Ações para segurança nuclear na Ucrânia seguem em meio a agravamento humanitário
BR

1 abril 2022

Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, visitou autoridades ucranianas e russas para buscar cooperação e garantir segurança das usinas; Programa Mundial de Alimentos, PMA, afirma que situação humanitária piorou; comboios devem apoiar 3 milhões de pessoas nas próximas semanas.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, falou a jornalistas nesta sexta-feira após retornar de viagem pela Ucrânia e Kaliningrado. 

Rafael Mariano Grossi se reuniu com altos funcionários do governo ucraniano na Usina Nuclear, no sul do país, para revisar medidas e fornecer assistência técnica urgente para segurança e proteção.

Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, falou a jornalistas após retornar de viagem pela Ucrânia e Kaliningrado
IAEA/Dean Calma
Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, falou a jornalistas após retornar de viagem pela Ucrânia e Kaliningrado

Acordos para garantir segurança

Para Grossi, existe um risco real que deve ser debatido, mas sua intenção é manter as discussões laterais de forma técnica.
Ao citar a assistência nas usinas nucleares, Grossi contou que o trabalho já começou. Ele destacou a disponibilidade do corpo técnico da agência, trabalhando de forma remota, e na entrega de equipamentos para o monitoramento dos níveis de radiação.

O chefe da Aiea também visitou Kaliningrado, onde se encontrou com autoridades russas, incluindo o diretor da Companhia Estatal de Energia Nuclear, representantes do Ministério de Relações Exteriores e técnicos dos órgãos regulatórios.

Grossi falou da saída das tropas russas da usina de Chernobil, onde estavam desde o início da guerra. Agora, a agência busca investigar se soldados foram contaminados por radiação durante o tempo que ficaram no local. Segundo o diretor, os níveis tiveram uma leve subida após a saída das forças russas, mas permanecem dentro de patamares seguros.

Famílias chegam na Polônia depois de cruzar a fronteira da Ucrânia, fugindo do conflito crescente
© Unicef/Tom Remp
Famílias chegam na Polônia depois de cruzar a fronteira da Ucrânia, fugindo do conflito crescente

Ajuda em dinheiro

Além das negociações para evitar acidentes nucleares, a ONU se preocupa com a questão humanitária. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, PMA, a situação em diversas cidades no país continua a piorar. 

A agência forneceu assistência alimentar e ajuda em dinheiro para um milhão de pessoas afetadas pela guerra. O porta-voz do PMA, Tomson Phiri, afirmou que as pessoas estão “estressadas e estão ficando sem opções”.

O objetivo é ajudar pelo menos 3 milhões de pessoas nas próximas semanas e meses. O PMA despachou cerca de 40 mil toneladas de alimentos, farinha de trigo e rações alimentares para Ucrânia e países vizinhos.

Fora da Ucrânia, a agência planeja apoiar 300 mil refugiados e requerentes de asilo. O número é uma fração dos cerca de 4,1 milhões que já fugiram da violência, segundo dados mais recentes da Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Evacuação de Mariupol 

As agências humanitárias seguem ajudando milhares de moradores a fugir da cidade portuária de Mariupol e lembram que não há “plano B”, após semanas de bombardeios constantes desde 24 de fevereiro.

As pessoas ficaram retidas na cidade portuária, quando os ataques bloquearam a passagem segura para aqueles que queriam sair.

De acordo com o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Ewan Watson, a expectativa é que mais de 50 ônibus saiam de Mariupol acompanhados por outros veículos civis. 

Ele afirmou que o “tempo está se esgotando para o povo de Mariupol”.

 

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