Piores secas em 40 anos colocam leste da África sob risco de catástrofe
BR

31 maio 2022

Alerta conjunto de agências meteorológicas e humanitárias cita situação sem precedentes, que já levou ao deslocamento de 1 milhão de pessoas na Etiópia e na Somália; fome extrema e falta d’água, aumentam riscos de morte.  

Depois de quatro temporadas fracassadas de chuvas, a fome paira sobre países do leste da África. O alerta partiu de várias agências meteorológicas e humanitárias, incluindo o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.  

A seca que afeta Etiópia, Somália e Quênia é sem precedentes, sendo considerada a pior dos últimos 40 anos. Segundo as agências, existe ainda um “consenso entre os especialistas meteorológicos de que há um risco concreto da temporada de chuvas de outubro a dezembro não acontecer.” 

Gado não sobrevive  

Mãe e filho passam por gado que morreu pela seca no Quênia.
Foto: © UNICEF/Oloo
Mãe e filho passam por gado que morreu pela seca no Quênia.

Se esta previsão se materializar, a emergência humanitária no leste africano, que já é severa, fica ainda pior. A recente temporada de chuvas, de março a maio pode ter sido a mais seca já registrada, destruindo meios de subsistência e aumentando a insegurança alimentar e a falta de acesso à água.  

Na Etiópia, 2,1 milhões de cabeças de gado morreram e no Quênia, 1,5 milhão de animais tampouco resistiram. Na Somália, uma entre três cabeças de gado morreu desde meados de 2021.  

Um outro problema da região leste africana é a falta de água, exacerbada pelas temperaturas muito quentes, que devem continuar até setembro. Com isso, mais animais deverão morrer e moradores deverão deslocar-se nos próximos meses à procura de melhores condições de vida.  

Catástrofe  

Menino de quatro anos come barra energética, parte do tratamento contra desnutrição do Unicef na Somália.
Foto: © UNICEF Somalia-Makundi
Menino de quatro anos come barra energética, parte do tratamento contra desnutrição do Unicef na Somália.

O Grupo de Trabalho sobre Nutrição e Segurança Alimentar calcula que 16,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar severa, mas é possível que o total suba para 20 milhões até setembro.  

Na Somália, as análises indicam que 80 mil pessoas estão sofrendo com fome extrema, “um indicativo de catástrofe”, sendo que no Quênia e na Somália, quase 2,5 milhões de habitantes enfrentam uma emergência alimentar. Ambos os casos estão relacionados com maiores de chances de se morrer de fome.  

Além da questão da seca severa, a desnutrição aguda e a insegurança alimentar pioram devido aos impactos dos conflitos e da insegurança, do aumento dos preços globais dos combustíveis, dos alimentos e dos fertilizantes devido à guerra na Ucrânia, dos desafios econômicos e da pandemia de Covid-19.  

 

 

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