Cinco coisas que você precisa saber sobre a fístula obstétrica
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23 maio 2022

Cerca de 500 mil mulheres em todo o mundo vivem com o problema, a maioria em países em desenvolvimento; a fístula é uma lesão arrasadora durante o parto para as mulheres; em 90% dos casos, a criança morre; mas é possível prevenir e tratar a fístula obstétrica.

Este 23 de maio é o Dia Internacional para Acabar com a Fístula Obstétrica.

Este ano, o tema é “Acabe Agora com a Fístula: Invista em Cuidados de Saúde de Qualidade, Empoder as Comunidades”.

A fístula é uma ruptura no canal vaginal geralmente causada por partos demorados ou obstruções na hora de dar à luz
Unfpa
A fístula é uma ruptura no canal vaginal geralmente causada por partos demorados ou obstruções na hora de dar à luz

Problemas mentais

A fístula é uma ruptura no canal vaginal geralmente causada por partos demorados ou obstruções na hora de dar à luz, e pela ausência de cuidados médicos. A fistula obstétrica causa incontinência e vazamento das fezes.

Se não for tratada, pode gerar infecção, doença e infertilidade. Muitas mulheres acabam marginalizadas, estigmatizadas e isoladas.

E em alguns casos, elas são abandonadas por maridos, parceiros e família, perdem oportunidades de empregos, são lançadas na pobreza e podem até começar a sofrer de problemas mentais.

OMS quer maior consciência nos sistemas de saúde para combater a fístula obstétrica
Unfpa/Yemen
OMS quer maior consciência nos sistemas de saúde para combater a fístula obstétrica

Casamento infantil

A fístula obstétrica é também uma doença de países pobres e do sistema de saúde precário. Em nações ricas, ela quase não existe. Em todo o mundo, 500 mil meninas e mulheres vivem com o problema.

Meninas jovens demais ou vítimas de casamento infantil são mais propensas à fístula obstétrica.

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, lembra que essa é uma lesão evitável e tratável. Em 55 países, a agência lidera uma campanha para acabar com a fístula. A lesão pode ser tratada com uma cirurgia de reconstrução do canal vaginal, mas muitas mulheres e meninas não sabem acessar os cuidados ou as informações.

Vítima de fistula na Tanzânia
Unfpa Tanzania/Bright Warren
Vítima de fistula na Tanzânia

Cirurgias reparadoras

Somente o Unfpa já apoiou 120 mil cirurgias reparadoras.

A fístula é a causa de 8% dos casos de mortes maternas e em 90% das ocorrências resulta na morte do bebê.

As meninas e mulheres mais afetadas vivem em mais de 55 países na África Subsaariana, Ásia e Pacífico, Estados Árabes, América Latina e Caribe.

Os países-membros da ONU aprovaram uma resolução para acabar com a fístula até 2030.

A fístula obstétrica é um tema de desenvolvimento e de saúde pública, mas é também uma questão de direitos humanos. Um assunto que dá a cada um o direito à saúde, à vida e à dignidade.

 

 

1.Existem tipos diferentes de fistula obstétrica

Enquanto o tipo mais comum é uma cavidade entre o canal de nascimento e a bexiga (chamado fístula vesicovaginal), outros tipos incluem:

Fístula retovaginal: Buraco entre canal de nascimento e o reto

Fístula uretrovaginal: Buraco entre canal de nascimento e uretra (carrega urina da bexiga para fora do corpo) 

Fístula ureterovaginal: Buraco entre ureteres do canal de nascimento (levar urina à bexiga) e canal de nascimento

Fístula vesicouterina: Cavidade entre bexiga e útero

Algumas fístulas são causadas durante operações ginecológicas (por exemplo, histerectomia) e cesarianas devido a cuidados de saúde abaixo do padrão assim como habilidades cirúrgicas inadequadas. São chamadas fístulas iatrogênicas. Fístulas traumáticas são causadas por violência sexual, especialmente em áreas de conflito; a destruição da vagina é considerada uma lesão de guerra.

