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Unicef em Moçambique pede melhor proteção de crianças em conflito BR

Um grupo diversificado de pessoas usando máscaras posa para uma foto na escadaria de um prédio em Moçambique, participando de uma campanha da Unicef contra a violência.
UNICEF Moçambique/Cremildo Assane O Unicef organizou o Fórum sobre os Direitos da Criança: situação das crianças afetadas pelo conflito armado em Moçambique

Unicef em Moçambique pede melhor proteção de crianças em conflito

Paz e segurança

Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apela por união para proteger e defender os direitos dos menores; representante da agência, Maria Luísa Fornara, aposta em cooperação e compromisso; ativista Graça Machel fala sobre inclusão.

O Unicef em Moçambique e parceiros estão preocupados com o recrutamento de crianças para grupos armados.

A situação de crianças em conflito é um tema que preocupa, cada vez mais a agência da ONU no país, especialmente com os confrontos de grupos armados e forças do governo na província de Cabo Delgado, no norte do país.

Maria Luisa Fornara discursa em um pódio durante um evento da Unicef em Moçambique.
UNICEF Moçambique/Cremildo Assane A representante do Unicef em Moçambique, Maria Luísa Fornara, disse que é responsabilidade de todos proteger as crianças e que medidas devem ser tomadas

Reflexão

Para debater o tema da proteção dos menores, o Unicef organizou o Fórum sobre os Direitos da Criança: situação das crianças afetadas pelo conflito armado em Moçambique.

Na reflexão, os participantes abordaram ainda a necessidade de intercâmbio sobre a situação dessas crianças e como as diferentes entidades podem garantir o direito dos menores em qualquer circunstância.

A representante do Unicef em Moçambique, Maria Luísa Fornara, disse que é responsabilidade de todos proteger as crianças e que medidas devem ser tomadas já para evitar que elas se juntem a grupos armados.

“As crianças são um dos grupos mais vulneráveis em cenários de conflito e a sua utilização dentro de grupos armados pode ter impactos duradouros na sua saúde e bem-estar, bem como no futuro da sociedade. É nossa responsabilidade coletiva unirmo-nos para proteger as crianças e defender os seus direitos.”

Um grupo de crianças está sentado em um tapete estampado, desenhando e brincando com blocos coloridos.
Unicef/Brian Sokol Ex-crianças-soldados em um centro de trânsito assistido pelo Unicef na República Centro-Africana

Dia da Mão Vermelha

No Fórum realizado no âmbito das comemorações do Dia da Mão Vermelha – Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado, a representante do Unicef citou a importância de um olhar de destaque para as crianças em Cabo Delgado.

“Estou confiante de que, através de esforços e ações conjuntas contínuas, seremos capazes de cumprir os nossos compromissos para com as crianças de Moçambique, particularmente as que foram afetadas pela situação em Cabo Delgado. Isto envolverá o reforço do acesso aos principais serviços de proteção, saúde e educação da criança nas áreas afetadas pelo conflito e o apoio ao governo local, instituições, comunidades, famílias e, sobretudo, às crianças.”

O Dia da Mão Vermelha tem sido comemorado desde 2002 no mundo.

Graça Machel discursa em um pódio durante um evento em Moçambique, com a bandeira nacional atrás dela.
UNICEF Moçambique/Cremildo Assane Graça Machel lembrou que a proteção das crianças passa por um conhecimento de instrumentos legais para abordagem do assunto

Relatório de Graça Machel

É um dia para chamar a atenção para o recrutamento e utilização de crianças por grupos armados e para apelar para ação que impeça o recrutamento de menores e apoie as vítimas.

O evento ocorre 26 anos após a ativista social e antiga primeira-dama de Moçambique, Graça Machel, ter emitido para as Nações Unidas, o relatório "O Impacto da Guerra nas Crianças".

O relatório exortava a comunidade internacional a tomar medidas concretas para proteger as crianças do flagelo da guerra e apelava às Nações Unidas e à comunidade global para agirem no sentido de protegerem os menores das Seis Graves Violações contra os direitos das crianças.

Graça Machel lembrou que a proteção das crianças passa por um conhecimento de instrumentos legais para abordagem do assunto.

“Não existe com clareza o conhecimento dos instrumentos que protegem civis, adolescentes crianças, incluindo a informação desagregada em sexo, idade, de acordo com o tipo de violações graves que muitas crianças foram submetidas.”

Um menino de uniforme verde está descalço em um chão de terra batida com um rifle no chão à sua frente, durante uma cerimônia de desarmamento em Yambio, Sudão do Sul.
Unicef/Sebastian Rich Unicef sublinha que crianças que estiveram associadas a grupos armados terroristas são duplamente vítimas

Mulheres, crianças e adolescentes

A ativista social foi além, afirmando que o plano de ação devem ser inclusivos.

“Cabo Delgado precisa de um plano de reintegração das crianças e dos adolescentes e também das mulheres num programa que inclua não só saber ler e escrever, mas realmente desenvolvimento de habilidades técnicas para poder enfrentar os desafios do futuro.”

As Nações Unidas condenam seis violações graves contra crianças em tempos de guerra, nomeadamente:  matança e mutilação; recrutamento ou utilização de menores em forças armadas e grupos armados; ataques a escolas ou hospitais; violação ou outra violência sexual grave; rapto de crianças; e negação de acesso humanitário para crianças.

O Fórum sobre Direitos da Criança: situação das crianças afetadas pelo conflito armado foi organizado pelo Ministério da Defesa de Moçambique, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef e do Instituto Dallaire para a Criança, Paz e Segurança.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota.