Conselho de Direitos Humanos pode ajudar países a conviver melhor com ONGs BR

O presidente do Conselho de Direitos Humanos, Federico Villegas Beltrán, durante entrevista para a ONU News
Reprodução/UNTV
O presidente do Conselho de Direitos Humanos, Federico Villegas Beltrán, durante entrevista para a ONU News

Conselho de Direitos Humanos pode ajudar países a conviver melhor com ONGs

Direitos humanos

Novo presidente do órgão, embaixador Federico Villegas Beltrán, diz que em algumas partes do mundo, organizações da sociedade civil são vistas como inimigas, mas que elas podem sim ser “sócias dos Estados” para o desenvolvimento e direitos humanos.

Uma parceria mais forte de defensores de direitos humanos, representantes da sociedade civil e organizações não-governamentais, ONGs, com Estados e governos em prol do desenvolvimento sustentável.

É a proposta que o novo presidente do Conselho de Direitos Humanos está apresentando aos 47 membros do órgão durante seu mandato de um ano à frente do grupo.

Escritório de Direitos Humanos da ONU
Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
Escritório de Direitos Humanos da ONU

O exemplo da Argentina

Desde que foi eleito, em dezembro, o embaixador da Argentina junto à ONU, em Genebra, afirma que é preciso desenvolver novos padrões de combate à discriminação e promover os direitos. Para Federico Villegas, todos têm a ganhar quando existe mais cooperação dos países com a sociedade civil.

“Eu acho que nós temos que achar uma forma de conhecer as organizações da sociedade civil como sócios dos Estados para o desenvolvimento com a perspectiva dos direitos humanos. Porque o problema que temos é que há muitos países, por exemplo a Argentina, onde estamos muito, muito habituados a trabalhar com organizações. E para nós, é muito comum, ter uma organização da sociedade civil, que de manhã critica o governo, e à tarde está com o governo a ajudar a desenvolver uma política pública. Tem dois (roles) papéis. E os dois papéis são válidos.  E nós respeitamos. Mas muitos países não têm essa experiência. Só veem as ONGs como aquelas que criticam, que são financiadas por outros países etc. Mas temos que ajudar, no Conselho, a descobrir este outro papel das ONGs. Assim é como se pode mudar padrões de discriminação e outras questões.”

América Latina é uma das regiões mais perigosas do mundo para defensores de direitos humanos
Unsmil/Iason Athanasiadis
América Latina é uma das regiões mais perigosas do mundo para defensores de direitos humanos

Acordo de Escazú e Guerra na Ucrânia

Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, a América Latina é uma das regiões mais perigosas do mundo para defensores de direitos humanos. Somente na Colômbia foram pelo menos 78 assassinatos em 2021.

No ano passado, entrou em vigor o Acordo de Escazú, o primeiro tratado ambiental da América Latina e Caribe, que promove a segurança e proteção dos ativistas em seu trabalho.

O presidente do Conselho de Direitos Humanos, Federico Villegas, disse também que o mundo precisa investir ainda mais no multilateralismo nesse momento de crise e conflitos, incluindo a guerra na Ucrânia. Para ele, é hora de construir pontes e de resgatar o espírito da criação da ONU, de 1945, ao gerar união entre as nações.

Leia aqui a íntegra da entrevista de Federico Villegas à Mônica Villela Grayley, da ONU News.