 

2. As consequências físicas, sociais e psicológicas são arrasadoras

As mulheres que vivem com a fístula experimentam sofrimento físico e emocional ao longo da vida.

A condição pode levar a infecções, doença renal, feridas dolorosas, infertilidade e até à morte. O odor constante de urina e fezes deixa as mulheres envergonhadas e estigmatizadas, abandonadas por seus amigos e familiares e comunidades.

Muitas sofrem de depressão, pensamentos suicidas e outros problemas de saúde mental. Elas também têm mais tendência à pobreza e vulnerabilidade. 

 

3. Mulheres jovens são mais vulneráveis

Aos 13 anos, Razia Shamshad se casou e engravidou. Depois de passar por um parto obstruído, por quatro dias, com uma parteira não qualificada, ela desenvolveu uma fístula obstétrica e um bebê natimorto.

A recuperação de Shamshad finalmente ocorreu, mas somente após várias cirurgias. Ela disse que "nenhuma mulher merece viver nessa situação deplorável principalmente quando existe tratamento.”

A fístula não discrimina por idade, mas as mulheres jovens são mais expostas à situação porque seus corpos ainda não estão formados e preparados para o parto.

Nove em cada 10 nascimentos de meninas entre 15 e 19 anos ocorrem em casamento ou união. Em todo o mundo, as complicações da gravidez e do parto são a principal causa de morte entre meninas entre 15 e 19 anos. É só mais uma razão pela qual o Unfpa trabalha para erradicar a prática do casamento infantil. 

 

4. A fistula é mais comum em situação de pobreza e desigualdade

A fístula obstétrica desapareceu em países ricos com sistemas de saúde de qualidade e profissionais qualificados, que podem realizar cesarianas. Mas em países pobres, parteiras bem treinadas são parte da solução. A Confederação Internacional de Parteiras afirma que "acabar com a fístula obstétrica requer o envolvimento total das parteiras nos níveis comunitário, nacional, regional e global".

Além da falta de serviços de saúde de qualidade, a pobreza é um grande risco social porque está associada ao casamento precoce e à desnutrição. O subdesenvolvimento da pelve, bem como a desnutrição, a baixa estatura e as condições de saúde geralmente levam a fatores fisiológicos para o trabalho de parto obstruído. No entanto, mulheres mais velhas que já tiveram bebês também estão em risco.

Além disso, devido à desigualdade de gênero em muitas comunidades, as mulheres não têm autonomia para decidir quando começar a ter filhos ou onde dar à luz.

Maseray Bangura, que foi submetida a uma cirurgia de reparação de fístulas no Centro Feminino de Aberdeen, em Freetown, Serra Leoa, disse que sua dignidade foi restaurada. A construção da capacidade hospitalar para erradicar a fístula é apoiada pela Islândia e pelo Unfpa como parte da Campanha para acabar com a Fístula.

 

5. A fístula é tratável e sobretudo é evitável

Nem todos sabem que até 95% das fístulas podem ser fechadas com cirurgia. Um reparo cirúrgico custa US$ 600, mas que para a maioria das mulheres com fístulas é considerada uma fortuna. Muitas não sabem que existe tratamento para a fístula. Por meio de sua assistência aos países e da Campanha para acabar com a Fístula, o Unfpa apoiou mais de 121 mil cirurgias reparadoras que mudaram a vida dessas mulheres em 2003 e treinou milhares de profissionais de saúde para prevenir e tratar fístulas. 

Mas antes mesmo de chegar à fase de tratamento, o foco deve ser a prevenção. Estas medidas incluem acesso ao planejamento familiar, assistentes de parto qualificados e atendimento obstétrico de emergência. Abordar fatores sociais que contribuem para a fístula como casamento infantil, união e gravidez precoces, educação das meninas, pobreza e falta de autonomia das mulheres também faz parte da estratégia campanha para acabar com a fístula.

Ter a vida comprometida por trazer vida nova é um destino arrasador. Mas com consciência e vontade, o objetivo de erradicar a condição até 2030 é alcançável. 

 

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