Guterres pede mais recursos para combater ataques terroristas no Sahel
BR

2 maio 2022

Secretário-geral da ONU faz visita a África Ocidental; após Senegal e Níger, ele segue para Nigéria; dados das Nações Unidas apontam que dobrou o número de em insegurança alimentar aguda desde 2020 e estima que 15% da população do Níger precisará de assistência humanitária em 2022.

O número de ataques terroristas na região africana do Sahel “continua a aumentar” segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, que chegou segunda-feira à capital do Níger, Niamey.

Essa é a segunda parada na passagem do chefe das Nações Unidas pela África Ocidental para marcar o mês sagrado muçulmano do Ramadã. Ele esteve em Senegal no domingo e segue para Nígéria na terça-feira.

Níger é a segunda parada na viagem do chefe das Nações Unidas pela África Ocidental para marcar o mês sagrado muçulmano do Ramadã
UN Photo/Eskinder Debebe
Níger é a segunda parada na viagem do chefe das Nações Unidas pela África Ocidental para marcar o mês sagrado muçulmano do Ramadã

Terrorismo

Falando depois de se encontrar com o presidente do Níger, Mohamed Bazoum, ele disse que a “comunidade internacional deve perceber” que o terrorismo “não é apenas uma questão regional ou africana, mas que ameaça o mundo inteiro”.

Ele reforçou seu apelo por mais recursos para enfrentar o problema, dizendo que “paz, estabilidade e prosperidade no Níger e em todo o Sahel continuam sendo uma prioridade absoluta para as Nações Unidas”.

O presidente Mohamed Bazoum reconheceu o compromisso de Guterres em encontrar uma solução para o problema do terrorismo, dizendo que é uma questão dinâmica e evoluiu, assim, é necessário “adaptar a resposta”.

O antigo presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, concordou com um pedido do líder da União Africana e do secretário-geral das Nações Unidas para liderar uma Avaliação Estratégica Conjunta sobre a segurança no Sahel com foco no desenvolvimento de recomendações sobre como fortalecer a resposta internacional à crise de segurança no Sahel.

A avaliação será realizada em consulta com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e o Secretariado Conjunto do Grupo dos Cinco.

Vítimas civis

A ONU diz que a insegurança no Níger está sendo impulsionada por diversas razões e Guterres observou que “os civis são frequentemente as primeiras vítimas” quando a violência ocorre.

Os números sugerem que quase oito em cada dez vítimas de ataques são civis.

Uma série de grupos armados extremistas estão operando principalmente nas regiões de Tillabéri, Tahoua e Diffa no noroeste, sul e sudeste do país, respectivamente.

Na região de Maradi, no sul, grupos armados que operam da Nigéria frequentemente cruzam a fronteira para realizar ataques. Membros com armas dentro do Níger também são uma ameaça significativa.

Em 2021, o Índice Global de Terrorismo atribuiu 588 mortes no Níger ao terrorismo, o maior número na última década.

Na região de Tillabéri, as mortes mais que dobraram entre 2020 e 2021.

Crise múltipla

A insegurança é apenas uma parte do que o secretário-geral chamou de “uma crise multidimensional de escala extraordinária”.

As mudanças climáticas, o aumento da insegurança alimentar, a desnutrição e os preços recordes dos alimentos, alimentados pela guerra na Ucrânia, contribuíram para necessidades humanitárias sem precedentes.

A ONU afirma que o número de pessoas com insegurança alimentar aguda mais que dobrou desde 2020 e estima que 15% da população de 25 milhões do Níger precisará de assistência humanitária em 2022.

Em um país onde 80% da população depende da agricultura para subsistência, a insegurança e as mudanças no clima contribuíram para sua incapacidade de se alimentar.

O Índice de Desenvolvimento Humano de 2019, que mede os indicadores de expectativa de vida, educação e renda, classificou o Níger como o menos desenvolvido dos 189 países da lista.

Esperança para o futuro

Apesar dos muitos desafios que o Níger enfrenta, o secretário-geral das Nações Unidas disse à mídia em Niamey que ainda há “esperança” e que a ONU deve apoiar os jovens nigerianos, especialmente as mulheres, para acessar oportunidades para criar um mundo melhor no futuro.

Ele disse que “um impulso positivo no Níger” pode levar a um ciclo virtuoso de mudanças em toda a região.

Guterres segue para a Nigéria na terça-feira.

 

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