Na ONU, Portugal foca em clima, migração, economia azul, paz e segurança
BR

3 junho 2022

Em entrevista à ONU News, nova embaixadora do país nas Nações Unidas, Ana Paula Zacarias, fala sobre importância da Conferência dos Oceanos, marcada para 27 de junho, em Lisboa; ela destacou ainda a presença do país na Comissão de Consolidação da Paz, Pacto Global de Migrações e a campanha para um assento rotativo no Conselho de Segurança para o biênio 2027-2028.

Às vésperas de acolher a 2ª Conferência das Nações Unidas sobre Oceanos, as atenções de Portugal, na ONU, tornam-se ainda mais focadas na agenda de desenvolvimento sustentável e na cooperação com outros países para proteger a vida marinha e fomentar a chamada economia azul.

O evento irá de 27 de junho a 1 de julho, em Lisboa. A nova embaixadora de Portugal na ONU, Ana Paula Zacarias, informou que mais de 15 chefes de Estado e de Governo já confirmaram presença.

Pnud promove proteção dos mares para ajudar a alcançar as metas globais
Foto: © Unsplash/Tamas Tuzes-Katai
Pnud promove proteção dos mares para ajudar a alcançar as metas globais

Autoridades e jovens

A conferência deverá receber 12 mil participantes incluindo representantes da sociedade civil e de organizações não-governamentais, autoridades locais e jovens.

Para Ana Paula Zacarias, a agenda dos oceanos é parte da história e da geografia portuguesas.

“Não se pode falar de crise climática e falar de ação nas áreas dos oceanos sem envolver a questão do desenvolvimento sustentado. E, simultaneamente, trazemos também a questão da segurança. Porque vemos como as alterações climáticas, como uma eventual subida do nível das águas dos oceanos pode trazer situações muito graves, em termos das comunidades ribeirinhas e inclusive o potenciar de conflitos.

Portanto, esta conexão entre oceanos, clima, desenvolvimento e segurança é para nós fundamental.”

A Conferência dos Oceanos é copatrocinada por Portugal e Quênia. Na ONU, o evento é organizado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, Desa.

Ana Paula Zacarias, representante de Portugal, frisou a necessidade de ter em conta o conhecimento de base local
ONU/Manuel Elias
Ana Paula Zacarias, representante de Portugal, frisou a necessidade de ter em conta o conhecimento de base local

57 milhões de postos de trabalho

Segundo o Desa, os oceanos são hoje uma fonte de subsistência para 3 bilhões de pessoas. Quase metade da pesca marinha gera 57 milhões de empregos.

Para Portugal, existe um enorme potencial na chamada economia azul que dever ser explorado.

A embaixadora Ana Paula Zacarias afirmou que a expectativa é que a declaração final da conferência seja adotada por unanimidade pelos países-membros da ONU. Para Portugal, é preciso um esforço coletivo que também inclua os jovens na criação de um plano de ação imediata.

“Os oceanos têm um valor central em tudo que é a dimensão da vida no planeta Terra. Então é muito importante que tenhamos uma base científica de debate que nos permita fazer esta ligação entre os diferentes dossiês, e que ao mesmo tempo, faça aqui que nós esperamos que aconteça em Lisboa: dar uma voz ao poder local, trazer os autarcas, trazer presidentes de câmaras de vários locais pelo mundo inteiro para discutir a implicação a nível local, trazer jovens, que vêm do mundo inteiro também, para discutir a problemática dos oceanos.

Metade do oxigênio necessário para sobrevivência

Ainda de acordo com as Nações Unidas, o mundo perde anualmente US$ 13 bilhões com a poluição plástica nos mares. Ao todo, são despejadas 11 milhões de toneladas todos os anos nos oceanos.

A preservação desses ecossistemas é também uma questão de sobrevivência humana, pois dali sai metade de todo o oxigênio necessário para sobrevivência na Terra.

A embaixadora de Portugal, que acaba de assumir o posto, é também a primeira mulher a liderar a Missão do país na ONU em 67 anos de história.

Ana Paula Zacarias disse que este ano, além do tema dos oceanos, a agenda de trabalho em Nova Iorque está cheia com outros assuntos relevantes para a nação europeia como paz e segurança.

União Europeia

“Depois, temos também outros temas muitos tempos importantes como é o caso das migrações. Ligado com estes, de que falávamos. As migrações são um dossier importante para Portugal, que é uma país de migração, de emigração, de imigração.

Temos quase cerca de 5 milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Sabemos bem o que significar emigrar, portanto, estamos disponíveis para aceitar em Portugal, muitos dos migrantes que desejam estabelecer-se também no nosso país. Somos um dos países campeões do Pacto das Migrações.”

Ana Paula Zacarias tem quase 40 anos de experiência diplomática como embaixadora e secretária de Estado. Ela já serviu na União Europeia e  em países como Estônia, Colômbia e no Brasil.

 

 

 

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