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“Equidade de gênero na política é importante não apenas para as mulheres”, diz Banco Mundial BR

Uma representante feminina eleita motiva outras mulheres a se posicionarem e expressarem suas opiniões em Rajasthan, Índia
ONU Mulheres/Ashutosh Negi
Uma representante feminina eleita motiva outras mulheres a se posicionarem e expressarem suas opiniões em Rajasthan, Índia

“Equidade de gênero na política é importante não apenas para as mulheres”, diz Banco Mundial

Mulheres

Apesar de serem maioria da população e 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres representam apenas 15% de parlamentares, 11% de ministros, e só ocuparam o cargo de chefe de Estado uma vez no país.

Em fevereiro, o Brasil marcou 90 anos do voto feminino. As brasileiras estão entre as primeiras mulheres na América Latina a conquistar o direito de comparecimento às urnas em eleições.

Apesar disso, o país tem hoje uma baixa representação de mulheres na política partidária e em cargos de representação política.

As brasileiras estão entre as primeiras mulheres na América Latina a conquistar o direito de comparecimento às urnas em eleições
Pnud/Tiago Zenero
As brasileiras estão entre as primeiras mulheres na América Latina a conquistar o direito de comparecimento às urnas em eleições

Estabilidade e inclusão

Esta é uma das preocupações do Banco Mundial, que considera a paridade de gênero na vida pública um ativo para a sociedade como um todo.

A especialista-sênior em gênero do Banco Mundial, Paula Tavares, afirma que é preciso mudar essa equação incentivando a participação feminina nos espaços de decisão.

“A equidade de gênero na política é importante não apenas para as mulheres, pois tem também amplas implicações econômicas e sociais. Uma maior representação feminina está ligada a maior estabilidade e inclusão econômicas, melhores resultados democráticos e níveis mais elevados de paz e prosperidade. No Brasil, o aumento da participação política de mulheres em nível local também demonstrou reduzir a violência de gênero.”

Nos países da América Latina, a taxa de desemprego juvenil ainda é preocupante, e poderia chegar a 20,5% em 2022
Unsplash/Feliphe Schiarolli
Nos países da América Latina, a taxa de desemprego juvenil ainda é preocupante, e poderia chegar a 20,5% em 2022

Sufrágio feminino

Paula Tavares ressalta a posição brasileira no Índice de Empoderamento Político do Relatório Global de Desigualdade de Gênero, apenas a 108ª colocação entre 155 países.

“Embora as brasileiras estejam entre as primeiras a conquistar o direito de voto na América Latina, sua relativa participação política está aquém de grande parte da região. Na Nicarágua, por exemplo, onde o sufrágio feminino foi implantado em 1955, 61% da lacuna de empoderamento político foi fechada. Como resultado, o país ficou na 5ª posição no último ranking global”.

O Banco Mundial lembra que a equidade na participação política é reflexo de uma sociedade igualitária, na qual se vê um elevado grau de autonomia financeira feminina, assim como um maior valor do seu trabalho.

Mulheres negras, indígenas e jovens ainda lutam contra os desafios pela iguadade de gênero.
Foto: Rocío Franco
Mulheres negras, indígenas e jovens ainda lutam contra os desafios pela iguadade de gênero.

Conquistas recentes

Para Paula Tavares, esses aspectos contribuem para empoderar a mulher dentro da família e na sociedade, elevando sua autoestima e seu sentido de cidadania.

Ela afirma que no Brasil, assim como em diversos países, as perspectivas políticas das mulheres são prejudicadas por barreiras econômicas, sociais, institucionais e culturais baseadas no gênero”.

Importantes conquistas para as mulheres foram registradas em 2021, a exemplo da determinação da contagem em dobro dos votos dados as candidatas do sexo feminino e também aos negros, para fins de distribuição entre os partidos dos recursos do fundo eleitoral. Outro ponto de destaque no ano passado foi a aprovação da legislação para combater a violência política contra a mulher, incluindo-a, de maneira mais ampla, entre os crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Mulheres em uma reunião de grupo de auto-ajuda na vila de Bhatajhari, Índia
© Unicef/Ashima Narain
Mulheres em uma reunião de grupo de auto-ajuda na vila de Bhatajhari, Índia

Violência política

A especialista do Banco Mundial defende que existam regras para a presença de mulheres em listas partidárias.

“São necessárias medidas para possibilitar o monitoramento e a punição mais contundentes de violações dos direitos políticos das mulheres, do descumprimento de legislação, inclusive de cotas, e de ocorrências de violência política. Também devem ser adotadas regras para favorecer a colocação de candidatas em listas partidárias e promover a liderança feminina em órgãos partidários, bem como para garantir a maior representatividade de mulheres, a exemplo da reserva de vagas. Iniciativas como essas poderiam servir para aumentar de forma mais efetiva a participação feminina na política brasileira”.

Em todo o mundo, a maior participação das mulheres na política permanece um desafio. Menos de três em cada 10 mulheres ocupam cadeiras em parlamentos. Já a quantidade de chefes de Estado ou de Governo mulheres é de pouco mais de 10%, no mundo.

 

*Do Banco Mundial, em Brasília, Sidrônio Henrique.