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Dispara número de migrantes cruzando selva de Darien para fugir da crise na Venezuela BR

Migrantes da OIM provenientes do Darién chegam a Lajas Blancas, no Panamá, e formam fila para receber ajuda.
OIM/Gema Cortes Migrantes fazem fila em Lajas Blancas, no Panamá, após cruzarem a selva de Darien

Dispara número de migrantes cruzando selva de Darien para fugir da crise na Venezuela

Migrantes e refugiados

Considerada a travessia florestal mais arriscada da América Latina, a área no Panamá já registrou quase o triplo de entradas somente nos primeiros dois meses deste ano; foram mais de 8,5 mil pessoas incluindo crianças e adolescentes; informação é da OIM e do Acnur. 

 A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e a Organização Internacional para Migrações, OIM, informaram que um número crescente de venezuelanos está se arriscando pela Selva de Darien para fugir da crise e chegar aos países do norte das Américas. 

Segundo a ONU, a quantidade de pessoas atravessando a fronteira quase triplicou apenas nos dois primeiros meses deste ano. O Estreito de Darien fica entre a Colômbia e o Panamá. 

Crianças e adolescentes 

Vista de trás de uma mulher e duas meninas caminhando em uma estrada de terra em uma área residencial.
Foto: Unicef/Arcos Uma família que fugiu da violência na Venezuela e se mudou para Cúcuta, na Colômbia.

No total, foram 8.546 migrantes e refugiados em janeiro e fevereiro. Em 2021, o mesmo período registrou 2.928. Muitos são meninas, meninos e adolescentes. 

A maioria das pessoas é da Venezuela. Com a piora dos impactos socioeconômicos devido à crise no país e à pandemia da Covid-19, muitos migrantes e refugiados preferem se arriscar pela selva, considerada a mais perigosa da América Latina, para escapar da crise e da violência. 

A área de 5 mil m2 é coberta por uma selva tropical densa, com montanhas empinadas e rios. Um outro perigo são bandidos e grupos criminosos pelo caminho que espalham violência.  

Violência sexual 

Famílias de refugiados venezuelanos vivem em um abrigo improvisado na Guiana. Uma mulher segura um bebê enrolado em um cobertor enquanto outra mulher e uma menina observam.
OIM/Diana Diaz Brasil foi o quinto maior destino de venezuelanos ao lado de Colômbia, Peru, Chile e Equador na região

São comuns episódios de violência sexual na passagem. 

A travessia é ainda mais arriscada para pessoas idosas e doentes. O trajeto normal dura 10 dias. Muitos que conseguem atravessar chegando exaustos e famintos a comunidades indígenas. Vários migrantes são tratados contra desidratação e precisam de cuidados médicos. Geralmente quem consegue vencer o trajeto são famílias e jovens. 

Em comunicado conjunto, a OIM e o Acnur disseram que o Governo do Panamá tem agido para dar assistência. Ambas as agências da ONU reiteram seu compromisso de ajudar com o acesso e proteção para os que precisam incluindo as famílias que abrigam os migrantes. 

Nos últimos meses está aumentando o número de venezuelanos que saem diretamente do país para atravessar a selva de Darien. Mas a passagem tem sido usada por migrantes de outras nacionalidades.  

Senegal e Uzbequistão 

Trabalhadores refugiados venezuelanos em uma fábrica de roupas, operando máquinas de costura e usando máscaras.
© OIM/Bruno Mancinelle Refugiada venezuelana trabalhando em uma fábrica de roupas no Brasil

No ano passado foram 133 mil pessoas, muitos haitianos passaram por ali com filhos pequenos nascidos no Brasil e no Chile. 

O local também é escolhido por cubanos e migrantes de Angola, Bangladesh, Gana, Uzbequistão, Senegal e outros países. O Panamá informou que houve 51 casos de desaparecimentos e mortes na travessia. 

As agências da ONU estão atuando para fortalecer centros de abrigo dos migrantes e pediram às autoridades que fortifiquem mecanismos de resposta a vítimas de tráfico de seres humanos, violência sexual e a crianças desacompanhadas. 

A OIM e o Acnur estão atuando com os governos para agilizar o processamento de pedidos de asilo e pediram mais apoio para os requerentes e as comunidades anfitriãs. 

Apelo 

Para a ONU, uma abordagem regional dará uma resposta mais adequada à situação. Em todo o mundo, existem 6 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos, mas 5 milhões vivem em países da América Latina e do Caribe. 

Este ano, a Plataforma Regional de Coordenação Interagências lançou um plano de US$ 1,97 bilhão para atender os venezuelanos e as comunidades de abrigo em 17 países da região. 

A crise política na Venezuela se intensificou em 2015 causando uma onda de milhões de refugiados.  

O governo do presidente Nicolás Maduro enfrenta protestos da oposição política num impasse que já dura vários anos. 

  

  

 
 
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