Mulheres na política levam a sociedades mais pacíficas, diz ex-líder da Assembleia Geral
BR

30 maio 2022

Ex-presidente da Casa, María Fernanda Espinosa, falou à ONU News durante passagem por Nova Iorque, onde se reuniu com o atual presidente, Abdulla Shahid, e outros atores junto às Nações Unidas sobre necessidade de aumentar presença de mulheres em cargos eletivos.

Neste ano de 2022, dezenas de países realizam eleições legislativas e presidenciais. Para a ONU Mulheres, mais uma vez, surge a chance, em várias partes do mundo, de aumentar a presença feminina em cargos eletivos.

Em todo o globo, apenas 25,5% dos assentos em Parlamentos são ocupados por mulheres. Os homens detêm ali três de cada quatro cadeiras.

Ambiente político seguro para as mulheres

O desnível na representação foi debatido em março deste ano durante a 66ª. Sessão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, nas Nações Unidas.

Vários representantes dos países-membros da ONU reconheceram que as mulheres sofrem mais hostilidade que homens, o que acaba desencorajando a participação delas na política.

Um outro problema são as plataformas digitais e o discurso de ódio direcionado a mulheres na política.

Nesta entrevista à ONU News, no início deste mês, a ex-presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, falou de seu tempo como ministra da Defesa, no Equador, uma área ainda dominada por homens. Para ela, a única saída é aumentar a participação feminina nas esferas de poder.

Uma representante feminina eleita motiva outras mulheres a se posicionarem e expressarem suas opiniões em Rajasthan, Índia
ONU Mulheres/Ashutosh Negi
Uma representante feminina eleita motiva outras mulheres a se posicionarem e expressarem suas opiniões em Rajasthan, Índia

“Não conheço na história grandes guerras iniciadas por mulheres”

“As coisas estão melhorando, mas estou convencida de que se tivermos mais mulheres ministras da Defesa e mais mulheres na política, teremos sociedades pacíficas e menos guerras. Não conheço na história grandes guerras que foram iniciadas por mulheres. Nós somos, naturalmente, arquitetas de pontes, de diálogo, de diplomacia. Eu recebi fortes comentários da opinião pública (enquanto ministra da Defesa no Equador), com os meios de comunicação se preocupando mais com o que eu estava vestindo, se eu repetia uma roupa, do que com o conteúdo do que eu estava dizendo ou que o trabalho que estava fazendo. Eu creio que existe muito caminho a percorrer, e acho que os meios de comunicação têm que ser aliados dessa luta pela igualdade e da presença de mulheres em espaços de decisão.”

Chefe da ONU Mulheres falou de sinais de alerta com combinação de deslocamentos em massa com a grande presença de recrutados, mercenários e brutalidade aos civis
ONU/Manuel Elias
Chefe da ONU Mulheres falou de sinais de alerta com combinação de deslocamentos em massa com a grande presença de recrutados, mercenários e brutalidade aos civis

Agenda 2030 não avançará sem as mulheres

Para a ex-presidente da Assembleia Geral, que também foi chanceler e embaixadora, a participação de mulheres ajuda a construir sociedades mais pacíficas. Espinosa integra desde que deixou a ONU, o grupo Global Women Leaders Voice, que também conta com ex-subsecretárias-gerais das Nações Unidas.

Segundo a União Interparlamentar, até 1 de janeiro de 2021, apenas 5,9% dos chefes de Estado eram mulheres ou seja 9 de 152.  Já os governos liderados por mulher representavam 6,7% ou seja 13 de 193.

Durante o evento da CSW, em março, em Nova Iorque, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, pediu a todos os países que ajudem a tornar o ambiente político um local seguro para mulheres que queiram exercer seus direitos.

Para ela, não haverá avanços com a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável enquanto as mulheres não assumirem seu espaço em tomadas de decisão e poder.

 

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