ONU expressa solidariedade a famílias de 100 mil desaparecidos no México
BR

18 maio 2022

António Guterres expressou “profunda tristeza” com situação; para ele, “governo mexicano tem tomado medidas positivas para garantir direito das vítimas”. 

Mais de 100 mil pessoas foram oficialmente reconhecidas como desaparecidas no México. Deste total, mais de 83 mil foram casos de 2006 para cá. 

Na nota divulgada por seu porta-voz, António Guterres prestou solidariedade às famílias das vítimas e reconheceu o esforço que tem sido feito por verdade, justiça e garantias para prevenir novos desaparecimentos.  

Direitos das vítimas 

Civis protestam no México após desaparecimento de 43 estudantes.
Foto: UNIC/Mexico
Civis protestam no México após desaparecimento de 43 estudantes.

Segundo o chefe da ONU, o governo mexicano “tem tomado medidas positivas para garantir os direitos das vítimas de desaparecimentos e incentiva as autoridades do país a continuar acelerando os progressos”. 

Para Guterres, algumas dessas medidas estão sendo implementadas com o apoio das Nações Unidas, incluindo o Escritório da Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos e o Comitê da ONU sobre Desaparecimentos Forçados.  

Na nota, o chefe da ONU reafirma o compromisso da organização em acompanhar o México nos esforços de prevenção e combate aos desaparecimentos, que são “uma séria violação dos direitos humanos”.  

Virada em 2006 

Os 100 mil casos foram registrados desde 1964, segundo dados oficiais do governo. Cerca de um quarto das pessoas desaparecidas eram mulheres e 20% de todas as vítimas tinham menos de 18 anos.  

Os números também mostram que mais de 83 mil desaparecimentos aconteceram a partir de dezembro de 2006, quando o presidente Felipe Calderón assumiu o poder e instaurou um modelo militar de segurança pública.  

A alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, destacou que apesar da enorme quantidade de casos de desaparecidos, apenas em 35 ocasiões houve condenação dos responsáveis. Ela considera que a taxa de impunidade alta está ligada à falta de investigações eficazes.  

Entre 1965 e 1990, durante a chamada “guerra suja”, os desaparecimentos no México tinham principalmente motivações políticas. A partir de 2006, o contexto mudou, com a “guerra contra o narcotráfico e o crime organizado”, declarada por Calderón, que presidiu o país entre 2006 e 2012.  

 

 

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