Mulheres e meninas formam 90% dos deslocados pela guerra na Ucrânia
BR

1 abril 2022

Diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, lembra que ucranianas estão expostas a riscos ligados ao gênero, como tráfico, violência sexual e falta de acesso a bens essenciais; agência da ONU recebeu relatos de casos. 

Cerca de 10 milhões de pessoas já foram forçadas a sair de suas casas desde que a guerra na Ucrânia começou sendo que mulheres e meninas representam 90% dos deslocados.  O número equivale a quase 25% da população ucraniana. 

Os dados foram apresentados pela diretora-geral da ONU Mulheres. Sima Bahous faz um apelo ao fim imediato da guerra e destaca que as ucranianas estão “expostas a riscos relacionados ao gênero, como tráfico humano, violência sexual e acesso impedido a serviços e bens essenciais.” 

Apoio é essencial  

Jovem ucraniana descansa com seu cachorro depois de chegar em Medyka, Polônia, com sua família
© UNICEF/John Stanmeyer
Jovem ucraniana descansa com seu cachorro depois de chegar em Medyka, Polônia, com sua família

Segundo Bahous, já existem relatos de que alguns desses riscos estão ocorrendo. Por isso, ela apelou por uma “resposta urgente da comunidade internacional para garantir prioridade aos direitos e necessidades das mulheres e meninas” deslocadas pelo conflito na Ucrânia.  

Segundo ela, as mulheres de ONGs no país e em nações vizinhas estão qualificadas para ajudar, fornecendo todo o apoio para as ucranianas que estão arriscando suas vidas.  

Saúde mental  

Mulheres ucranianas caminham em frente a tendas montadas em Medyka, na Polônia, para ajudar refugiados que fogem do conflito
© Daniele Aguzzoli
Mulheres ucranianas caminham em frente a tendas montadas em Medyka, na Polônia, para ajudar refugiados que fogem do conflito

Comida, abrigo, assistência legal, apoio de saúde mental e ajuda para os que estão em fuga estão entre os serviços prestados.  

A chefe da ONU Mulheres pede apoio a todas essas organizações e garantias de corredores humanitários, uma medida, que segundo ela, é “imperativa”. 

A ONU Mulheres reforçou o apelo do secretário-geral António Guterres por um cessar-fogo imediato. Além de fornecer serviços essenciais no terreno, a agência das Nações Unidas faz levantamentos para garantir que todos que trabalham na resposta ao conflito tenham os dados mais recentes e análises sobre as “dinâmicas de gênero durante a guerra e seus impactos” nos civis. 

Os especialistas da ONU Mulheres têm “experiência em investigar casos de abuso ou violência sexual e de exploração de mulheres e de meninas no contexto da guerra” e estão, inclusive, trabalhando em conjunto com a Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Ucrânia, estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos.  

 

 

 

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