Sahel está perto de recorde de sete anos de casos de pessoas com fome
BR

20 maio 2022

Burquina Fasso, Chade, Mali e Níger próximos de registrar níveis de emergência; situação nos quatro países ameaça 1,7 milhão de pessoas; efeitos da guerra na Ucrânia podem levar a desastre humanitário na área africana.

Até 18 milhões de pessoas enfrentarão grave insegurança alimentar no próximo trimestre na região africana do Sahel.

Nesta sexta-feira, o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários, Ocha, alertou que o número é o mais alto desde 2014.

Famílias

Prevê-se que a situação da desnutrição afete  7,7 milhões de crianças menores de cinco anos. No momento, existem 1,8 milhão em estado grave.

O Ocha alerta que esse número pode chegar a 2,4 milhões se não houver mais ajuda até o final do ano.

 Amarcia é uma das 1,5 milhões de pessoas que foram deslocadas no Níger devido ao conflito na região central do Sahel
OIM/Monica Chiriac
Amarcia é uma das 1,5 milhões de pessoas que foram deslocadas no Níger devido ao conflito na região central do Sahel

 

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, advertiu sobre o cenário onde “famílias inteiras estão à beira da fome”.

O também coordenador da Ajuda de Emergência  apontou como motivos a combinação de violência, insegurança, pobreza profunda e preços recordes de alimentos que acentuam a desnutrição e levam milhões de habitantes à margem da sobrevivência.

A alta de preços dos alimentos é impulsionada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia. A situação ameaça transformar a crise de segurança alimentar em um desastre humanitário.

Escassez

O chefe humanitário disse que se o mundo não agir agora, as pessoas perecerão.

Entre as imensas necessidades básicas no Sahel estão abrigo, água, saneamento e saúde.
Foto Ocha/ Giles Clarke
Entre as imensas necessidades básicas no Sahel estão abrigo, água, saneamento e saúde.

 

A situação é alarmante em Burquina Fasso, Chade, Mali e Níger. Cerca de 1,7 milhão de pessoas devem  atingir emergência em insegurança alimentar na época de escassez entre junho e agosto.

A etapa é caraterizada por  “grandes lacunas” no consumo de alimentos, altos níveis de desnutrição aguda e mortes associadas.

Nessa realidade, as famílias são forçadas a vender, por exemplo, suas ferramentas agrícolas e outros bens necessários para o sustento e sobrevivência.

O Fundo Central de resposta de Emergência colocou US$ 30 milhões para  ajudar a atender às necessidades mais urgentes de segurança alimentar e nutrição.

Comunidades resilientes

O valor faz subir para US$ 95 milhões o montante concedido ao Sahel desde o início do ano, incluindo a Mauritânia e Nigéria.  

Griffiths alertou que “não há tempo a perder” diante de uma realidade em que “vidas estão em jogo”.

O chefe humanitário destacou que o montante liberado pode apoiar, mas não  substitui o apoio de doadores que é necessário para manter a resposta e ajudar a construir comunidades resilientes.

Para 2022, a região requer um total de US$ 3,8 bilhões para garantir a entrega de ajuda.

Pastores guiam seus rebanhos no Niger, no Sahel
FAO/Giulio Napolitano
Pastores guiam seus rebanhos no Niger, no Sahel

 

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