Unicef: sem ação imediata, haverá uma “explosão em mortes” de crianças no Chifre da África
BR

7 junho 2022

Em comunicado, agência da ONU alerta que somente a Somália tem 386 mil crianças precisando desesperadamente de tratamento; para vice-diretora regional do Unicef, mundo precisa ampliar atenção além da guerra na Ucrânia; apelo foi feito ao G7, que deve se reunir na Alemanha este mês.

Os países do Chifre da África, no extremo nordeste do continente, enfrentam um risco de mortes de crianças em estado grave de má nutrição e doenças. Se nada for feito, haverá uma “explosão em casos de óbito de menores”.

O alerta ocorreu nesta terça-feira em Genebra pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Rania Dagash com uma mãe e seus gêmeos, que sofrem de desnutrição, em um centro de saúde em Dollow, Somália
© UNICEF/Omid Fazel
Rania Dagash com uma mãe e seus gêmeos, que sofrem de desnutrição, em um centro de saúde em Dollow, Somália

Serviços de meteorologia

Numa entrevista a jornalistas, a vice-diretora regional do Unicef no leste e sul da África, Rania Dagash, disse que o mundo precisa prestar a atenção em outras crises além da guerra na Ucrânia.

Segundo ela, somente na Somália, 386 mil crianças precisam desesperadamente de tratamento para má nutrição aguda. Em 2011, durante a crise de fome, este número era de 340 mil. Em apenas cinco meses, a taxa de má nutrição subiu 15%.

Dagash contou que em países como Etiópia, Quênia e Somália mais de 1,7 milhão de menores precisam de tratamento para má nutrição aguda com urgência.

Quatro estações de chuvas deixaram de acontecer em dois anos. Com isso, morreram as plantações e os rebanhos esgotando os recursos. E os serviços de meteorologia indicam que não deverá chover entre outubro e dezembro.

Famílias deslocadas afetadas pela seca na Etiópia
© Unicef/Zerihun Sewunet
Famílias deslocadas afetadas pela seca na Etiópia

Água limpa

A agência da ONU está preocupada com o aumento no número de crianças severamente malnutridas que foram parar no hospital no primeiro trimestre deste ano, em comparação a 2021. No Quênia, a subida foi de 71%, seguida por Somália com 48% e Etiópia com 27%.

E o número de mortes triplicou nas áreas mais afetadas pela fome no Chifre da África. Vários óbitos ocorreram em centros de saúde.

Entre fevereiro e maio deste ano, a quantidade de lares sem acesso à água limpa e segura para o consumo dobrou de 5,6 milhões para 10,5 milhões.

E a guerra na Ucrânia elevou os riscos de morte para as crianças nos países do Chifre de África. A Somália, por exemplo, importava 62% do trigo da Rússia e da Ucrânia. Este fornecimento está agora suspenso. A guerra também levou a um aumento no preço dos combustíveis e dos alimentos para esses países.

Previsões de exportação de trigo dos países em conflito foram revisadas para baixo desde o início da guerra
© FAO/Anatolii Stepanov
Previsões de exportação de trigo dos países em conflito foram revisadas para baixo desde o início da guerra

Crise de financiamento e G7

O Unicef disse precisar de mais de US$ 12 milhões para socorrer as crianças no Chifre da África nos próximos seis meses. A agência está enfrentando uma crise de financiamento após receber apenas um terço do apelo para a região.

A agência disse que a comunidade internacional tem de se comprometer com a ajuda ao ser reunir na Alemanha em junho para o encontro do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo.

O Unicef afirma que compreende a reunião ter um foco na Ucrânia, mas os líderes internacionais devem se lembrar de outras crises e emergência do globo.

 

 

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