Juventude percebe que recursos naturais não são infindáveis, diz Portugal
BR

9 junho 2022

Ministro dos Negócios Estrangeiros do país, João Cravinho, falou à ONU News sobre a 2a. Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que começa este 27 de junho em Lisboa; para chefe da diplomacia portuguesa, jovens precisam de ser parte das decisões sobre emergência climática; organizadores do evento ainda não decidiram sobre uso obrigatório de máscaras.

Os jovens de hoje sabem que os recursos naturais não podem mais ser abusados como o são pela geração atual. E por isso, estão empenhados no debate e nas ações para responder à urgência do clima.

A opinião é do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Cravinho. 

Futuro dos Oceanos

Ele falou à ONU News sobre as preparações do país para abrigar a 2a. Conferência dos Oceanos, que começa em Lisboa neste 27 de junho e vai até 1 de julho.

“Vai ser um evento de grande importância. Milhares, literalmente muitos milhares, de participantes, incluindo um bom par de dezenas de chefes de Estado e de governo e muitas dezenas de ministros. Portanto há boas condições para fazermos em Lisboa, no final deste mês, um conjunto de compromissos relacionados com o futuro dos oceanos. Aquilo que me pareceu o importante é, sendo hoje o Dia Mundial dos Oceanos, estar aqui a Nova Iorque para participar nas celebrações. E dizer que temos este evento em Lisboa. Quando nós olhamos para os oceanos, não basta anualmente celebrar o dia dedicado aos oceanos. Mas, pelo contrário, fazer planos concretos para o futuro”.

Conferência em Lisboa também tem o objetivo de incrementar os planos de promoção da economia azul
© Ocean Image Bank/Jordan Robin
Conferência em Lisboa também tem o objetivo de incrementar os planos de promoção da economia azul

 

João Cravinho passou o Dia Mundial dos Oceanos, neste 8 de junho, numa série de reuniões e eventos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Consenso e convergência

A conferência internacional, que é organizada por Portugal e Quênia, estava marcada para acontecer em 2020, mas foi adiada por causa da pandemia. Desta vez, o cenário ainda é de desafios. Cravinho ressalta que apesar da tensão política na Europa e outras partes do mundo, o tema dos oceanos é uma plataforma de esperança que leva à união no debate.

“Um aspecto que devo dizer que é muito positivo, e que vale a pena ser sublinhado, é todos nós estamos muito conscientes de que vivemos um quadro diplomaticamente muito difícil. Temos a guerra na Europa. Temos em várias outras partes do mundo, também fontes de grande divisão entre os Estados. No entanto, parece que em torno dos oceanos nós temos aqui um tema que permite convergência. Nós não podemos resolver todos os problemas ao mesmo tempo. Alguns problemas parecem muito difíceis de resolver neste momento. O fundamental é que saibamos continuar a trabalhar naquilo que em que é possível: desenvolver plataformas de consenso. Pareceu-me que em torno dos oceanos há um bom ambiente.”

Cravinho disse que jovens de hoje sabem que os recursos naturais não podem mais ser abusados
© Giacomo d'Orlando
Cravinho disse que jovens de hoje sabem que os recursos naturais não podem mais ser abusados

 

Uma das propostas da conferência em Lisboa é incrementar os planos de promoção da economia azul por parte dos países. Empregos verdes são uma fonte de sustentabilidade e crescimento econômico. Mas quando se fala de economia azul, existem muitas áreas correlatas, como explicou o ministro João Cravinho.
“De Lisboa vai sair a convicção de que nós temos de falar de combate às alterações climáticas e oceanos como ligados. Não há transição verde sem transição azul também. Um segundo o aspecto que me parece muito importante diz respeito à nova economia azul. A economia azul não é simplesmente tudo aquilo que tem a ver com o mar: pescas e tudo o que é tradicional. Tem a ver com as novas fronteiras e com novas possibilidades. Por exemplo, as indústrias farmacêuticas, a produção de bens alimentares no mar, para além dos peixes e das algas e da exploração de novas potencialidades. A utilização do mar como uma fonte de sustentabilidade para o futuro e para todas as partes do mundo, incluindo os países menos desenvolvidos.  Um terceiro tema é a questão da juventude. Nós temos um gravíssimo problema de falta de justiça intergeracional. Temos um grande problema de utilização abusiva de recursos por parte da nossa geração.”

Mais de 15 chefes de Estado e Governo confirmaram presença no encontro
Unsplash/McGill
Mais de 15 chefes de Estado e Governo confirmaram presença no encontro

 

Em tempos de aumento dos casos de Covid em Lisboa e outras partes da Europa e do mundo, muitos participantes se preocupam com o protocolo de saúde e segurança do evento.

Presença internacional

O ministro dos Negócios Estrangeiros contou à ONU News que Portugal está atento aos desdobramentos da Covid no país e que deverá adotar a melhor forma de proteção dos participantes.
“Isto é uma questão que precisa de ser calibrada semana a semana, à medida que a evolução dos números se vai identificando. Felizmente, neste momento em Portugal, apesar de termos números relativamente, estão a baixar. A nossa convicção, porque faltam ainda há três semanas, é que as coisas podem mudar. Este vírus tem-nos surpreendido a cada esquina, mas a nossa convicção é que não será obrigatório, embora, naturalmente cada pessoa que preferir usar máscara estará à vontade para o fazer.”

Até o momento, mais de 15 chefes de Estado e Governo confirmaram presença no encontro que também contará com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres.
 

 

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