esperança, porque o mar de Timor não tem só recursos minerais e energéticos. Reserva também zonas com a maior concentração de biodiversidade do mundo, como é o caso das águas e ao redor da ilha de Ataúro.”

A região é a aposta do país para abrigar um centro internacional de preservação da vida marinha e da biodiversidade.

Tais, o tradicional tecido feito à mão no Timor-Leste desempenha um papel importante na vida do povo timorense
© Timor Aid
Tais, o tradicional tecido feito à mão no Timor-Leste desempenha um papel importante na vida do povo timorense

Diálogos

No evento sob o lema “Promover e Fortalecer Economias Sustentáveis Baseadas nos Oceanos: O Potencial do Mar em Timor-Leste”, Xanana pediu investimentos inteligentes adaptados ao contexto timorense, para reforçar o avanço da economia azul em países insulares.

Para tal propósito, ele apelou a um compromisso sério com foco “em nações mais ricas, com mais recursos financeiros e capacidades técnicas e científicas, mas também as que mais têm castigado os oceanos”.

A sessão foi selada com a entrega do tais, o pano cerimonial timorense cujo tecido, preservado por gerações, é agora protegido pelo risco de extinção. O símbolo de identidade cultural no colarinho marca o trajeto do grupo para Lisboa e em cor azul-marinho.

Uma mulher planta árvores de mangue em uma área de pântano no Timor Leste
Unpd/Yuichi Ishida
Uma mulher planta árvores de mangue em uma área de pântano no Timor Leste

Conferência dos Oceanos

Representantes do Timor-Leste estão a caminho da Conferência dos Oceanos em Lisboa passando por Bruxelas e Londres. Nessas capitais europeias, o tema é falar de atuação local, sem perder de vista a perspectiva global da agenda pelos mares.

O primeiro-ministro e a chefe da pasta dos Negócios Estrangeiros representam o governo na reunião internacional, que será aberta na segunda-feira.  O primeiro presidente do Timor-Leste, Xanana Gusmão, também estará no evento.

Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal
ONU Timor-Leste
Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal

Espécies de recifes de corais

Com mais de 70 mil km² de extensão marítima, Timor-Leste integra o chamado Triângulo de Coral, marcado pela riqueza em biodiversidade e recursos naturais.

A área com 500 espécies de recifes distribuídas pelos territórios banhados pelos Oceanos Pacífico e Índico abarca as zonas econômicas exclusivas da Indonésia, das Filipinas, da Malásia, da Papua Nova-Guiné e das Ilhas Salomão.

A região tem um misto de esperanças e desafios. Mesmo com potencial para atrair turistas, esta realidade contrasta com a falta de infraestrutura e com os altos custos de operação da indústria do turismo.

Recentemente, foi enfatizada a riqueza da vida selvagem trazida à região trazida por baleias raras. A situação também destaca a questão da conservação da biodiversidade.

Empregos

O chefe do Sistema das Nações Unidas em Timor-Leste, Roy Trivedy, revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades para melhorar, criar empregos sustentáveis e enfrentar desafios para mudança.

Ele recomendou uma reflexão para melhora de dados relacionados à área marítima que Timor-Leste controla, cruciais para a economia azul.

Outras sugestões são melhorar a capacidade nacional para aproveitar o potencial, incentivar parcerias público-privadas e estabelecer uma tributação favorável a modelos de negócios sustentáveis.

Roy Trivedy revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades
ONU Timor-Leste
Roy Trivedy revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades

Multilateralismo

O representante do Ministério de Negócios Estrangeiros, embaixador Roque Rodrigues associa a ida a Lisboa com a necessidade do Timor-Leste em “manter uma presença ativa em organismos multilaterais”.

“Tanto na região, diante de desafios como a pesca ilegal, o estabelecimento de uma autoridade marítima nacional dotada de meios e competências para fazer face a todo o tipo de atividade ilícita. Perante os desafios que temos que enfrentar, é um imperativo estabelecer parcerias, reforçar o espírito de equipa e estabelecer recursos de coordenação e uma imensa capacidade de diálogos. Timor-Leste sente que é importante fortalecer uma abordagem multilateral.”

Já a embaixadora portuguesa em Díli, Manuela Bairros, disse que o Estado insular não poderia estar ausente deste debate.  Ela citou um documento do Gabinete para as Fronteiras Marítimas ressaltando que para o povo de Timor-Leste os oceanos integram seu modo de vida.

“Os mares têm significado espiritual para o povo timorense. Muitos timorenses dependem do mar para a sua subsistência e para o seu sustento. Através da pesca e colheita de espécies marinhas como o atuam, o polvo e as águas.”

Pesca ilegal e ameaças

A pesca furtiva é uma ameaça. A prática ilegal contrasta com a captura artesanal e mais comum entre a população que carece de meios de segurança e modernização. 

Aliada a outras práticas da economia azul, a atividade é vista como um fator alternativo para o setor petrolífero que domina a economia gerando cerca de 70% do Produto Interno Bruto.

As autoridades do país esforçam-se para diversificar a dependência econômica do petróleo, que representa ainda mais de 90% das exportações e acima de 80% das receitas anuais do Estado.

Timor-Leste continua dependendo da importação de 40% do total de alimentos que consome
Banco Mundial/Alex Baluyut
Timor-Leste continua dependendo da importação de 40% do total de alimentos que consome

Biodiversidade e preservação da vida marinha

A delegação que parte para Lisboa enfatiza a importância de uma transformação econômica com colaboração do mundo com a proximidade aos oceanos, acesso à diversidade de recursos biológicos, geológicos, minerais e geoestratégias bem usados.

A gestão dos mares de forma sustentável e equilibrada é um alvo considerado ainda de alcançará em todo o mundo como parte do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14.

 

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