Enchentes prolongadas e deslocamentos devem aumentar no Sudão do Sul
BR

29 março 2022

Agência da ONU para Refugiados prevê piora das condições a partir de maio e destaca que ações urgentes são necessárias para proteger uma população que já é vulnerável. 

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, está alertando para a provável piora “das cheias prolongadas e do deslocamento” de pessoas no Sudão do Sul com o início da temporada de chuvas em maio. 

Nesta terça-feira, o especialista em Ação Climática da agência, Andrew Harper, declarou, em Genebra, ser necessária, com urgência, ação para proteger uma população que já é vulnerável. 

Fragilidade  

Crianças deslocadas caminham em área inundada no Sudão do Sul.
Foto: © UNMISS/JC McIlwaine
Crianças deslocadas caminham em área inundada no Sudão do Sul.

Harper passou recentemente cinco dias no país e afirma que “infelizmente pôde observar ainda mais miséria e vulnerabilidade à vista”. Ele lembra que o Sudão do Sul é um “país frágil que luta para ultrapassar desafios políticos e econômicos desde a independência em 2011”. 

Segundo o representante do Acnur, a pior enchente aconteceu no ano passado, quando mais de 835 mil pessoas foram impactadas.  A quantidade de chuvas recorde também destruiu milhares de hectares de terras em oito estados, tornando impossível o cultivo e quase 800 mil cabeças de gado morreram nos últimos três anos.  

Andrew Harper avalia que os impactos são piores em Jonglei, Unity e Alto do Nilo, onde milhares de pessoas estão deslocadas e outras tentam reter as águas das chuvas com lama, paus e lonas de plástico.  

População luta para salvar casas   

Mesmo com o aumento das águas, muitas famílias continuam morando em suas casas afetadas pelas enchentes no estado de Jonglei, no Sudão do Sul
Acnur/Aoife McDonnell
Mesmo com o aumento das águas, muitas famílias continuam morando em suas casas afetadas pelas enchentes no estado de Jonglei, no Sudão do Sul

O especialista explica que esses eventos do clima irão piorar no futuro, com os extremos se tornando norma e não a exceção. No mundo todo, enchentes e secas estão cada vez mais frequentes e intensas. Países como o Sudão do Sul estão entre os que menos contribuem com as emissões de gases, porém são afetados de forma desproporcional.  

Na localidade de Fangak Velho, Andrew Harper conheceu uma senhora de cerca de 70 anos que passa os dias no meio das águas turvas da enchente, tentando com paus e lama evitar que a água inunde completamente o pequeno complexo que abriga a sua familha. O representante do Acnur disse que foi uma cena dolorosa de acompanhar.  

Equipamentos pesados são necessários para criar barreiras às enchentes e construir montes para manter o gado acima da água. O Acnur forneceu lonas de plástico, exadas, pás e sacos de areia para ajudar a população sul-sudanesa a criar barreiras contra as cheias.  

Mas Harper faz um apelo à comunidade internacional, para que forneça mais apoio para evitar perdas de vidas e melhorar o preparo dessas comunidades para a próxima temporada de chuvas.  

 

 

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