Na Indonésia, vice-chefe da ONU destaca alta de desastres sem ações preventivas
BR

25 maio 2022

Amina Mohammed está em Bali para a Plataforma Global para Redução do Risco; ela ressaltou dados de estudo que estimam possibilidade de mais de um desastre,  por dia, sem medidas de gestão de risco.

A vice-líder das Nações Unidas, Amina Mohammed, fez um alerta durante a abertura da Plataforma Global para Redução do Risco de Desastres, nesta quarta-feira, em Bali, na Indonésia.

Segundo ela, está aumentando no mundo o número de desastres naturais que ocorrem sem qualquer ação preventiva.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Esta é a sétima edição do evento, que reúne governos, sistema da ONU e outros atores para troca de experiências e conhecimentos sobre a redução do risco de desastres, bem como avaliar e discutir o avanço de ações para construir sociedades mais resilientes.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, a representante especial para redução do risco de desastres, Mami Mizutori, e o presidente da Assembleia Geral da ONU, Abdulla Shahid, também participaram da reunião

Para Amina Mohammed, a Indonésia é um parceiro crucial com muito a ensinar ao mundo sobre a redução do risco de desastres. Ela elogiou a colaboração entre as agências da ONU para abordar os crescentes riscos climáticos e de desastres.

Em dezembro de 2004, a Indonésia foi um dos países atingidos pelo tsunami e terremoto no Oceano Índico.

Ucrânia e disparada no preço dos alimentos e energia

Mohammed lembrou que a guerra na Ucrânia está puxando a alta no preço dos alimentos e energia, o que leva a impactos preocupantes no sistema financeiro global.

Além disso, ela destacou os resultados do Relatório de Avaliação Global do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, que apontam para um fator preocupante.

Segundo os estudos, os acidentes naturais podem aumentar numa média de até 1,5 desastre por dia, até 2030 se nada for feito na gestão de riscos.

Ela alertou que os impactos serão vistos no atraso para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

A vice-secretária-geral adicionou que o painel é uma oportunidade única de considerar as melhores opções para passar do risco à resiliência e tomar medidas importantes para garantir a recuperação do Covid-19 e um futuro seguro e sustentável.

Ensaio de emergência de tsunami com mais de 200 alunos e professores
UNDRR/Antoine Tardy
Ensaio de emergência de tsunami com mais de 200 alunos e professores

Geração de dados

Amina Mohammed numerou quatro ações urgentes que devem ser tomadas. Para ela, as lições aprendidas com a pandemia de Covid-19 devem se concretizar, melhorando a governança do risco.

Ela afirma que ainda não há estruturas para gerenciar riscos, seja de uma crise de saúde global ou de um tsunami. E por isso deve haver fortes investimentos na geração de dados.

Para a vice-secretária-geral, por meio de instrumentos multilaterais, a ONU deve apoiar ecossistemas de informações que possam antecipar, prevenir e responder a riscos complexos, antes que eles se transformem em desastres completos.

Consequências de longo prazo

Mohammed ainda reforça que é necessário focar nos países menos desenvolvidos e insulares, que sofrem “desproporcionalmente” com os desastres.

Ela lembrou que os desastres acabam com décadas de progresso do desenvolvimento e crescimento econômico em um único evento, com consequências econômicas e sociais de longo prazo muito graves. 

Por fim, a vice-secretária-geral da ONU afirma que os setores público e financeiro devem ser à prova de risco e adicionou que é necessário “pensar a resiliência”, contabilizar o custo real dos desastres e incentivar a redução de riscos, para “interromper a espiral de perdas por desastres”.

Ainda em Bali, Amina Mohammed se reuniu com a vice-presidente da Zâmbia, Mutale Nalumango, e com outros altos funcionários do governo e parceiros da ONU. Ela também visitou a escola primária Tanjong Benoa para observar um ensaio de emergência de tsunami com mais de 200 alunos e professores.

 

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