Perspectiva Global Reportagens Humanas

Dois geoparques do Brasil são escolhidos para lista global da Unesco BR

Três turistas contemplam os cânions do sul do Brasil, dois deles tirando fotos.
© Priscila Ventura Na lista está o Geoparque Global Caminhos dos Cânions do Sul, no Brasil

Dois geoparques do Brasil são escolhidos para lista global da Unesco

Cultura e educação

Região de Seridó, no semiárido nordestino, e Caminhos dos Cânions do Sul, no sul do país, integram relação com seis outros nomes; área total é equivalente ao tamanho do Japão; Rede Global de Geoparques tem 177 nomes em 46 países.

O Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, aprovou a nomeação de oito novos Geoparques Globais, ampliando o número de locais que participam da Rede Global de Geoparques para 177 em 46 países.

Luxemburgo e Suécia integram a lista com sítios naturais. Já o Brasil ganhou duas designações: a região de Seridó, área de 2.800 km² no semiárido nordestino, e os Caminhos dos Cânions do Sul, no sul do Brasil, que abrange 2.830,8 km².

Vista aérea da Gruta de Melissani, um Geoparque Global da Unesco na Grécia, mostrando um lago cárstico azul profundo com um barco na superfície.
© Kefalonia-Ithaca A caverna Melissani, na Grécia, também está na lista de Geoparque Global da Unesco

Geoparque Global

Ficaram de fora Ásia, África e região árabe devido às restrições causadas pela pandemia.

O selo do Geoparque Global da Unesco reconhece os patrimônios geológicos de importância internacional. Os Estados-membros da agência assinaram, por unanimidade, a sua criação em 2015.

Os sítios desta rede apresentam diversidade geológica que sustenta a diversidade biológica e cultural de diferentes regiões. Os geoparques atendem as comunidades locais, combinando a conservação com o alcance público e o desenvolvimento sustentável.

Com essas oito novas designações, a Rede agora cobre uma superfície mundial de 370.662 km², equivalente ao tamanho da área do Japão.

Vista aérea do Geoparque Global da Unesco Seridó, no Brasil, mostrando um rio serpenteando por um terreno verdejante e montanhoso.
© Getson Luís, Seridó Unesco O Geoparque Global Seridó abriga mais de 120 mil habitantes, incluindo comunidades como os quilombolas

Brasil

O Geoparque Global Seridó abriga mais de 120 mil habitantes, incluindo comunidades como os quilombolas, que mantêm viva a memória de seus ancestrais escravizados da África para preservar sua cultura por meio de práticas tradicionais, museus e centros culturais.

De acordo com a Unesco, o local possui 600 milhões de anos da história da Terra e abriga uma das maiores mineralizações de scheelita da América do Sul, um importante minério de tungstênio, além de fluxos de basalto decorrentes da atividade vulcânica durante as Eras Mesozóica e Cenozóica.

Essa geodiversidade determina em grande parte a biodiversidade única da região, caracterizada especialmente pela Caatinga, floresta branca na língua tupi.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte de seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta.

Vista aproximada de um vulcão de lama ou piscina de lama no Geoparque Global da Unesco Buzău, na Romênia.
Unesco A Terra de Buzău, na Romênia, também foi nomeada Geoparque Global da Unesco

Sul do Brasil

Já o Geoparque Global Caminhos dos Cânions do Sul abriga mais de 74 mil habitantes. A região é caracterizada pela Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais ricos do planeta em termos de biodiversidade.

Os habitantes pré-colombianos da área costumavam se abrigar em paleotocas (cavidades subterrâneas escavadas por extinta megafauna paleovertebrada como a preguiça gigante) cujos numerosos vestígios ainda são visíveis no geoparque.

Além disso, o local apresenta os cânions mais impressionantes da América do Sul, formados pelos processos geomorfológicos únicos que o continente sofreu durante a dissolução do supercontinente Gondwana há cerca de 180 milhões de anos.

Vista aérea do Geoparque Salpausselkä, na Finlândia, mostrando uma ponte suspensa sobre um lago com um longo istmo arborizado conectando duas massas de terra.
© Salpausselkä Geopark/Johannes Sipponen Os outros seis integrantes da nova lista da Unesco ficam na Europa. O primeiro é o Salpausselkä, na Finlândia

Europa

Os outros seis integrantes da nova lista da Unesco ficam na Europa. O primeiro é o Salpausselkä, na Finlândia, na parte mais meridional do Lakeland finlandês, cobrindo uma área de 4.506 km². Cerca de 21% do geoparque é coberto por água e mais da metade por florestas.

O Ries, com a maior parte no estado da Baviera, na Alemanha, também completa a lista. No local, os visitantes podem explorar a cratera de impacto de Nördlinger Ries e aprender sobre sua geologia e história seguindo trilhas naturais por conta própria ou em visitas guiadas.

Ao sul do continente, na Grécia Ocidental, o Geoparque Mundial da Cefalônia – Ithaca também foi nomeado, sendo um complexo de ilhas. O local é rico em geossítios de origem cárstica como cavernas, dolinas e riachos subterrâneos, todos espalhados pelas ilhas contando uma história geológica que remonta a mais de 250 milhões de anos.

Formações rochosas de arenito em camadas numa floresta no Geoparque Global da Unesco Mellerdall, no Luxemburgo.
© NGPM, Uli Fielitz Berdorf, Mëllerdall, em Luxemburgo, também foi nomeado Geoparque Global da Unesco

Trilhas

No leste de Luxemburgo, outro selecionado foi o geoparque rural Mëllerdall. Segundo a Unesco, o local possui uma das paisagens de arenito mais espetaculares da Europa Ocidental. O local tem sido uma atração turística desde o final do século 19 e hoje a região pode ser explorada seguindo uma densa rede de trilhas bem-sinalizadas.

A Romênia também possui um geoparque na rede, o Buzău Land. Localizado na área da Curva dos Cárpatos, o território montanhoso cobre 1.036 km² e abriga cerca de 45 mil habitantes.

A Unesco explica que a geodiversidade influenciou uma herança cultural única com lendas locais em que vulcões de lama se tornam dragões e caldeiras de lama são armadilhas feitas por gigantes para pegar gado.

Uma formação rochosa rachada ao pôr do sol, com a água refletindo o céu.
© Henrik Theodorsson Completa a lista o Platåbergens, no oeste da Suécia. De acordo com a Unesco, a região montanhosa foi moldada pela erosão durante a última Idade do Gelo

Idade do Gelo

Completa a lista o Platåbergens, no oeste da Suécia. De acordo com a Unesco, a região montanhosa foi moldada pela erosão durante a última Idade do Gelo, 115 mil anos atrás.

Algumas das descobertas históricas mais interessantes da Suécia foram feitas nesta área, onde os museus preservam numerosos vestígios que testemunham o uso da pedra local pelos habitantes ao longo dos milênios: desde túmulos megalíticos até a primeira igreja de pedra conhecida na Suécia, construída pelos vikings cristãos no início do século 11.